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Arquivo da categoria: Técnicas e conceitos

Uruguai – Dia 2 – Pizzorno: Uma bodega de família

Toda viagem Freak aguarda este momento, quando encontraremos o primeiro produtor de alma e coração, isto aconteceu no sábado pela manhã quando chegamos a Bodega Pizzorno. Ainda não tínhamos degustado estes vinhos e fizemos o contato diretamente pelo email da Vinícola. Quando chegamos, Carlos Pizzorno, um dos proprietários e enólogo já nos esperava na porta. Muito sorridente, marca dos uruguaios, nos recepcionou calorosamente e partimos diretamente para um passeio pela bodega.

Carlos Pizzorno esbanjando simpatia!!!

A Bodega Pizzorno está localizada na ruta 32, Km 23, próximo a Montevideo, seus vinhos são trazidos ao Brasil pela importadora Grand Cru. É uma vinícola relativamente pequena com uma produção anual em torno de 140.000 garrafas. Sua primeira safra aconteceu em 1999 e está na 3ª geração de produtores sob a tutela de Carlos Pizzorno. Vinificam uvas brancas e tintas, sendo das primeiras a Sauvignon Blanc e a Chardonnay e das tintas Tannat, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Cabernet Franc e Arinarnoa.

A bela vista da entrada da bodega Pizzorno.

Ao invés de irmos diretamente para a sala de degustação, Carlos e Marcelo – enólogo que nos acompanhou, nos conduziram por uma das experiências mais importantes que vejo em uma bodega, para a sala de barricas e inox para provar amostras de tanques. Isto é extremamente importante pois podemos avaliar o potencial de vinhos ainda em formação para depois comparar com os vinhos já engarrafados. Isto nos dá um panorama incrível do trabalho sendo feito em uma vinícola. Uma pena que muitas bodegas não tenham esta visão.

A pequena e funcional sala de barricas da Pizzorno, onde iniciamos nossos “trabalhos”com os vinhos que ainda estão sendo lapidados para o mercado.

Iniciamos com uma amostra de barrica de um Pinot Noir safra 2012. No momento estava com 6 meses de contato com o carvalho. Ainda em evolução, mostra bom potencial, como não poderia deixar de ser, os aromas e taninos do carvalho estavam marcados mas muito bem integrados. Não foi uma safra tão boa como a de 2011 mas pode surpreender.

O enólogo Marcelo sacando das barricas a primeiras amostras para os Freaks.

Passamos para uma amostra de barrica de um Arinarnoa safra 2011. Este já estava com 12 meses de carvalho de segundo uso, uma belíssima amostra, em minha opinião já estava pronto, opinião que Marcelo confirmou pois logo iriam engarrafar. Muito bom, nariz muito difuso pela presença da barrica mas na boca mostrava-se pleno, os taninos desta casta muito saborosos tudo em perfeito equilíbrio. Tenho curiosidade de ver este tinto depois de pronto.

Passamos para amostra de barrica nº 116 / 220. Um Tannat safra 2011 com 15 a 16 meses de carvalho novo. Neste caso barricas de carvalho húngaro. Muito complexo, as características duras da Tannat estavam bem domadas aqui, um tinto gordo e carnoso.

Amostra de barrica nº 115 / 220. As mesmas uvas Tannat que deram origem ao lote nº 116 foram utilizadas neste varietal, contudo ao invés de carvalho húngaro foi utilizado carvalho americano. Incrível como estavam diferentes, é impressionante notar a influência de diferentes carvalhos no mesmo vinho. Este tinto estava mais nervoso, com seus taninos mais marcados. Ao longo desta viagem algo que ficou marcado é que o carvalho americano casa melhor com a Tannat, as barricas francesas parecem ser muito elegantes para domar a Tannat.

Amostra de barrica nº 110 / 220. Um Tannat safra 2012 de outro vinhedo das amostras 115 e 116. Carvalho americano com 12 meses até o momento. Um tinto ainda em franca evolução, mais alguns meses de caravalho podem lhe fazer muito bem.

Passamos para a sala de degustação para iniciarmos com os vinhos prontos e no mercado:

Pizzorno Brut Nature. Espumante corte de Chardonnay e Pinot Noir com 24 meses de autólise, contato com as leveduras, um espumante amarelo esverdeado com toques mais marcados palha. No nariz aromas bem discretos e típicos da Chardonnay, maçã e abacaxi. Na boca achei o primeiro ataque um pouco grosseiro, faltou frescor e cremosidade. Bom volume de boca e final levemente amargo mas muito saboroso.

Don Próspero Sauvignon Blanc 2012. Já havíamos provado o Reserva da Pizzorno e ficamos muito impressionados com a qualidade daquele. Provamos aqui a linha de entrada. Visualmente perfeito, muito claro e esverdeado, no nariz notas cítricas, abacaxi ainda verde, maracujá. Na boca acidez bem controlada, não é um branco muito potente mas sem defeitos com aquela crocância gostosa da Sauvignon.

Don Próspero Tannat Beaujolais 2012. Aqui uma proposta completamente diferente, vinificaram a Tannat ao estilo dos Beaujolais através de uma maceração carbônica. Tenho de confessar que fiquei impressionado com o resultado final, um tannat leve, frutado, para ser bebido um pouco mais gelado, se a moda pega…

Don Próspero Tannat + Malbec 2011. Neste corte o Tannat não passa pelo carvalho, o Malbec passa 6 meses por carvalho francês e americano. Um tinto fácil, estilo mais comercial, notas de chocolate, cacau. Na boca é incrível como a Malbec amaciou o Tannat deixando um vinho muito mais aveludado. Confesso que de olhos fechados diria que estava mais próximo a Argentina pelo estilo.

