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Arquivo da tag: Ecoparque Sperry

A saga dos Winefreaks na Argentina chega ao seu final…reflexões, números, curiosidades e as previsões para as próximas aventuras em 2012.

Após 5650 km de estradas percorridas no Brasil e na Argentina, com um consumo de aproximadamente 570 litros de óleo diesel, duas correias trocadas e alguns percalços com a extremamente corrupta polícia rodoviária argentina, poderíamos dizer que a viagem foi um tanto exaustiva, um pouco arriscada e, algumas vezes, até uma provação. Mas isso só teria valor se desconsiderássemos a impressionante marca de 111 amostras diferentes de vinhos incríveis que degustamos na Bodega Alfredo Roca em San Rafael, na Salentein e Bodega La Azul em Tupungato, na Viña Las Perdices, Finca La Anita, Bodega Barberis, Bodega Carinae, Nieto Senetiner e Serrera Vinos em Mendoza, além das dezenas de outras garrafas consumidas na companhia de pratos incríveis dos mais de 20 restaurantes que experimentamos ao logo do trajeto.

Na cava de vinhos antigos da Nieto Senetiner...eles não sabiam o risco que estavam correndo!!!

A miríade de aromas e sabores, temperada pelo terroir argentino, com suas nuances de clima, altitude, solos, técnicas de vinificação e, sobretudo, de pessoas e da alma mendocina se apresentaram em uma experiência única e inesquecível.

Hospedamo-nos em pousadas luxuosas e hospedarias de beira de estrada, em hotéis econômicos e em redes internacionais, sendo 1 noite em Santa-Fé, 2 noites em San Rafael, 1 noite em Tupungato, 7 noites em Mendoza, 1 noite em Federal e 1 noite em Livramento.

Além dos vinhos, incríveis paisagens naturais e construtivas como a visão dos pampas argentinos, a travessia pelo túnel que cruza o Rio Paraná com quase 3 quilômetros de extensão e mais de 30 metros abaixo do fundo do rio, as estradas com retas quase infinitas acompanhadas de desertos imensos de ambos os lados, e do Parque Provincial Aconcágua, base da montanha mais alta das Américas: o Aconcágua também abrilhantaram o roteiro.

Foram 13 dias descobrindo na prática aquilo que dizia em latim, o filósofo Gaius Plinius Secundus na mensagem “In vino veritas” numa das primeiras tentando de traduzir o abstrato sensorial para a ótica da poesia.  “No vinho, a verdade”.

Composto de humor líquido e luz, o bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria. Merecido nas vitórias e necessário nas derrotas é composto de líquido e luz, dando palavra aos pensamentos e alegrando o coração do homem. E, sem sombra de dúvida, o vinho é o melhor lugar para se encontrar amigos.

Galileu, Shakespeare, Napoleão, Goethe, Samuel Johnson e Arruda certamente concordarão conosco.

Os Winefreaks prontos pra próxima aventura!!!

Cristiano Ribeiro, Enzo Arns, Jonas Lunkes, Leandro Sperry e Isac Azevedo são os Winefreaks. A viagem foi apoiada pelas seguintes empresas: Prefeitura Municipal de Canela, Brocker Turismo, Guimarães- Griffe em Imóveis, Super Carros, Harley Motors Show, Museu de Cera, Hollywood, Auxiliadora Predial – Casa da Serra, Santé Atividade Corporal, Ecoparque Sperry, Restaurante Bergamota, Agência Viajar Melhor e Mercadores de Vinhos. O Jornal Integração e a Revista Gramado cobriram a viagem com exclusividade.

E no mês que vem acompanhem os Winefreaks em uma nova viagem, agora na Serra Catarinense. Para saber tudo sobre a viagem, com fotos e informações detalhadas e ainda receber dicas e conferir as análises detalhadas de cada um dos 111 vinhos degustados, acesse www.winefreaks.com.br.

