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Arquivo mensal: janeiro 2012

A saga dos winefreaks – Tunduque!!!!

Tudo começou em uma conversa despretenciosa na Pousada Salentein em que recebemos uma dica valiosa, uma pequena bodega localizada a poucos quilômetros de distância, com uma produção reduzida, comandada pelo proprietário e dois enólogos em uma pequena garagem de vinificação mais ou menos do tamanho da sala de degustação da Salentein.

Azul – Este é o nome da vinícola. Um pequeno empreendimento que passa despercebido aos olhos desavisados dos viajantes. Estacionamos a van no pátio e batemos a porta de ferro onde parecia estar a cantina de produção de vinhos e, em poucos segundos apareceu um rapaz muito simpático chamado Luiz – um dos enólogos da casa. Nos pediu para aguardar alguns minutos pois estava terminando uma degustação com um casal de americanos. Sentamos num lounge externo para aguardar. Confesso que a espera foi bem agradável, com um sol intenso, a galera em uma ótima vibração e muito verde ao redor.

A cantina parecia bem simples, mas era exatamente o que a gente esperava...uma garagem pra chamar de nossa!!!

Uma pausa pra esperar os vinhos que estavam por vir...

Quando entramos no prédio ficamos impressionados com a simplicidade do lugar, algumas poucas tinas de inox e algumas barricas de carvalho frances novas do outro lado da garagem. Uma prensa manual se encontrava no canto nos dizendo que tínhamos chegado ao local certo.

Logo que entramos Luiz já nos chamou para perto de uma mesa de degustação com algumas garrafas de vinhos abertas e começou a falar um pouco do empreendimento. Realmente é uma bodega familiar pequena com uma produção limitada, são apenas vinhos tintos dentro de três linhas, os varietais, reservas e gran reservas. As castas utilizadas são a Malbec, Cabernet Sauvignon e Syrah e nada mais.

Luiz e uma de suas obras...nossos agradecimentos pela oportunidade pibe!!!

Somente 40.000 garrafas produzidas por ano, 7 hectares plantados, toda produção vem de vinhedos próprios

Partimos para a degustação, inciamos com a linha varietal, os vinhos de entrada, provamos o Malbec e o Cabernet Sauvignon, vinhos honestíssimos, fáceis de se beber, sem passagem por carvalho com média estrutura e corpo. Excelentes propostas para um vinho de almoço ou para acompanhar um prato mais leve. O preço mais do que justo, 40 pesos argentinos, cerca de R$ 20,00.

Na sequencia provamos o Azul Reserva safra 2008 / 85% Malbec – 15% Cabernet Sauvignon. Aqui tivemos nossa primeira grata surpresa, com um nariz interessantíssimo, elegante, num primeiro momento aromas típicos da malbec com ameixas negras e arándanos, toques florais, num segundo momento toques herbáceos da Cabernet. Na boca um vinho com alma, com a assinatura de seu enólogo, excelente equilíbrio, seus 15 meses de carvalho apenas engrandecem a obra. Ficamos muito satisfeitos com este corte. Preço: 75 pesos argentinos, R$ 35,00.

Partimos para a degustação do TOP da casa, Azul Gran Reserva safra 2007 – 50% Malbec / 50% Cabernet Sauvignon com 24 meses em barricas francesas novas. Estranhamos um pouco pois a garrafa estava ainda fechada sobre o balcão, um vinho como este deveria pedir uma aeração prévia, mas enfim, éramos convidados… Então veio a grande surpresa, Luiz puxou uma pipeta e nos ofereceu uma amostra de tanque para degustar! Dá para acreditar? Quantas bodegas ainda oferecem amostras de tanque para um grupo de desconhecidos? O vinho que nos ofereceu ainda nao estava finalizado, estava com 15 meses de caravalho, ainda ficaria outros 9 meses em afinamento até vir para o mercado.

Esse realmente foi Freak!!!!

Luiz nos pediu para degustar aquela amostra e imaginar o potencial do vinho algum tempo a frente. Bem, o que provamos fez o tempo parar. Nas palavras dos winefreaks este foi um verdadeiro “time freeze”. Grande tinto, negro na taça, quase sangue, no nariz aromas levemente reduzidos mas que logo se abriram para toques de couro, especiarias, alcaçuz, final mentolado. Muito, muito elegante. Na boca um monstro, primeiro ataque lembrava quase um licoroso mas logo sua acidez e frescor entram em cena para contra balançar. Final de boca muito agradável e absurdamente longo, ficamos todos de queixo caído. Bem, fomos obrigados a trazer algumas garrafas para ver como estara este caldo depois dos 9 meses de carvalho que lhe faltavam.

