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ESPANHA- Principais Regiões Vinícolas – Rioja (ABS-SP)

15 ago

ESPANHA- PRINCIPAIS REGIÕES VINÍCOLAS

RIOJA

Localização

Rioja, a principal região vinícola da Espanha, situa-se no norte do país e sua produção é predominantemente de vinhos tintos. Seu nome deriva de “rio Ojas”,um pequeno afluente do rio Ebro, sendo que a maior parte da região vinícola situa-se na província de La Rioja, com pequenas partes stendendo-se para o país Basco a oroeste e para Navarra a nordeste.

Centrada na apital da província, Logroño, Rioja divide-se em três partes, ao longo do eixo do rio Ebros. A Rioja Alta ocupa a parte do Vale do Ebro a oeste de Logroño,incluindo a cidade vinícola de Haro. Rioja Alavesa é o nome dado à seção ao norte do rio Ebro, que se estende até à província basca de Alava. Por fim, a ioja Baja, que se estende desde os subúrbios de Logroño ao sul e ao leste,incluindo as cidades de Calahorra e Alfaro.

História

Há evidências aqueológicas que os romanos já faziam vinho no Vale do Ebro. O comércio do vinho durante a ocupação dos mouros era tolerado, mas não incentivado. No entanto, a viticultura voltou a florescer durante o período da reconquista pelos cristãos, no final do século 15. A indústria do vinho na Rioja cresceu ao redor dos inúmeros monastérios da região, que foram criados para servir os peregrinos da rota para Santiago de Compostela, sendo que as primeiras leis vinícolas datam deste período.

Durante vários séculos a região sofreu com seu isolamento físico dos grandes centros populacionais, sendo que seus vinhos só encontraram mercado fora da região por volta de 1700, quando as vias de comunicação melhoraram e Bilbao tornou-se um importante centro comercial.

A partir de 1840, quando algumas pragas começaram a atacar os vinhedos da França, a região recebeu vários comerciantes de vinho de Bordeaux. Tal fluxo aumentou ainda mais a partir do final da década de 1860, quando a phylloxera começou a devastar os vinhedos franceses. As leis aduaneiras francesas foram relaxadas e a região da Rioja experimentou um inusitado sucesso de vendas que durou por quatro décadas.
Novas vinícolas se estabeleceram, entre elas a Companhia Vinícola do Norte da Espanha (CVNE), López de Heredia, La Rioja Alta e Bodegas Franco Espanholas, todas fortemente influenciadas pelos franceses. Durante este período foi introduzida a barrica, um tonel de 225 litros de capacidade, fabricada com carvalho. Apesar de até hoje serem chamadas de barricas bordalesas, o carvalho americano é a madeira mais habitual na sua fabricação.

A phylloxera só atingiu a Rioja em 1901, sendo que a partir desta data a região entrou em acentuado declínio, até porque Bordeaux voltou a produzir vinhos em grande quantidade, provenientes de vinhedos resistentes à praga. A recuperação plena do mercado só veio a acontecer no final da década de 1970, com a construção de várias vinícolas. A Rioja foi promovida de DO (Denominación de Origen) a DOCa ( Denominación de Origen Calificada) em 1991, sendo que os atuais regulamentos de DO datam de 1976.

Clima e Solo

A Rioja desfruta de uma invejável posição geográfica entre as diferentes regiões
vinícolas da Espanha. Protegida pela Serra de Cantábria ao norte e a oeste, a região é poupada dos fortes ventos chuvosos do Atlântico, que castigam impiedosamente a costa basca ao norte. Também, os produtores da Rioja raramente experimentam os extremos de temperatura que oprimem os produtores das regiões sul e central da Espanha. Os vinhedos estão plantados em altitudes que variam de 300 metros acima do nível do mar em Alfaro, a leste, até 800 metros nas encostas da Serra de Cantábria a noroeste.

A precipitação anual varia de 300mm na Rioja Baja a 500mm nas partes altas da Rioja Alta e
Rioja Alavesa. A maioria das melhores uvas cresce nas encostas mais frias do noroeste, ao redor das cidades de Haro, Labastida, San Vicente, Laguardia, Elciego, Fuenmayor, Cenícero e Briones. Estas regiões têm em comum um solo argiloso, baseado em calcáreo. Indo para o leste, o clima torna-se gradualmente mais quente, com a precipitação caindo abaixo de 400mm /ano em Logroño. Quando o Vale do Ebro se alarga, há maior incidência do solo fértil de aluvião, formado pelas terras trazidas pelo rio. Nos arredores de Calahorra e Alfaro, o clima é mais Mediterrâneo. No verão, a forte seca é o maior problema desta região, com as temperaturas atingindo freqüentemente os 30 a 35o C.