Pizzorno Tannat Reserva 2010. 12 meses de barricas francesas, americana e húngara. Parcelas afinadas separadamente nas barricas e depois cortadas. Em minha opinião um dos melhores Tannat da viagem. Visualmente fechado, negro, no nariz o chocolate e o café saltam com força. Na boca incrível, grande volume  e corpo, taninos muito saborosos, apesar de estar muito redondo não perdeu aquela força e rusticidade tão esperadas da Tannat. Vale a pena conhecer este.

Pizzorno Tinto Blend 2010. Um corte de 60% Tannat (12 meses de carvalho americano + húngaro) 30% Cabernet Sauvignon + 10% Merlot (12 meses barricas francesas). Após o corte final afina por mais 6 meses em barricas francesas. Faço a mesma alusão ao Tannat anterior, grande tinto, muito bem elaborado, perfeita sinergia neste corte, boca muito rica e volumosa, muito gastronômico.

Primus 1 safra 2006. O Top da vinícola, um corte de 50% Tannat + 25% Cabernet Sauvignon + 20% Merlot + 5% Petit Verdot. 24 meses de afinamento em barricas novas francesas. Potência é o sobrenome deste vinho, num primeiro momento ainda fechado no nariz, não foi decantado e segundo o próprio Carlos foi um erro, disse que teriam de ter aberto este vinho pelo menos umas 2 horas antes no Decanter. De qualquer forma um grande tinto, musculoso, denso, a Tannat se expressando aqui de forma gigantesca, gostei bastante.

Nossos agradecimentos especiais a Carlos e Marcelo pela incrível recepção que tivemos, sem sombra de dúvidas esta bodega entrou na lista de lugares a serem visitados na próxima ida ao Uruguai.

Os belos exemplares dos “Pizzornos” enfileirados após a degustação…que maravilha!!!

Abraço e até nosso próximo post.

 
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Publicado por em 11 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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Primeiro dia de visitas em Montevideo parte 2.

Após uma sessão de degustação na Bodega Carrau tínhamos uma visita um pouco diferente agendada. Na tentativa de agendar uma visita a Narbonna, um novo empreendimento criado no Uruguai com o intuito de produzir vinhos boutique de altíssima gama, fomos contatados por sua responsável pelas exportações, Fabiana Bracco, para degustarmos toda a linha de vinhos na loja Vinos del Mundo no bairro de Pocitos em Montevideo.

A Bodega Narbona tem sua sede principal e vinhedos em Puerto Carmelo, região oeste do Uruguai, mas também possui uma sede e vinhedos em Punta del Leste. Composto de um belo empreendimento turístico, o projeto vitivinícola recebe assessoria de Michel Rolland para seu vinhos. Passamos rapidamente pela sede em Punta del Leste e é impressionante, uma finca afastada do centro turístico, linda, com espaço para almoço, degustação de vinhos ou simplesmente jogar-se nas almofadas para curtir um final de tarde curtindo alguns queijos produzidos pela própria Narbona. Não deixem de degustar o Parmesão Narbona.

Como não tínhamos tempo hábil nesta visita para ir quase até Colônia de Sacramento fomos convidados para conhecer os vinhos em Montevideo.

Fomos muito bem recebidos por Fabianna e também por Soledade e Marcelo que conduziram uma degustação conosco de forma exemplar. Sorte que tivemos esta oportunidade pois em minha opinião provamos vinhos que em breve estarão entre os melhores do Uruguai.

Vamos inovar nesse post colocando não só as minhas impressões, mas também as do Enzo, que podem ser conflitantes, complementares ou dissonantes…esperamos que aproveitem:

Narbona Sauvignon Blanc 2012.

Cris: Um Sauvignon muito fresco e jovial, no visual aquele clássico amarelo prateado muito transparente, Nos aromas discreto, apresentando toques herbáceos, ervas frescas e um final tropical. Na boca não esperem um Sauvignon explosivo, cítrico e ácido, mas sim elegância, discrição, mais ao estilo de um bom Sancerre. Gostei muito, vale a pena conhecer.

Enzo: Um vinho quase transparente, de amarelo pálido, no nariz é bastante discreto, com um leve toque de frutas e ervas, na boca um fundo cítrico discreto, com uma ligeira mineralidade. Belo vinho para um domingo ensolarado.

Narbona Tannat Rose 2011.

Cris: Passamos para o que foi em minha opinião o melhor rosado uruguaio que degustamos até o momento. Particularmente tenho medo de rosados da uva Tannat, pelo excesso de cor e estrutura que pode passar ao vinho, prefiro os roses mais claros e frescos, contudo o ponto que chegaram a este foi incrível. Verdade que na cor se apresenta mais escuro, quase carmin, mas quando vem ao nariz percebemos o vinho que temos na taça, toques de frutas vermelhas, morangos, cassis, muito intenso e agradável. Na boca é incrível, aquela sensação que seu peso pode ser demasiado mas chegando no limite da força e ficando por aí, entrando então em cena sua veia ácida com grande equilíbrio. Um rose carnoso, saboroso, com grande permanência. Indico muito. Minha única ressalva é seu preço, pelo que calculamos pode chegar a ser vendido no Brasil a quase R$ 120.

Enzo: O Cristiano havia me falado muito bem do vinho, mas minha primeira impressão, pela cor, foi de que havia muita extração naquele caldo e que teríamos mais um daqueles rosés exagerados do Mercosul, mas, começando pelos belos aromas de cassis e frutas vermelhas frescas percebi que havia elegância nessa garrafa. Depois de um gole generoso me deparei com aquele azedinho-doce do morango, seguido de uma bela refrescância promovida pela bela acidez do vinho. A persistência ficou muito acima das minhas expectativas. Comprei uma botella e comprarei mais mesmo com o preço salgado.