A galera freak em recuperação após o time freeze!!!!

Depois da degustação partimos para o almoço no restobar que existe dentro da Bodega, um restaurante comandado pela família. O proprietário Alejandro Fadel e seu familiar Paulo nos serviram um menu degustação de 5 pratos incríveis. Iniciamos com alguns pães caseiros e uma pasta de beringela defumada perfeita.

Que tal o Restobar?

A primeira entrada foi um creme de cebolas com batatas e manteiga com um toque de cebolas roxas caramelizadas.

Segunda entrada uma composição de uma fritada de ovos caseiros com temperos verdes e uma brusqueta com presunto parma cru e parmesão.

Terceira entrada empanadas. Entrañas de vacuno cortadas com el cutillo e um triângulo de cerdo (porco) e pasta de pimenta.

O prato principal consistiu de um ollo de lomo (entrecot) preparado no ponto jugoso, perfeito,  com um toque de chimichurri acompanhado de uma salsa de abacate e vinagrete com papas, berinjela e abobrinhas grelhadas.

Para finalizar esta maratona duas sobremesas, uma mousse de chocolate servida sobre um creme de pêssego e uma sobremesa chamada Vijlante, membrillo (marmelo) servido com queijo e uma calda de amoras com nozes.

Quando já tínhamos finalizado nosso almoço e estávamos pagando a conta,  satisfeitíssimos,  passou correndo perto da janela uma espécie de porquinho da índia, ou Preá como conhecemos, logo que Paulo o avistou apontou e gritou, mirem, un TUNDUQUE!!

Que dia…Ficam nossos agradecimentos à todos da bodega e do restobar!!!

Pessoal do Resto recebendo nosso kit de promoção da região das hortênsias...Canela e Gramado devidamente promovidos na terra dos vinhos da Argentina.

Valeu…

 
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Publicado por em 31 de janeiro de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias

 

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A saga dos Winefreaks – Salentein, um colosso no Vale do Uco

Após nossa visita à Tupungato Winelands seguimos rumo a nosso próximo destino para passar o final do dia e noite – a bodega e pousada Salentein. A Salentein é um empreedimento estrangeiro de um grupo de investidores, principalmente holandeses, que resolveram apostar neste novo terroir na Argentina, o Valle de Uco há cerca de 10 anos atrás. O empreendimento Salentein compreende um total de 86.000 hectares. Aqui entram além dos vinhedos, exploração de frutas e pecuária. A Bodega tem uma área total de 2.000 hectares, no entanto, hoje, menos de 10% dessa área são explorados para as vinhas. Tem uma produção anual em torno de 2.800.000,00 garrafas ano exportando para mais de 40 países.

O nome Salentein vem do castelo homônimo onde o proprietário reside na Holanda e, segundo consta, ele vem três vezes ao ano a Argentina para acompanhar o andamento do projeto.

Chegamos no dia 29 no final da tarde e a Bodega já estava fechada, por isso, rumamos diretamente para a pousada. O caminho que leva a ela é incrível, uma estrada de terra e pedra de mais ou menos 1 Km de extensão rodeada de alamos e com a agua do degelo correndo entre as árvores…uma paisagem de cartão postal. Chegando a recepção fomos conduzidos aos quartos sem burocracia, nada de check in ou confirmação de resevas…segundo o atendente, depois, quando estivéssemos tranquilos e instalados, poderíamos preencher os papéis.

O acesso para a pousada e os álamos...

Os quartos são cabanas no meio dos vinhedos que recebem nomes de cepas, o nosso foi o Malbec, perfeito, em todos os detalhes. Na varanda não se escuta absolutamente nada além do ruído da água do degelo passando ao lado do quarto. Além disso, uma garrafa de Salentein Cabernet Sauvignon Reserva e um drink de boas vindas nos foi oferecido como forma de nos inserir no contexto da bodega.