Viticultura e variedade de uvas

Sete variedades de uvas (quatro tintas e três brancas) são permitidas na Denominación de Origen Rioja, com distribuição variada em diferentes locais da região. A variedade mais plantada é a provavelmente nativa Tempranillo, uva tinta que cresce muito bem nas encostas de argila e calcáreo da Rioja Alta e Rioja Alavesa, formando a base para os melhores vinhos da região. No entanto, a maioria dos vinhos da Rioja são cortes de mais de uma variedade, sendo a uva Garnacha freqüentemente adicionada à Tempranillo, dando ao vinho um maior corpo. A Garnacha, quando sozinha, produz vinhos encorpados e alcoólicos, que tendem a se oxidar com rapidez, não sendo desta forma adequados para a maturação em tonel.Outras variedades de uvas tintas de menor importância são a Mazuelo (Cariñena ou Carignan) e a Graciano, sendo que a última contribui bastante para o aroma do vinho. A Cabernet Sauvignon e a Merlot, apesar de serem plantadas
por inúmeras vinícolas, só são permitidas oficialmente no Marquês de Riscal.

Historicamente, a principal uva branca da Rioja é a Malvasia, que produz vinhos ricos, alcoólicos e secos, se adaptando muito bem à maturação em carvalho. No entanto, a partir do início da década de 1970, os vinhos brancos com sabor fresco e fermentados a frio, engarrafados jovens, se tornaram moda e a uva Viura conhecida no restante da Espanha como Macabeu), tornou-se a variedade mais plantada.

Os vinhedos da Rioja costumam ter pequenas extensões,sendo que as leis do DO permitem safras
de até 60 hectolitros/hectare para os vinhos brancos e 50 hectolitros /hectare para os tintos.

Vinificação

As uvas da Rioja são encaminhadas às grandes vinícolas, cujos proprietários são grandes
negociantes e algumas cooperativas locais. A maioria das vinícolas da Rioja são razoavelmente bem equipadas, com modernos tanques de aço inoxidável e com controle da temperatura de fermentação. Em algumas pequenas vinícolas tradicionais, a fermentação tanto do vinho branco quanto do vinho tinto se dá
em tanques ou tonéis de madeira, mas isto é a exceção e não a regra.

A principal característica da vinificação na Rioja não está nas técnicas de fermentação e sim na maturação em tonéis de madeira, sendo que a forma e o tamanho das barricas bordalesas de 225 litros, introduzidas pelos franceses nos meados do século 19, são estabelecidas por lei.

A regulamentação também especifica o período mínimo de maturação para cada categoria de vinho oficialmente reconhecida. Os vinhos Crianza e Reserva devem permanecer pelo menos um ano em carvalho, enquanto que um Gran Reserva necessita permanecer pelo menos dois anos. Da mesma forma que nas demais regiões da Espanha, o carvalho americano é o mais utilizado na confecção dos tonéis. Quando novo, o carvalho confere ao vinho um suave sabor de baunilha, que se aceita como sendo típico da Rioja. Um efeito similar pode ser obtido, através da lenta e oxidativa maturação em tonéis antigos. O uso de carvalho francês, especialmente Limousin, Grain de Neveres e Allier, tem aumentado consideravelmente na região.

As regras da Rioja também especificam o tempo que o vinho amadurecido no carvalho deve
permanecer nos tanques ou na garrafa, antes de serem comercializados. Assim, os Crianzas devem envelhecer por mais um ano, os Reservas por mais dois anos e os Gran Reservas (geralmente vinhos especialmente selecionados das melhores safras) devem permanecer pelo menos por mais três anos na garrafa. Os vinhos que contém a maior percentagem de Tempranillo são os selecionados para o
amadurecimento prolongado em tonel.

No caso dos vinhos brancos, desde a adoção da técnica de fermentação fria pela maioria dos produtores, a
quantidade de vinhos brancos envelhecidos em madeira tem diminuido progressivamente. Os produtores López de Heredia e Marquês de Murrieta continuam a adotar o estilo tradicional de vinificação, mantendo seus vinhos brancos em barricas de carvalho.

Os tempos mínimos de permanência na madeira para os vinhos brancos são de seis meses a um ano para os Crianzas, dois anos para os Reservas e quatro anos para os Gran Reservas, antes de ser liberados para a venda.

A adição de ácido tartárico ajuda o vinho a envelhecer por estes períodos de tempo. A partir dos meados da década de 90, alguns dos modernos produtores que na década de 70 engarrafavam os Rioja brancos jovens,
em especial Martinez Bujanda, começaram a experimentar a técnica de fermentação em barril.

 
1 comentário

Publicado por em 15 de agosto de 2011 em Sem categoria

 

Uma resposta para “ESPANHA- Principais Regiões Vinícolas – Rioja (ABS-SP)

  1. 2fingers

    15 de agosto de 2011 at 9:28

    Conforme confissão já sob efeito alcoólico feita no sábado ao confrade H-Lee, o Vega Sicília foi o melhor vinho tinto que eu já tive a oportunidade de provar…vale cada centavo investido!!!!

     

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