Narbona Pinot Noir safra 2011.

Cris: Seguindo a tendência de belíssimos Pinots uruguaios este seguiu no mesmo caminho. Na cor, uma característica que defendo muito, a tipicidade, estava perfeito, coloração vermelho granada de média intensidade. No nariz um pouco fechado, sua breve passagem pelo carvalho aporta aromas de geléia de frutos vermelhos e aromas florais de rosas. Na boca os taninos do carvalho se notam brevemente mas sem exageros, boa fruta e acidez, muito saboroso. Um Pinot que necessita um pouco mais de trabalho mas acho que vai surpreender muito.

Enzo: Começou me agradando pela cor escarlate leve, tipica de um pinot noir do velho mundo. No nariz leve presença de groselha e um tiquinho de baunilha. Na boca reforça o toque das frutas ligada a uma bela acidez e persistência muito interessante. Um bom vinho, honesto, mas nada de incrível na minha opinião.

Narbonna Tannat Roble 2010.

Cris: Belíssimo Tannat, muito bem elaborado, um tinto de pegada, muito escuro e velado, no nariz aromas animais, couro, café, especiarias, ótima intensidade e permanência. Na boca lindo, duro, rústico, mas no ponto, taninos e acidez presentes mas muito bem balanceadas, mostrando um vinho com grande potencial de guarda. Este com certeza vai ser uma grande surpresa quando vier ao mercado.

Enzo: Tingido de escarlate, copo sujo pelo espesso caldo violáceo de aromas de chocolate amargo, pimenta e outras especiarias no primeiro ataque. Nova tentativa minutos depois e alguns tons de frutas muito maduras também aparecem pra compor esse mosaico. Na boca um nervosismo não totalmente domado que me encanta justamente por isso…um pitbull de coleira!!! Bela persistência e a acidez que já se mostra como uma assinatura da Narbona.

Narbonna Tannat Luz de Luna 2011.

Cris: Impressionante, imaginem o Tannat Roble mas mais elegante, menos potente e musculoso, um Tannat um pouco mais feminino, contudo sem perder aquela dureza tão esperara desta cepa. Sua utilização do carvalho foi um pouco menor que o Roble, o que particularmente gostei bastante.  Um tannat muito gastronômico para acompanhar um belo entrecot jugoso.

Enzo: Como disse o Lee, é o Godzilla engarrafado!!!!Muita cor…ainda uma criança na garrafa. No nariz um tom de fumo de corda e belas frutas negras em compota…taninos impressionantemente indomados com a classe que se pode esperar de um tannat de alta gama… precisa de algo muito especial para aguentar o repuxo em uma harmonização. Muito corpo, bela acidez e persistência impressionante. O vinho da noite!

Falando em comida, após a degustação tivemos a indicação de Fabiana para jantar em um restaurante próximo a loja chamado Francis, havíamos recebido esta mesma indicação de um cliente. Mas isto é assunto para o próximo post.

 
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Publicado por em 10 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Técnicas e conceitos

 

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Os Winefreaks no Uruguai – Primeira visita: Bodega Juan Carrau

Nossa primeira visita agendada foi à Bodega Carrau, distando cerca de 15 Km do centro de Montevidéu, ou seja, pertinho do nosso hotel. A Carrau é a vinícola mais antiga do Uruguai, e já está na 10ª geração de bodegueiros.Durante toda a visita fomos ciceroneados por Margarida, umas das proprietárias da Bodega. Com certeza uma das características de maior valor da Carrau é sua história. Conservam um documento precioso de 1752 onde Don Francisco Carrau Vehils compra a primeira vinha da família em Cataluña. E, 6 de fereveiro de 1783 o cartório confirma a veracidade que o vinhedo está em Vilasar de Mar, hoje incorporada ao corpo de Barcelona.

Em 1840, Juan Carrau Ferrés se dedica ao negócio do vinho e também aos livros de sua vinícola qu estão cuidadosamente guardados por seus herdeiros atuais. Seu neto Juan Carrau Sust se graduou em enologia em Villa Franca de Penades e transfere a família ao Uruguai. Juan Carrau chega com sua esposa Catalina Pujol e cinco filhos, entre estes Juan Francisco Carrau Pujol. Carrau Sust funda a bodega Santa Rosa que se desenvolve principalmente entre os anos 1930 e 1940. Juan Carrau tem 8 filhos entre eles, Javier e Francisco que hoje dirigem a bodegas Carrau.

Quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre a bela história da Bodega vale um passeio pelo website http://www.bodegascarrau.com , muito completo.

Documento centenário cita a aquisição das vinhas na Catalunha – Espanha no idos de 1752.

Hoje a Carrau possui dois empreendimentos, a Bodega Colón na região de Las Violetas em Canelones e um novo empreendimento em Cerro Chapéu, próximo a Rivera, onde construíram uma nova Bodega muito bem estruturada. Conversando com vários outros vinhateiros no Uruguai, muitos estão concordando que esta região está se destacando com uvas de excelente qualidade.

Vista parcial de um dos prédios da Bodega Carrau.

A capacidade de produção da Carrau está hoje em 1.200.000 litros ano, sendo 800.000 em Canelones e 400.000 em Cerro Chapéu. Após uma breve passeio pelas instalações da Bodega partimos para a degustação guiada com Margarida, vamos ver um pouco dos vinhos degustados.

Notas de degustação de Cristiano Ribeiro:

1º – Juan Carrau Sauvignon Blanc 2012 – Linha varietal. Vinho branco da linha de entrada, muitíssimo interessante, na verdade tivemos surpresas muito boas com esta cepa no Uruguai. Este da Carrau, muito esverdeado visualmente, tem aromas muito intensos de flores brancas, frutas tropicais e goiaba, tão aromático que num primeiro momento quase remete a um Torrontes riojano ou um Moscato. Na boca muito fresco e vivo, as notas de goiabas saltam com força aqui. Um branco leve para se tomar num dia de calor sem grandes compromissos. Trouxemos umas garrafas. Ainda mais que custa R$ 15 na Bodega.