Entre as opções de entretenimento, mountain-bikes estvam disponíveis para que os hóspedes pudessem conhecer os vinhedos e os demais atrativos da região. Resolvemos (Eu e o Cristiano, que escrevemos esse post à quatro mãos) dar umas bandas e encontramos uma paisagem incrível, intervenções arquitetônicas completamente integradas ao ambiente (como a lindíssima capela onde paramos para agradecer pela incrível oportunidade que estávamos tendo, além da própria bodega e cava de vinhos). Saindo da bodega e pegando a estrada visualizamos a vizinhança que conta com fincas e bodegas como Sophenia, Tapiz, Rutini e a surpreendente Azul (que será tratada em um post em breve). Um belo banho de piscina lavou o corpo cansado após as pedaladas e nos preparou para o que estava por vir.

O que pode ser melhor que uma piscina dessa depois de umas pedaladas??

À noite um jantar de três passos com direito a harmonização faz parte da diária da pousada. Conhecemos o gerente geral, Andres, que muito solicito, sabendo de nossa wine trip nos ofereceu para acompanhar o prato principal, truta, um Pinot Noir Primus safra 2007, a linha TOP da casa, além de nos dar dicas preciosas sobre outras opções de visitas na região.

Um brinde!!!

No dia seguinte rumamos para a visita e degustação na Bodega Salentein. Apesar do nosso já relativamente extenso cardápio de bodegas visitadas ao redor do mundo, poucas nos impressionaram como esta. Simplesmente estonteante, a entrada dá para um prédio de mármore e pedra com uma esposição de arte do artista Ruggero Leoncavallo, wine bar e loja. Aqui combinamos que passaríamos pelo passeio turístico completo para ver como funcionava e analisar se seria interessante como nos passeios privativos que havíamos feito até então. Iniciamos com um vídeo que contava um pouco a história da Salentein e seu legado, com imagens lindas e informações sucintas e bem interessantes.

A entrada da Bodega Salentein já impressiona...

Após este primeiro passo rumamos para outro prédio atravessando mais uns 100 metros de paisagem, onde realmente se localiza a produção. Tudo é colossal nesta bodega, desde a sala de fermentação e maceração com inúmeras pipas de inox de 5000 litros novas até a cava com mais de 5000 barricas de carvalho francês e americano novas.

No meio da nave da "catedral"com suas 5000 fiéis barricas de carvalho.

Depois de um passeio rápido guiado, sim, até guia tivemos neste encontro!! Passamos a sala de degustação com uma mesa de mármore travertino com mais de 3 metros de comprimento e 60cm de largura, simplesmente de perder o folego.

Jonas em nossa mesa de degustação privativa!!!

Degustamos 4 vinhos neste momento:

1º – Salentein Reserva Sauvignon Blanc safra 2011. Lindo amarelo esverdeado muito transparente, com aromas de ervas frescas, maracujá e frutas tropicais, na boca muito franco e típico e, apesar de não ter a força de alguns exemplares chilenos, estava realmente muito bem finalizado, com uma acidez muito bem posicionada. Excelente surpresa.

2º – Primus Pinot Noir safra 2007. A linha Primus é a linha TOP da bodega, poucas garrafas produzidas e somente nas melhores safras. Este não nos impressionou, muita força e pouca elegância, seus 15% de alcool e 18 meses de carvalho realmente se mostram em demasia, apagando a tipicidade desta casta. Uma informação importante: no dia anterior degustamos o mesmo vinho sem ter sido decantado – ao contrário deste que passou por uma decantação de quase 1 hora –  ficondo realmente bem melhor e mais equilibrado que o primeiro. Se vc for degustá-lo, fica a dica de obrigatoriamente passar uma aeração prévia de 1 a 2 horas.

3º – Salentein Reserva Malbec 2010. Um malbec ao estilo Parker, potência, extração, alcool, um tinto de pegada para aqueles que gostam de um Malbec ao verdadeiro estilo Argentino.

4º – Primus Malbec 2007. Aqui chegamos a um Malbec de respeito, apesar de seguir um estilão de força e concentração, apresentou uma elegância incrível, no nariz e na boca um perfeito equilíbrio entre seu lado macio e seu lado de dureza. Grande final de boca, boa persistência. Uma excelente escolha de compra para essa bodega.

Freaks reunidos e felizes após a bebedeira...ou melhor...degustação!!!

