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TORRONTÉS: O ÍCONE BRANCO DA ARGENTINA

25 set

 Quando falamos de uma determinada variedade de uva automaticamente pensamos na sua origem: Cabernet Sauvignon-Bordeaux, Pinot Noir-Borgonha, Chenin-Loire, Riesling-Alemanha, Sangiovese-Toscana e assim por
diante.

No Novo Mundo do vinho, o encepamento não é tão rico em especificidades mas poderíamos citar a revelação da Zinfandel na Califórnia, da Pinotage na África do Sul e da Torrontés na Argentina.

Por muito tempo pensava-se que a Torrontés seria a mesma Tarrantez da Espanha mas estudos recentes com análises de DNA mostraram finalmente a origem da Torrontés – esta variedade foi resultante do trabalho de abelhas silvestres na polinização cruzada entre videiras, um tipo de Moscatel com a Criolla Chica. É uma variedade tipicamente argentina

Um traço que marcou os primeiros exemplares de Torrontês chegados ao Brasil foi o aroma excessivamente forte, às vezes, enjoativo e grosseiro, coroando por um final de boca marcado pelo forte amargor.

Há alguns anos têm aparecido vinhos Torrontés que contrariam este perfil e mostram mais delicadeza nos aromas, mais redondeza na boca e final sem aquele amargor. Isso animou vinícolas de maior densidade técnica a aplicar-se na produção de bons rótulos desse varietal.

A expressão dos vinhos da Torrontés vem de sua surpreendente adaptação e evolução nas províncias mais setentrionais como Salta, bordando encostas de altitudes expressivas, numa faixa que vai desde 1700 metros em Cafayate até 3.100 em Payogasta, passando por 1750 na Finca Chimpa, 1890 em San Pedro de acochuya, 2260 em Humanao, 2490 em Cachi, e assim por diante.

Nas alturas desses vinhedos o clima oferece favores. O primeiro deles está representado pela insolação mais intensa com maior atividade da fotosíntese durante o dia, assim como gerando proteção contra os raios ultravioletas e infravermelhos em cascas de maior conteúdo de flavonas e clorofila. Para não se ter exageros as videiras são podadas de tal sorte a manter folhas protetoras para os cachos.

Outro favor emprestado pela altitude reside nas temperaturas ambientes que são altas porém temperadas
porque não ocorre o efeito estufa pela falta de camada atmosférica. Daí porque as noites são bem frias obrigando a maturação a seguir um ritmo mais lento. O contraste das temperaturas de dia e de noite determinam uma grande amplitude térmica, 18 a 22°C, responsável pela maior concentração de polifenóis,
substâncias antioxidantes muito benéficas a nossa saúde.

A ausência de chuvas durante a fase de amadurecimento e colheita garante a concentração de açúcares na polpa da baga da uva.

Um vento soprando quase sem parar, chega até a 16 horas por dia, faz uma constante varredura dos fungos, insetos e outros elementos nocivos que poderiam se instalar nas folhas e cachos da uva.

Com esses fatores positivos, a Torrontés conhece seu nível máximo nos vales das alturas de Salta,e o vinho esbanja toques delicados de perfumes florais, notas frutadas lembrando lichia, boca refrescante e agradável.

O Torrontés já pode ser considerado um vinho branco típicamente argentino e os principais rótulos que revelaram suas tipicidades foram, entre outros, o Santa Silvia (Bodegas Sainte Sylvie), o Rincón del 900 (Robino Y Cia), Fernando G (Paponi Hermanos), o Viñas de Orfila (Bodegas Jose Orfila), o Nacari (Sociedad
Nacari), o Don David e o Michel Torino Torrontés Blush (Bodega La Rosa), o Waidatt Torrontés Privé (Bodega La Rioja), o Uvas del Sol (La Agricola), o Humberto Canale (Humberto Canale), e o Cafayate Torrontés (Arnaldo Etchard).

O Terrazas Reserva Torrontés (Cafayate, Salta, 1800 msnm) carrega em seu nome a expressão UNOAKED uma vez que não passa por barris de carvalho permitindo potencializar plenamente seu intenso frescor, seus aromas florais e frutados. Apresenta uma cor amarela esverdeada brilhante com reflexos dourados. No nariz destacam-se aromas florais como o jasmim e a rosa, que se conjugam harmoniosamente com intensas notas frutadas como a pêra, a manga e o maracujá. No paladar, nota-se o frutado, sensual e com uma excelente acidez que se manifesta em uma notável sensação de frescor. Com grande persistência aromática e gustativa, característica marcante dessa variedade.

No nosso clima mais quente, essa aromática é um acompanhamento natural para pratos frescos como saladas, frutos do mar e cozinha japonesa, porisso mesmo, deverá ganhar muitos apreciadores no Brasil. Um detalhe muito importante: o vinho Torrontés deve ser servido a temperaturas bem baixas, digamos, 6 a 8°C.

Extraído do Bolg Todo Vinho de

 
2 Comentários

Publicado por em 25 de setembro de 2011 em Dicas

 

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2 Respostas para “TORRONTÉS: O ÍCONE BRANCO DA ARGENTINA

  1. Leandro Sperry

    25 de setembro de 2011 at 12:18

    Acho que para entrada, um bom Torrontés seria salutar!

     
  2. Jonas Lunkes

    30 de setembro de 2011 at 15:56

    Muy lindo vino. Puede ser si.

    Vai rolar champagne???

     

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