2º – 1752 Branco safra 2010 – Corte de 90% Petit Manseng  e 10% Sauvignon Gris, a proposta da Carrau era criar um branco de uma linha super premium, passou 10 meses em barricas de carvalho frances novo, 100% do vinho. No visual amarelo palha mais marcado, no nariz salta frutas secas, especialmente damasco e figos. Também nota-se a passagem pela madeira através de algumas notas de baunilha fresca. Na boca primeiro ataque vigoroso, rico, um branco gordo, longo, apresentando um final de boca levemente tânico com bom amargor. É um branco interessante, contudo senti falta de uma veia ácida falando mais alto e não estou seguro que valha os R$ 70 cobrados na Bodega.

3º – SUST Vintage 2008 / Brut Nature. Um espumante vinifcado pelo método tradicional, corte de 50% Chardonnay e 50% Pinot Noir, fiquei impressionado com a qualidade deste espumante, no nariz aromas muito complexos, casca de pão, fermento, fruto branco muito maduro, confirma estas características na boca com um ataque vigoroso mas muito equilibrado, tem aquele toque levemente oxidado dos bons Champagnes. Não é um espumante para todos mas para os amantes da bebida com esta personalidade vale a pena conhecer.

4º Carrau Reserva Pinot Noir 2011. Outra cepa que está nos chamando muito a atenção no Uruguai não decepcionou na Carrau, muito típico visualmente com aquele tão esperado vermelho granada, no nariz notas de cerejas frescas, marmelada, leve toque fummé. Na boca saboroso, boa acidez, fruta muito marcada lembrando um Pinot mais ao estilo Velho Mundo. Também pegamos umas garrafinhas para trazê-la ao Brasil.

5º Carrau Tannat Reserva 2004. Um tinto com 12 meses de carvalho frances e mais 12 meses de garrafa. Tivemos aqui um pouco de sorte pois Margarida tinha uma garrafa aberta de uma degustação que haviam feito no dia anterior então pudemos provar um Tannat com mais anos de garrafa e que não está mais disponível no mercado. Na verdade é muito interessante ver como um bom tempo de garrafa beneficia esta variedade, pelo fato ser muito tânica e dura, este afinamento acaba por produzir um vinho mais manso e domado. Este tinto estava no seu momento.

6º 1752 Tinto Gran Tradicion safra 2009. Corte de Tannat / Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, com quase 14% de álcool. Este é um tinto mais ao estilo Velho Mundo, com seus taninos e acidez mais marcantes, nariz estava discreto mas mostrando um bom potencial de envelhecimento, alguns anos mais de garrafa com certeza lhe vão trazer grande benefício.

7º Ysern Cabernet + Cabernet safra 2004. Este tinto foi feito com uvas Cabernets provenientes de dois vinhedos distintos, parte delas vindo de Cerro Chapéu, norte do estado e parte delas vindo de Las Violettas, Canelones. Este vinho é uma prova que o Uruguai não respira somente Tannat, um belíssimo Cabernet com aromas clássicos mentolados, chocolate e leve pimentão. Na boca um grande ataque, taninos presentes e duros mas ainda balanceados, elegante, no fim de boca mostra um certo amargor mas muito saboroso. Pode ser bebido agora ou guardado por mais um par de anos. Pena que este não esteja disponível no Brasil.

AMAT 2007. Este é o vinho mais emblemático de Carrau, com uvas provenientes de Cerro Chapéu, somente das melhores parcelas, passa por 20 meses de afinamento em barricas de carvalho frances e americano, 50% cada, e mais um ano de garrafa antes de vir ao mercado. Realmente é um belo exemplas da Tannat, visualmente negro, muito velado, no nariz muito grande, notas licorosas, café tostado, chocolate, algo de especiarias. Na boca confirma esta sensação, um vinho gordo, volumoso, taninos domados, acidez bem balanceada, um tinto para se deixar na adega afinando por mais alguns anos.

Deixamos nossos agradecimentos a Bodega Carrau onde nos receberam muito bem, uma única ressalva a ser observada em visitas futuras é o cuidado a cobrança de R$ 50 por pessoa pela degustação, este valor deveria ser avisado com antecedência pois não havia sido nos passado em nenhum momento e tão pouco era avisado no website, a cobrança feita no final do encontro, mesmo depois de termos comprados várias garrafas foi no mínimo indelicado.

Mesmo com algumas surpresas indesejadas, os freaks saíram felizes ao final da degustação!!!

 
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Publicado por em 5 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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Uma viagem a Grécia.

Esta semana em nosso encontro freak resolvemos degustar vinhos de um país que tem grande tradição vinícola mas que não vem sendo muito conhecido pelos tomadores de vinhos, a Grécia. Conhecida por utilizar castas autóctones a Grécia por muito tempo não tinha muito crédito no mundo vitivinícola por produzir vinhos com características de oxidados ou maderizados. Um vinho também conhecido por retsina, normalmente branco, onde adicionava-se a resina do pinus durante a fermentação acabou por desprestigiar muito aquela região. Graça ao deuses gregos as coisas começaram a mudar e surgiram novos produtores fazendo vinhos de qualidade impressionante, especialmente os brancos e licorosos.

Apenas a título de informação a Grécia também possui um sistema de apelação de origem com a França, o topo da cadeia são os vinhos com a denominação OPEs que equivale a AC (Appellation Controllé). São 8 na Grécia e todos de vinhos fortificados. Logo abaixo vem as OPAP’s, que equivalem as VDQS ( Vin de Qualité Superior) e são 25 na Grécia.