No geral os vinhos da Salentein que degustamos estavam todos muito bons, contudo, a impressão que nos passou foram de vinhos padronizados, feitos para agradar a um mercado sedento por vinhos perfeitos, sem arestas, mas nós, freaks, queríamos mais, queríamos vinhos que nos apresentassem arestas, pequenos defeitos, vinhos de autor, mas que no conjunto da obra fossem obras primas. Foi o que encontramos em nossa visita seguinte, mas isto é assunto para nosso próximo post.

Arriba, abajo, al centro e adentro!

 
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Publicado por em 30 de janeiro de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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A saga dos Winefreaks – Chegada a Tupungato

Chegamos a nosso 4º dia de viagem e o destino agora era a cidade de Tupungato na região do Valle do Uco. Viagem tranquila de uns 140 Km sobre uma estrada muito boa com a cordilheira nos acompanhando. Nossa idéia em Tupungato era rumar diretamente para a pousada Tupungato Divino, indicação de um conhecido, porém, como não tínhamos reservas, íamos na torcida de conseguir os quartos para acomodar os 5 freaks.

On the road again!!!!

Entramos na cidade e nos deparamos com um problema já comum nessa viagem…o GPS simplesmente não possui informações detalhadas das cidades menores e não pudemos usá-lo para encontrar a pousada. Após uma série de tentativas frustradas acabamos encontrando cidentalmente uma enorme estrutura chamada Tupungato Winelands. Primeiramente achamos que poderia ser a pousada tão procurada. Ficamos parados em frente ao local mas não conseguíamos identicar o que era: Vinícola, Condomínio, Hotel? Após alguma discussão sobre se deveríamos entrar e furar nossa programaçao, resolvemos encarar, afinal de contas, os grandes momentos vem justamente de situações não programadas.

Após nos depararmos com essa imagem ficou a dúvida...entramos ou não??

E o nosso feeling estava calibradíssimo…que experiência incrível!!! Tupungato Winelands é um projeto imobiliário localizado a 50 min da cidade de Mendoza e 15 min de Tupungato, contando com uma área com 800 hectares de vinhedos com lotes privados e um campo de golfe com 18 buracos. Cada finca individual tem entre 2,5 a 4,5 hectares com 3000 m² reservados para a contrução de uma casa e o restante da área para ser dedicada aos vinhedos. Exatamente isto, o projeto consiste em cada morador ter seu próprio vinhedo na porta de casa!

O campo de golf com 18 buracos foi desenhado pela Adam Golf Design e está localizado a 1200 m de altitude sobre 60 hectáres de vinhedos, é lindo, e para aqueles que são golfistas uma notícia maravilhosa, o green fee para se jogar 18 buracos custa somente 180 pesos argentinos ( menos de R$ 90 reais). O campo não parece ser fácil, par 72, com buracos par 3, 4 e 5,  sendo que, praticamente desde o tee até o green o fairway é extremamente estreito e não permite erros.

Falando de vinhos, o vinhedo em Winelands tem acessoria do renomado enólogo Michel Rolland que tem a tarefa de ajudar aos proprietários a elaborar seus próprios vinhos.

Terminando nossa visita, chegamos ao restaurante do complexo, localizado em uma posição maravilhosa. no alto de uma colina. Ficamos um pouco temerosos dos valores dos pratos e vinhos, afinal de contas, clubes de golfe ao redor do mundo não são conhecidos por seus preços convidativos, ainda mais dentro de um vinhedo.

Lindo...mas será que era pro nosso bico??

Para nossa grata surpresa, os pratos tínham preços para lá de acessíveis…para se ter uma idéia, cada um pediu um bife de lomo, que estava muito bom, com empanadas e umas papas fritas rústicas maravilhosas de entrada. Tomamos dois vinhos brancos, um Portillo Sauvignon Blanc 2011 e um Zorzal Sauvignon Blanc 2011(ambos não decepcionaram…), gastando, com tudo isso incluído, incriveis R$ 60 por pessoa! Inacreditável!

Uma das iguarias do almoço...

Para completar as grandes surpresas do dia, teríamos de sair as 4 da tarde para caçar um lugar para nos hospedarmos, afinal ainda não tínhamos hotel reservado. Nesse momento, o gerente do local, Fernando Gonzalez, aproximou-se e nos sugeriu a Pousasa Salentein, dentro da renomado vinícola homônima. Ligou do celular pessoal e conseguiu uma reserva para cinco pessoas com tarifa especial e meia pensão! Dá para acreditar nisto?