 
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Publicado por em 1 de março de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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Um pouco de pieguice…minha modesta visão do mundo dos vinhos.

Feriado de 15 de novembro…estou em um pedaço do paraíso em Canela-RS, no Ecoparque Sperry, rodeado de natureza, amigos, ótima comida e…vinho. Não sei se por conta do efeito do álcool ou por conta da música ambiente, mas lembrei-me de uma frase do poetinha e resolvi escrever um pouco sobre a minha relação com o vinho.

O Poetinha e seu fiel cão engarrafado.

Vinícius de Moraes, (meu poeta brasileiro predileto – pelo que escreveu e, sobretudo, pelo que viveu) certa vez disse: “O Whisky é o melhor amigo do homem…é o cão engarrafado” ou algo parecido. Concordo, afinal o cão é aquele que sempre está ao teu lado, o que nunca te decepciona, aquele que te consola nas noites solitárias.

Após tantos anos relacionado intimamente com os vinhos (desde minha iniciação efetiva, fomentada pelo meu guru nos vinhos e na vida: Sérgio Del Porto), posso dizer sem sombra de dúvida que ele não se encaixa no perfil do cão amigo…(só quem já teve a grande decepção de abrir um caro Borgonha e descobrir que seria melhor ter comprado aquele vinho chileno da promoção sabe do que estou falando…rs). Além disso, o vinho se divide em tantas nuances de humor, corpo e aromas que se assemelha mais a uma mulher em plena crise deTPM.

Vinhos e mulheres...complexas e inconstantes.

Mas então, porque essa bebida provoca tantas emoções e é tão difundida em todo o mundo? Existem milhares de respostas possíveis, mas, na minha modesta opinião, pode ser resumida em 2 grandes e extremamente significativas razões:

A primeira é que, ao contrário dos itens de desejo geralmente colecionados e buscados por apaixonados (livros, discos, selos, miniaturas, sapatos, relógios, etc), os vinhos só existem de fato após serem abertos, ou seja, só podemos “colecionar” as impressões após abrí-lo.

A segunda e não por isso, menos importante é que, à semelhança de algumas formas de arte (como a música por exemplo), os vinhos são formas interessantes de correlacionamento com fatos importantes da vida. É muito comum por exemplo, relacionar o momento em que determinado vinho foi provado com um local, com os bons amigos, com sentimentos e sensações específicos…ou seja, o vinho reforça nossa relação com os momentos mais importantes da nossa vida.

Lembro-me claramente do ótimo Ribeira del Duero que fez parte do jantar em que propus noivado à Luiza e, não me esquecerei jamais de meu primeiro Chablis e do meu Bourdeaux preferido.

Portanto, apesar de minha devoção ao Vinícius, vou dizer que prefiro uma relação inconstante e apaixonante de uma parceria com o vinho à amizade sempre fiel do bom e velho whisky. E, pra fechar com poesia, aqui vai uma de Neruda…

“ODE AO VINHO”

Pablo Neruda

Vinho cor do dia
vinho cor da
noite
vinho com pés púrpura
o sangue de topázio
vinho,
estrelado
filho
da terra
vinho, liso
como uma espada de ouro,
suave
como um
desordenado veludo
vinho encaracolado
e suspenso,
amoroso,
marinho
nunca coubeste em um copo,
em um canto, em um homem,
coral,
gregário és,
e quando menos mútuo.

O vinho
move a primavera
cresce
como uma planta de alegria
caem muros,
penhascos,
se fecham os
abismos,
nasce o canto.
Oh tú, jarra de vinho, no deserto
com a
saborosa que amo,
disse o velho poeta.
Que o cântaro do vinho
ao peso
do amor some seu beijo.

Amo sobre uma mesa,
quando se
fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que
recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de
púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e
aprenda o homem obscuro,
no ceremonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.

 
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Publicado por em 15 de novembro de 2011 em Bobagens, Dicas, Notícias

 

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