Iniciamos nossa degustação com dois vinhos brancos, depois passamos para três tintos e por fim um licoroso. Vamos aos vinhos.

Domaine Sigalas – Assyrtiko 2010 – Santorini (Branco) 14,2% álcool.

Este é considerado um dos melhores produtores da Grécia no que diz respeito a vinhos brancos. Este vinho que vamos degustar arrancou nesta safra nada menos do que 91 pontos na WS e 92 pontos na WE, figurando na lista dos TOP 100 nos EUA. Diz-se que é um vinho branco que pode envelhecer quase 10 anos com maestria

Meus amigos, que início de noite, que grande vinho, visual amarelo com toques dourados marcantes, no nariz uma biblioteca, toques de hortelã, ervas frescas, logo aparecem notas de frutas brancas, mineral, mel. Muito intenso. Na boca rouba a cena, grande equilíbrio, inicia fresco, com grande acidez e amargor muito agradável, logo vem seu peso álcoolico, com muita untuosidade, final de boca muito longo, e muitíssimo gastronômico. Como um apaixonado pelos vinhos brancos para mim a noite já estava ganha, um vinho que deve ser degustado. É importado pela Decanter.

Thalassitis Assyrtiko OPAP 2010 Santorini (Branco) 

 THALASSITIS é produzido a partir de Santorini, variedade de uva branca indígena, Assyrtiko. Talvez é a única variedade no Mediterrâneo que consegue combinar a plena maturidade de uvas com acidez consideravelmente elevada, apesar das condições climáticas específicas da Ilha. Este fato é um fator essencial para a realização de balanço de sabor em vinhos brancos secos.

Muito similar com o Sigalas degustado anteriormente, na coloração um pouco menos intenso, amarelo esverdeado, no nariz menos aromático, com toques de ervas. Na boca duro, com amargor já característico, grande acidez e mineralidade, final de boca muito longo e gastronômico. Um belo branco mais ainda ficamos todos com o Sigalas pelo balanço peso / acidez. Importado por Mistral

Agiorgitiko by Gaía 2009 – Nemea PDO (Tinto) 

Começamos nossa sequencia de tintos, Interessante, uma casta diferente, no nariz toques de frutas vermelhas,  geléia, toques de carvalho perceptíveis, bem elaborado, sem arestas, no boca bom volume, álcool equilibrado, taninos marcantes mas domados, fáceis, final de boca longo, lembra um pouco alguns pinots do novo mundo. No visual rubi de pouca intensidade. Gostamos do vinho, a impressão é de um vinho mais moderno feito para um mercado mais padronizado. Importado por Mistral.

Gaía Estate OPAP Neméa 2005 – Nemea (Tinto)

ESTATE GAIA é produzido a partir de uvas cultivadas em vinhas de 7ha em Koutsi aldeia de Neméia, a uma altitude de 550m. O vinho amadurece durante pelo menos 12 meses em novos barricas francesas (225lt) e é engarrafado sem tratamento prévio, tais como a refrigeração ou filtração, a fim de preservar o melhor de todos os seus elementos essenciais.

Entramos num vinho com mais maturidade, vermelho rubi com toques granadas, no nariz toques licorosos, levemente oxidados, frutas negras cozidas, elegante, na boca primeiro ataque vigoroso, maduro, confirma nariz, taninos macios e final de boca muitíssimo elegante, um grande vinho, estilo Bordeaux envelhecido. Importado por Mistral.

Avaton 2004 – Gerovassiliou – Epanomi (Tinto) 

Uma mistura deliciosa de três uvas gregas indígenas: Limnio, Mavroudi e Mavrotragano. Limnio, mencionada pelo filósofo Aristóteles como “Limnia ampelos” (vinha das Limnos, ilha grega), é a mais antiga casta grega atestada.

Totalmente fermentado em tanques de carvalho, onde segue a fermentação maloláctica, o vinho é envelhecido até 18 meses em barricas novas de carvalho francês.

Para o grupo foi o tinto da noite, vermelho violáceo muito intenso, no nariz aromas de ameixas negras passas, couro, toques animais. Na boca um vinho maduro, rico, muito intenso, seus anos de garrafas mostram-se com grandeza, taninos macios. Final de boca longo e muito agradável. Um daqueles vinhos para se harmonizar com um belo prato ou ser degustado sozinho. Importado por Mistral.

Anatolikos OPAP Neméa 2000 (Licoroso Tinto) 

ANATOLIKOS, que significa “vindo do Oriente”, é produzido por cachos cuidadosamente selecionados de uvas Agiorgitiko das encostas da Koutsi em Neméia, que são deixadas para secar lentamente sob o sol ameno do outono grego. Após 3 a 4 semanas, recolhem-se as uvas semi-secas e são pressionadas até a última gota, quando são extraídas, resultando em uma pequena quantidade de mosto aromático e altamente concentrado. Então, uma fermentação lenta leva ao nascimento deste vinho doce.

Nada como um vinho de meditação, cor granada, aromas incríveis de licor de ervas, cassis, geleias de amora, na boca o tempo para, grande doçura mais incrivelmente balanceada com sua acidez, um caldo para se tomar sozinho ou casado com um grande chocolate amargo 70% ou um habano de grande classe. Para mim junto com o primeiro branco foram as duas revelações da noite. Com certeza quero estas duas garrafas em minha adega particular.

No geral achamos que os vinhos brancos foram sublimes junto com o licoroso. Os vinhos tintos foram bons na média mas um pouco caros. Importado por Mistral.