A galera feliz à caminho da Pousada Salentein em um dia pra não esquecer jamais!!!

Mas isto é assunto para o próximo post do Blog.

Grande abraço a todos.

 
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Publicado por em 29 de janeiro de 2012 em Dicas, Notícias, Novidades

 

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Middle of nowhere

Em algum lugar da estrada entre Santa Fé e San Rafael

 
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Publicado por em 28 de janeiro de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades

 

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A saga dos winefreaks – San Rafael parte 2

Dando sequencia a nossa visita a Bodega Alfredo Roca, vamos falar um pouco da degustação a qual fomos conduzidos por Alejandro Roca. Passamos por uma verdadeira Maratona provando rótulos maravilhosos.

Abrimos os serviços com um vinho branco muito interessante. Alfredo Roca Tocai safra 2011. Esta cepa oriunda das regiões norte da Itália pode produzir vinhos muito refrescantes e ótimos para o verão. Este da Bodega Roca de coloração amarelo esverdeado muito claro apresentou nariz discreto com toques cítricos, manga, maracujá e flores. Sua boca confirma o nariz, discreto, acidez balanceada, na verdade baixa, mas com um final de boca bem agradável. Apresentou um toque herbáceo bem interessante. Nada excepcional, mas um branco a ser conhecido.

Nosso segundo vinho foi o primeiro time freezing do dia. Alfredo Roca Chardonnay Dedicacion Personal safra 2010. Lindo, amarelo palha com toques dourados já mostrando sua breve passagem por roble americano. Frutas brancas, banana, pêssego, damascos secos, creme de baunilha. Primeiro momento o carvalho ainda estava saliente demais mas após alguns minutos de aeração seus aromas primários vieram a tona. Lindo. Na boca só melhorou, grande untuosidade mas muito bem balanceada com sua veia ácida, volumoso, rico, grande final de boca. Este deve ser degustado por todos que admiram um belo branco.

Alfredo Roca Merlot Rose safra 2011. Já conhecia esta vinho das safras 2009 e 2010, mas confesso que não me impressionava muito. Esta safra 2011 veio com uma proposta completamente diferente. A sensação é que estávamos degustando um verdadeiro Provence Rose. Sua cor esmaecida, casca de cebola já indicava um vinho bem vinificado. Nariz com aromas muito sutis de pétalas de rosas, frutas vermelhas e um toque de cassis. Na boca perfeito, frescor, jovialidade, leve amargor no final de boca tão esperado, muito bom, excelente surpresa. Arrisco-me a dizer que foi um dos melhores roses sul americanos que degustei nos últimos tempos.

Alfredo Roca Merlot safra 2010. Chegamos aos tintos, iniciamos com um vinho de médio corpo da linha intermediária Roca. Um merlot varietal bem típico com toques de frutas negras, mentolado e final aromas levemente defumados. Na boca justo, não impressionou o grupo mas não apresentou nenhum defeito. Um merlot para se degustar sem grandes pretenções. Um tinto para a hora do almoço.

Alfredo Roca Syrah safra 2010. Aqui chegamos num belo exemplar, não e um vinho de alta gama mas apresentou grande tipicidade de aromas e boca. Aromas de ameixas negras cozidas e um toque de carvalho e mentol. Na boca impressionou, complexo, volumoso, um tinto para se tomar com um belo entrecot gorduroso.

Alfredo Roca Pinot Noir Reserva de Família safra 2008. Aqui tivemos nosso segundo time freezing, grande vinho, aromas de arándanos, frutas vermelhas, pétalas de rosas, um lindo Pinot Noir da Argentina, bela acidez, nada daqueles Pinots carregados provenientes da Argentina  que degustamos algumas vezes. Sua passagem pelo roble apenas enalteceu suas virtudes, não mascarou em nada suas características primárias. Um excelente Pinot Noir.

Alfredo Roca Cabernet Sauvignon Dedication Personal safra 2010. Bom tinto mas nada impressionante, aromas mentolados, toques herbáceos e pouco intenso. Na boca um vinho quente, robusto com taninos bem balanceados. Final de boca não muito longo, mas agradável. Ótimo para se tomar com uma carne assada.

Alfredo Roca Tempranillo Reserva de Familia safra 2009. Excelente tinto, violáceo em sua cor, média intensidade, nariz animal, estava reduzido logo que foi servido mas após alguns minutos abriu-se para revelar-se com um belo nariz, toques de couro e notas licorosas de complexidade. Na boca típico, taninos macios com um final de boca muito marcante. Incrível como os tempranillos argentinos estão se revelando belos vinhos.

Alfredo Roca Reserva de Família Malbec safra 2009. Que belo Malbec, roubou a atenção do grupo logo que foi servido, não adianta, mesmo que estejam aparecendo outras castas a Malbec não perde seu trono. Sua boca macia, aveludada, taninos domados, mas ainda sim sem se tornar pesada e insonsa. Este exemplar realmente se mostrou grande. Um belíssimo malbec de grande relação custo/qualidade.

Preciado 2001. Este vinho foi criado em homenagem a Alfredo Roca por seus filhos, em segredo. Um corte utilizando-se somente as melhores castas das melhores parcelas nas safras especiais. 2001, 2004 e 2006. O lançamento aconteceu em um evento em Buenos Aires onde Alfredo Roca ia ser homenageado e neste momento seus filhos trouxeram a garrafa para a cerimônia em surpresa. O resto é história.

AlejandroRoca e a estrela do dia...

Um corte 50% Malbec / 30% Syrah / 20% Cabernet Sauvignon. Apesar deste vinho já ter uma história linda e falar por si só, estava perfeito na taça, toques granadas de evolução, incríveis aromas de frutas vermelhas cozidas, geléias e licores. Na boca era pura complexidade, apesar de estar pronto para ser bebido ainda pode amadurer um bom tempo em garrafa. Incrível, sem dúvidas o “time freezing” do dia. Valeu a visita.

Terminamos a degustação no restaurante La Fusta com um dos melhores lomos, entrecotes e choriços da viagem, simplesmente perfeito, tudo acompanhado de um excelente Pinot Noir Reserva de Família safra 2006.

Que dia…

 
 

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A saga dos winefreaks – San Rafael parte 1

Seguindo nossa viagem chegamos ontem a noite na cidade de San Rafael, mais ou menos 240 Km ao sul de Mendoza, uma cidade extremamente pitoresca com ar de cidade praiana a 700 mts de altitude. Uma avenida principal, Av. Mitre,  corta a cidade de lado a lado recheada de bares a restaurantes com todos sentados nas mesas a rua. Por incrível que pareça é uma das poucas cidades Argentinas que visitamos que a gastronomia não gira em torno das carnes e assados, grande parte dos restaurantes oferecem massas, pizzas e principalmente tapas, mas nem por isso deixando a desejar.

Ficamos hospedados em um apart hotel boutique chamado Tierra Mora que apesar dos quartos estarem próximos a uma piscina bacana em nada lembram um boutique hotel, na verdade, perto de nossos hotéis desta categoria em Gramado e Canela faria muito feio. Para se dormir uma noite ou duas tranquilo, mas nada mais.

Falando um pouco de vinhos e vinhedos San Rafael oferece uma gama grande de possibilidades de visitas a Bodegas, são mais de 90 nesta regiao, desde bodegas pequenas e familiares produzindo vinhos de classe e a granel até grandes vinícolas com uma estrutura turística bem armada. Os vinhedos estão localizados a uma altitude média de 700 a 800 m, com uma variedade grande de cepas, Pinot Grigio, Tocai, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Chenin nas brancas e Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec, Bonarda, Sangiovese, Tempranillo, Syrah nas tintas, entre outras.

Nossa visita nesta região foi focada em uma bodega com um nome forte em San Rafael e que já conhecíamos os vinhos no Brasil, Alfredo Roca, contudo, não imaginávamos o que nos aguardava ao longo do dia.

A vinícola é comandada por seu presidente e enólogo (hoje aposentado desta função) Alfredo Roca e seu filho e duas filhas, Alejandro Roca, vice-presidente e enólogo ativo, Carolina e Graziela Roca que cuidam do setor administrativo e comercial. Alfredo Roca comprou uma propriedade de 100 anos e a transformou no que é hoje uma empresa sólida e que faz um trabalho muito respeitável. O prédio é construído com Adobe ( uma pedra da região) com paredes duplas de mais de 70 cm cada. Mesmo com uma temperatura externa de 35ºC naquele dia dentro estava muito fresco.