 

 

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Um passeio pela África do Sul

Um passeio pela África do Sul

Esta semana em nosso encontro Freak organizamos uma degustação com vinhos da África do Sul, todos tínhamos uma boa expectativa não só por alguns vinhos que já conhecíamos mas principalmente pela seleção que havíamos feito. Bem, nossas expectativas foram superadas. Ficamos impressionados com a qualidade geral dos vinhos. Podemos ver com clareza como este país esta se destacando pela qualidade de seus vinhos brancos e tintos e não somente pela tão falada Pinotage. Vamos ver um pouco dos rótulos degustados nesta noite especial.

Glen Carlou Chardonnay 2010

Amarelo palha levemente dourado e marcado. Este chardonnay teve 10 meses de estágio em barricas, contudo, apenas 30% novas, o restante barricas de segundo e terceiro uso. Apesar de ser o vinho de entrada na linha dos brancos, apresenta uma estrutura de boca interessante.

No nariz aromas minerais com toques de côco e frutas brancas. Média intensidade.

Na boca acidez presente mas pendendo mais para seu lado macio, amplo, final de boca com bom amargor, quase um breve tanino, talvez pelo carvalho. Importado por Decanter

Glen Carlou Quartz Chardonnay 2010 – Single Vineyard

Este vinho vem de vinhedos únicos (single vineyard) provenientes de solos com fragmentos de quartzo. Passa por um afinamento de 11 meses em barricas de carvalho francês novas. De coloração amarelo palha com reflexos dourados mais intensos, no nariz muito elegante e complexo, toques de pederneira, côco branco, geléia de laranja, notas defumadas, boa intensidade.

Na boca grande, primeiro ataque muito amplo, acidez incrivelmente balanceada com seu peso, Final de boca marcante, longo, duro e amargo mas muitíssimo agradável. Seu estágio em carvalho não influenciou de forma negativa, pelo contrário, apenas engrandeceu a obra.

Vale a diferença de preço em relação ao Glen Carloy Chardonnay de entrada. Importado por Decanter

Hamilton Russel Pinot Noir HVR 2009 – 13,5%

Este era um dos vinhos grande expectativa da noite, tínhamos ótimas referencias e, como qualquer grande Pinot, gerou muita controvérsia no grupo, alguns adoraram, outros nem tanto. Um tinto de coloração vermelho Rubi de media intensidade, primeiro momento aromas animais no nariz, carne crua, um pouco desagradável,  após alguma aeração abre-se e vem a tona suas notas típicas, frutas vermelhas, amoras frescas, muito sutil e elegante. Na boca um típico Pinot da Borgonha, frutas e acidez muito marcadas, feminino, final de boca muito agradável. Belíssimo vinho. Importado pela Mistral

Porcupine Ridge Syrah Boekenhoutskloof South Africa 2010

Como sempre acontece, elegemos um custo / benefício da noite, não é necessariamente o melhor, mas aquele que todos comprariam pelo seu preço e qualidade, e neste caso foi este Syrah. Vermelho rubi intenso, lindo, nariz com boa pegada, toques de especiarias, cravo, pimenta preta, mentolado, na boca um vinho franco, levemente metálico, taninos presentes mas domados, não muito amplo mas agradabilíssimo. Um Syrah a ser conhecido e degustado. Mistral

 

Kanonkop Pinotage 2009 14%

Ficamos realmente impressionados com esta linha da Kanonkop, incrível a consistência e qualidade de todos os vinhos que degustamos. Alguns conhecedores costumam comparar esta vinícola a alguns Grand Crus tamanha qualidade de seus produtos.

Este Pinotage apresentou cores vermelho rubi intenso, velado, nariz muito intenso, frutas negras cozidas, toques licorosos, aromas levemente mentolados e maduros,

Na boca belíssimo, maduro, muito amplo, elegante, parece um vinho com mais idade do que tem, final de boca muito agradável, um vinho para ser tomado com um prato ou solo. Belíssimo. Mistral

Kanonkop Paul Sauer 2008 –  Cabernet sauvignon 69% / Cabernet Franc 22% / Merlot 9%. 13,5%.

Este corte bordalês impressionou o grupo, eue vinho, que conjunto. No nariz aromas de cogumelos secos, couro, especiarias, especialmente cravo, muito maduro, na boca uma sinfonia de sabores e percepções, grande, volumoso, acidez em perfeito equilíbrio. Volume de boca e corpo, final de boca muito longo.Maravilha. Mistral

Boekenhotskloof Syrah 2009

Bem, da mesma forma que sempre temos o custo / benefício da noite também temos  a revelação, e foi para este Syrah. Um vinho carnoso, grande, amplo, seu nariz estava maravilhoso mas sua boca foi o “time freazzing da noite, incrível, inicia discreto, elegante, e cresce, muito amplo, maravilhoso, final de boca marcante. Um vinho gastronômico, o pernil de porco que nos aguardava começou a chamar. Para quem gosta de um bom e potente syrah não pode deixar de conhecer este caldo. Mistral

 

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Noite americana. Um encontro a ser lembrado!

Semana passada tivemos nosso último encontro dos winefreaks e o tema escolhido da noite foi os EUA. Não seguimos um critério específico de degustação, como castas, regiões ou produtores. Fizemos uma seleção de rótulos baseados em indicações e catálogos de parceiros. A idéia era degustar bons vinhos de diferentes produtores, pelo menos 3.

Fizemos uma seleção de três produtores, onde na verdade, um deles, Hess, possui três projetos diferentes, desta forma totalizando 5 diferentes projetos. Não sei se por fama ( as vezes falsa…), vinhos degustados anteriormente ou outra razão qualquer,  estávamos esperando uma degustação de bombas alcoólicas e chás de carvalho, mesmo sabendo que poderíamos encontrar grandes vinhos tínhamos este receio de ter uma noite pesada pela frente, mas, felizmente, não foi o que aconteceu, na verdade provamos vinhos de uma complexidade incrível.