 

A Bodega possui dois vinhedos principais, La Perseverancia e Santa Hermínia, praticamente 100% de seus vinhos são de vinhedos próprios. Foi a primeira Bodega a se aventurar com a cepa Pinot Noir na região com resultados impressionantes. Algumas de suas vinhas que vimos nos vinhedos chegavam a ter 70 a 80 anos de idade, com algumas até mais velhas.

Enzo, Alejandro e Cristiano em um dos talhões da Finca.

Outro dado que fiquei muito surpreso, apenas 10 a 15% de seus vinhedos são enxertos, todo restante plantas pé franco. São em torno de 800.000 garrafas produzidas por ano sendo 60% de sua produção direcionada ao mercado externo ( O Brasil é seu principal mercado). A bodega trabalha com barricas de carvalho novas, sendo a grande parte carvalho americano e também com pilhetas de concreto revestidas de 18.000 litros cada com placas de resfriamento internas.

Fomos recepcionados pelo vice presidente Alejandro, um rapaz com seus 37 anos de idade que hoje toca a empresa lado a lado com seu pai. A simplicidade e simpatia de Alejandro nos deixou de queixo caido, apesar de seu cargo na empresa fez questão de nos acompanhar durante todo o percurso. Nos conduziu por uma passeio pela bodega, vinhedos, uma degustação fora do padrão usual e um almoço incrível. Recomendamos muito um passeio por esta Bodega aqueles que se aventurarem por estas bandas.

No Brasil os vinhos Alfredo Roca são trazidos pela importadora Casa Flora / Porto a Porto com praticamente toda sua linha.

Alejandro Roca e seu Preciado!!!

Em retribuição à acolhida convidamos a Familia Roca para uma visita à Região das Hortênsias e lhe entregamos um kit com informações sobre a cidade de Canela e seus principais atrativos.

Jonas e Enzo entregando kit de Canela à Alejandro Roca.

No próxima blog estaremos postando nossas impressões dos vinhos degustados hoje ao longo do dia.

Grande abraço

Winefreaks.

 
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Publicado por em 27 de janeiro de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Sem categoria

 

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A Saga dos Winefreaks Dia 1 – Parte 2

Ainda sobre o nosso primeiro dia de viagem, após chegar à Santa Fé, rapidamente fomos atrás de um belo bife para poder redimir a Argentina por alguns dos percalços do caminho que relatamos anteriormente. O local escolhido foi o restaurante Cabañas Recreo. Chegamos por volta das 11horas da noite (meia noite no horário brasileiro de verão) e fomos muito bem atendidos desde nossa chegada.

Los 5 amigos reunidos no Cabañas Recreo!!!

O jantar estava muito bom no quesito carnes (Chorizos, Assados de Tira suculentos e macios) e seus acompanhamentos (papas, huevos, etc), um pouco pobre nas saladas – mas julgo que às 11 horas é um pouco difícil cobrar algo melhor. O custo nos pareceu muito bom também…cerca de R$ 70,00 por pessoa, considerando que abrimos 3 garrafas de vinhos de boa qualidade (Colomé Torrontés 2010, Alto Las Hormigas Malbec 2010 e DV Catena Nicasia Malbec 2005). Desses, o primeiro e o segundo estavam muito bons e o último nos decepcionou novamente…o Catena está meio sujinho em nossos conceitos ultimamente… 

 

De cara e estômago cheios rumamos até o Holliday Inn Santa Fé que havíamos reservado durante a viagem via site www.hollidayinn.com . Nossa surpresa foi que os valores e configurações estavam totalmente diferentes (para mais é claro…). A justificativa do atendente foi que o sitio é internacional e o hotel de Santa Fé é independente e não podia se responsabilizar pelas tarifas e configurações trocadas. O resultado foi uma conta um pouco mais salgada que a inicial e a necessidade de uma mudança nas configurações de quartos (com um triplo e um duplo). O valor pago pelos dois quartos com café-da-manhã foi de aproximadamente R$ 500,00, ou seja, R$100,00 por cabeça.

Os preços ficaram um pouco acima do que queríamos, mas o quarto e o café tinham o bom padrão da rede internacional que esperávamos.

 

Olha os Winefreaks devidamente uniformizados!!!!!

 
No dia seguinte acordamos cedinho e partimos com destino a San Rafael, mas isso é assunto para o próximo post.

Acompanhem…

 
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Publicado por em 27 de janeiro de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Sem categoria

 

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