O encontro aconteceu no restaurante Bergamota, no Ecoparque Sperry, com o chef Guilherme Sperry comandando o menu, como sempre os pratos foram memoráveis.

Vamos falar um pouco dos vinhos degustados neste encontro memorável.

Painter Bridge Chardonnay safra 2008. Produtor J. Lohr. Monterey / Califórnia. 13% álcool. Importado por Decanter

Iniciamos com este branco muito interessante, apesar de ser classificado como Chardonnay o produtor cortou 8% de Moscato Canalli, uma casta aromática que trouxe um frescor muito agradável ao vinho. Amarelo-palha, límpido, ainda guardando toques esverdeados apesar dos anos de garrafa. No nariz vivo, aromas de ervas verdes, toques cítricos e por final notas florais e de frutas cítricas. Não muito intenso.

Na boca primeiro ataque com boa acidez, já mostrando sinais de cansaço pelos 4 anos de garrafa mas ainda confirmando o nariz com boas notas cítricas. Final de boca agradável não muito longo. Nas safras mais novas deve-se mostra muito interessante. Pelo custo vale a degustação sem sombra de dúvidas.

Ironstone Cabernet Franc 2010. Kautz Familiy – Lodi Appellation / 13,5%. Importado por Casa Flora / Porto a Porto

Apesar de os vinhos Ironstone da Família Kautz não serem muito conhecidos em nosso mercado estão entre os 10 maiores produtores dos EUA e entre os mais conhecidos. Seus vinhos estão em praticamente 50 estados americanos. Nesta degustação escolhemos três rótulos seus.

Este Cabernet Franc é interessantíssimo, para aqueles que gostam desta casta. Já na cor mostra uma identidade incrível com suas cores violáceas marcantes, no nariz notas herbáceas, não pimentão verde tão normal em muitos Francs, mas grama cortada e ervas colhidas. Também os aromas de frutas negras, amoras e mirtillos aparecem de forma bem marcante.

Na boca a  assinatura da franc brilha, incrível taninos verdosos com uma acidez típica bem marcada, não é um vinho para todos, mas aqueles fãs de frescor, vivacidade, vinhos gastronômicos devem conhecer este Cabernet Franc. Apresentou também toques de especiarias, tabaco. Final de boca curto mas muito agradável. Foi um dos tintos que causou mais controvérsia no grupo, mas os melhores vinhos não são assim¿ Outro custo / qualidade  a ser conhecido.

 

Marimar Estate 2003 – Don Miguel Vineyard Pinot Noir – Russian River Valley. Torres Family Vineyards. Importado por distribuidora brasileira de vinhos – Rj

Uma surpresa de nosso confrade H Lee, chegou com a garrafa embrulhada em alumínio e pediu que degustássemos as cegas. Num primeiro momento, ainda frio demais, tivemos uma certa dificuldade, mas após alguns minutos aerando na taça seus aromas fummés e de frutas vermelhas não enganavam mais, só poderia ser um lindo PInot Noir. E que Pinot interessante, apesar de seus quase 10 anos de garrafa ainda sem mostrava vivo e brilhante. É verdade que na boca se  mostrou um pouco cansado mas uma belíssima surpresa. Gostaria de conhecer este vinho alguns anos mais jovem.

Sequana Sarmento Vineyard Pinot Noir 2008 – Santa Lucia Highlands – 14,7% álcool. Importado pela Decanter.

Uauuuuuuu, Time freeaze!! O que foi isto¿ Que Pinot descobrimos aqui¿  que maravilha, um Titão em corpo de sereia. Nariz maravilhoso, toques de cogumelos frescos, frutas vermelhas levemente cozidas, groselha, guaraná em pó. Segundo momento notas minerais entram em cena. Na boca roubou a cena, grande primeiro ataque, acidez crocante, seu álcool que num primeiro momento parecia que iria roubar a cena cria um balanço incrível, tornando este tinto ao mesmo tempo potente mas com  grande elegância.

Indo um pouco além, descobrimos que o vinhedo de Santa Lucia está localizado sobre um solo de origem aluvial, proveniente de uma antiga bancada de origem marítima. O responsável por esta obra de arte é o enólogo James MacPhail que já atua no projeto do produtor Hess, da Hess Family Estates.

Neste Pinot em especial James trabalha com leveduras selvagens em tanques abertos com o sistema de “pigeage” ao estilo dos Borgonhas. Esta safra que degustamos, 2008, ganhou nada menos do que 93 pontos na American Pinot Report e 91 pontos na Wine Enthusiast.

Realmete para quem gosta de um bom Pinot e está disposto a investir um pouco mais vale a pena conhecer este caldo.

Artezin Zinfandel – Mendocino County 2009 – 14,5% álcool. Importado por Decanter.

Não é fácil encontrar grandes vinhos da casta Zinfandel, ou são caros ou não chegam a impressionar, este tinto vem de um projeto pessoal do enólogo Randle Johnson, que também atua na Hess Familiy. Na verdade este vinho é um corte de Zinfandel, Petit Syrah e Carignan.

No nariz estava belíssimo, uma biblioteca de aromas, inciou com notas de ervas frescas, alecrim fresco, toques de pimenta-preta moída na hora. Segundo momento abre-se aromas de castanhas e nozes cozidas, nota-se a passagem por carvalho mas muito bem integrado.

Sua boca ficou um pouco atrás do nariz, taninos ainda nervosos, necessitam um pouco mais de garrafa para serem domados. Um belo corpo, grande volume de boca com um final de média persistência. Um ótimo Zinfandel, mas não chegou a para o trânsito.

Hess Collection Cabernet Sauvignon  2006 – Mount Veeder – Napa Valley – 14,4% álcool. Estate Grown – Importado por Decanter

Bem, como não poderia deixar de acontecer, chegamos ao primeiro tinto ao estilo Parker. Algumas palavras podem descrever este vinho. Potência, estrutura, carvalho ao máximo. Como todo vinho com esta característica não podemos dizer que não impressiona num primeiro momento, na boca tem um corpo muito potente com seu álcool roubando um pouco a cena sobre a acidez. Mas muito macio e aconchegante. Acho que pela linha de vinhos que vínhamos degustando acabou destoando um pouco.

Ironstone Reserve Old Vine Zinfandel 2008 – Lodi Appellation – Califórnia – 15% álcool. Importado por Casa Flora / Porto a Porto.

Bem, falando em grandes vinhos Zinfandel, acabei tendo de me curvar para este, impressionante a elegância deste tinto, para mim, na boca, foi o vinho que roubou a cena da noite.

No nariz iniciou levemente discreto, com notas evoluídas de couro, terra, cassis, muito elegante, na boca é onde mostra-se com exuberância, primeiro ataque fácil, discreto, mas logo sua acidez entra em cena mostrando uma vivacidade impressionante, em seguida seus taninos aparecem, domados, macios, no ponto para pedir um segundo gole. E a permanência¿ Incrível, simplesmente não ia embora, podia sentir o retrogosto quase 5 minutos depois de engoli-lo. Este é um daqueles vinhos que quero ter sempre alguns exemplares em casa. Graças a deus foi a opinião de quase todo o grupo.

Ironstone Reserve 2006 Meritage – Sierra Foothills – 14,5% álcool. Importado por Casa Flora / Porto a Porto.

Fechamos a casa com chave de ouro. Para um vinho americano ser chamado de Meritage deve, primeiro, apresentar um corte ao estilo Bordalês, Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc e, em segundo lugar, ser o TOP da casa. Sem sombra de duvidas este é o TOP da Kautz Familly.

Na análise olfativa aromas mentolados, cacau, manteiga cozida e côco queimado, muito franco, sem arestas e com grande potência. Na boca sem dúvidas um tinto fora da expectativa, inicia discreto mas abre-se de forma espetacular. Seu carvalho perfeitamente integrado com a fruta e álcool, acidez no ponto com taninos saborosos e marcantes. Final de boca muito longo e agradável.

Nota-se que a Vinícola esmerou-se para ter a prata da casa acima de qualquer suspeita. Os freaks agradecem.

E todos os vinhos acompanhados do menu elaborado pelo chef Guilherme no quintal de sua casa. Que noite!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

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Agora só os campeões!!! O melhor tinto, branco, rosé e fortificado da viagem à Argentina

Após discussões acaloradas, defesas heróicas dos rótulos prediletos e muita paciência, finalmente temos a lista final dos vinhos campeões eleitos pelos Winefreaks. Vamos à eles:

Melhor Tinto Geral:

Carinae Prestige 2008. Um tinto elaborado com 70% Malbec / 25% Cabernet / 5% Malbec. Crianza de 18 meses em barricas de carvalho Frances novas. Podemos dizer que fechamos a degustação dos tintos com chave de ouro, a crescente foi incrível, este Prestige no nariz inicia discreto mas com a aeração abre-se para lindos aromas de cassis, frutas vermelhas cozidas, toques mentolados. Na boca estava perfeito, não apresentou arestas, muito equilíbrio e força em sinergia. Final de boca longo e agradável. Foi o melhor vinho degustado em toda a viagem!!!!

Melhor Branco Geral:

 Las Perdices Sauvignon Blanc Fummé 2010. Quando pensávamos que mais nada poderia melhorar Carlos nos surpreendeu novamente, nos fez degustar um Sauvignon Blanc com passagem  e fermentação em barricas de carvalho. Se no Sauvignon Blanc varietal faltava um pouco de estrutura neste sobrava. A integração entre fruta e madeira é impressionante, normalmente não gosto do Sauvignon Blanc com carvalho mas me curvei para este. E foi a opinião geral do grupo. Perfeito. Pena que ainda não está no Brasil.

Melhor Rosé Geral:

Alfredo Roca Merlot Rosé safra 2011. Já conhecíamos este vinho das safras 2009 e 2010, mas confesso que não nos impressionava muito. Esta safra 2011 veio com uma proposta completamente diferente. A sensação é que estávamos degustando um verdadeiro Provence Rosé. Sua cor esmaecida, casca de cebola já indicava um vinho bem vinificado. Nariz com aromas muito sutis de pétalas de rosas, frutas vermelhas e um toque de cassis. Na boca perfeito, frescor, jovialidade, leve amargor no final de boca tão esperado, muito bom, excelente surpresa.Provavelmente foi um dos melhores roses sul americanos degustados nos últimos tempos.

Melhor Fortificado Geral:

Las Perdices Ice Malbec. Um vinho licoroso 100% Malbec com uvas colhidas tardiamente quase em condição de passa. Com um teor alcóolico de 11,5% e 170 gr de açúcar residual este licoroso vem  ser uma proposta bem interessante para os amantes deste tipo de vinho. Segundo a explicação do enólogo Carlos “o esfriamento constante das uvas por vários dias, atingindo temperaturas inferiores a -8ºC, temperatura na qual começa a cristalizar a água formando cristais de gelo. Após a prensa é obtido um mosto de caraterísticas únicas, com uma relação uva/vinho de 8 kg por litro”. Para nós, um rosé licoroso com aromas de frutas vermelhas frescas, morangos secos e geléia. Na boca uma primeiro ataque macio, quente, mas com uma acidez muito gostosa para equilibrar. Sem dúvida tomá-lo gelado.

 
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Publicado por em 19 de março de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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