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Os Winefreaks no Uruguai – Primeira visita: Bodega Juan Carrau

Nossa primeira visita agendada foi à Bodega Carrau, distando cerca de 15 Km do centro de Montevidéu, ou seja, pertinho do nosso hotel. A Carrau é a vinícola mais antiga do Uruguai, e já está na 10ª geração de bodegueiros.Durante toda a visita fomos ciceroneados por Margarida, umas das proprietárias da Bodega. Com certeza uma das características de maior valor da Carrau é sua história. Conservam um documento precioso de 1752 onde Don Francisco Carrau Vehils compra a primeira vinha da família em Cataluña. E, 6 de fereveiro de 1783 o cartório confirma a veracidade que o vinhedo está em Vilasar de Mar, hoje incorporada ao corpo de Barcelona.

Em 1840, Juan Carrau Ferrés se dedica ao negócio do vinho e também aos livros de sua vinícola qu estão cuidadosamente guardados por seus herdeiros atuais. Seu neto Juan Carrau Sust se graduou em enologia em Villa Franca de Penades e transfere a família ao Uruguai. Juan Carrau chega com sua esposa Catalina Pujol e cinco filhos, entre estes Juan Francisco Carrau Pujol. Carrau Sust funda a bodega Santa Rosa que se desenvolve principalmente entre os anos 1930 e 1940. Juan Carrau tem 8 filhos entre eles, Javier e Francisco que hoje dirigem a bodegas Carrau.

Quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre a bela história da Bodega vale um passeio pelo website http://www.bodegascarrau.com , muito completo.

Documento centenário cita a aquisição das vinhas na Catalunha – Espanha no idos de 1752.

Hoje a Carrau possui dois empreendimentos, a Bodega Colón na região de Las Violetas em Canelones e um novo empreendimento em Cerro Chapéu, próximo a Rivera, onde construíram uma nova Bodega muito bem estruturada. Conversando com vários outros vinhateiros no Uruguai, muitos estão concordando que esta região está se destacando com uvas de excelente qualidade.

Vista parcial de um dos prédios da Bodega Carrau.

A capacidade de produção da Carrau está hoje em 1.200.000 litros ano, sendo 800.000 em Canelones e 400.000 em Cerro Chapéu. Após uma breve passeio pelas instalações da Bodega partimos para a degustação guiada com Margarida, vamos ver um pouco dos vinhos degustados.

Notas de degustação de Cristiano Ribeiro:

1º – Juan Carrau Sauvignon Blanc 2012 – Linha varietal. Vinho branco da linha de entrada, muitíssimo interessante, na verdade tivemos surpresas muito boas com esta cepa no Uruguai. Este da Carrau, muito esverdeado visualmente, tem aromas muito intensos de flores brancas, frutas tropicais e goiaba, tão aromático que num primeiro momento quase remete a um Torrontes riojano ou um Moscato. Na boca muito fresco e vivo, as notas de goiabas saltam com força aqui. Um branco leve para se tomar num dia de calor sem grandes compromissos. Trouxemos umas garrafas. Ainda mais que custa R$ 15 na Bodega.

2º – 1752 Branco safra 2010 – Corte de 90% Petit Manseng  e 10% Sauvignon Gris, a proposta da Carrau era criar um branco de uma linha super premium, passou 10 meses em barricas de carvalho frances novo, 100% do vinho. No visual amarelo palha mais marcado, no nariz salta frutas secas, especialmente damasco e figos. Também nota-se a passagem pela madeira através de algumas notas de baunilha fresca. Na boca primeiro ataque vigoroso, rico, um branco gordo, longo, apresentando um final de boca levemente tânico com bom amargor. É um branco interessante, contudo senti falta de uma veia ácida falando mais alto e não estou seguro que valha os R$ 70 cobrados na Bodega.

3º – SUST Vintage 2008 / Brut Nature. Um espumante vinifcado pelo método tradicional, corte de 50% Chardonnay e 50% Pinot Noir, fiquei impressionado com a qualidade deste espumante, no nariz aromas muito complexos, casca de pão, fermento, fruto branco muito maduro, confirma estas características na boca com um ataque vigoroso mas muito equilibrado, tem aquele toque levemente oxidado dos bons Champagnes. Não é um espumante para todos mas para os amantes da bebida com esta personalidade vale a pena conhecer.

4º Carrau Reserva Pinot Noir 2011. Outra cepa que está nos chamando muito a atenção no Uruguai não decepcionou na Carrau, muito típico visualmente com aquele tão esperado vermelho granada, no nariz notas de cerejas frescas, marmelada, leve toque fummé. Na boca saboroso, boa acidez, fruta muito marcada lembrando um Pinot mais ao estilo Velho Mundo. Também pegamos umas garrafinhas para trazê-la ao Brasil.

5º Carrau Tannat Reserva 2004. Um tinto com 12 meses de carvalho frances e mais 12 meses de garrafa. Tivemos aqui um pouco de sorte pois Margarida tinha uma garrafa aberta de uma degustação que haviam feito no dia anterior então pudemos provar um Tannat com mais anos de garrafa e que não está mais disponível no mercado. Na verdade é muito interessante ver como um bom tempo de garrafa beneficia esta variedade, pelo fato ser muito tânica e dura, este afinamento acaba por produzir um vinho mais manso e domado. Este tinto estava no seu momento.

6º 1752 Tinto Gran Tradicion safra 2009. Corte de Tannat / Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, com quase 14% de álcool. Este é um tinto mais ao estilo Velho Mundo, com seus taninos e acidez mais marcantes, nariz estava discreto mas mostrando um bom potencial de envelhecimento, alguns anos mais de garrafa com certeza lhe vão trazer grande benefício.

7º Ysern Cabernet + Cabernet safra 2004. Este tinto foi feito com uvas Cabernets provenientes de dois vinhedos distintos, parte delas vindo de Cerro Chapéu, norte do estado e parte delas vindo de Las Violettas, Canelones. Este vinho é uma prova que o Uruguai não respira somente Tannat, um belíssimo Cabernet com aromas clássicos mentolados, chocolate e leve pimentão. Na boca um grande ataque, taninos presentes e duros mas ainda balanceados, elegante, no fim de boca mostra um certo amargor mas muito saboroso. Pode ser bebido agora ou guardado por mais um par de anos. Pena que este não esteja disponível no Brasil.

AMAT 2007. Este é o vinho mais emblemático de Carrau, com uvas provenientes de Cerro Chapéu, somente das melhores parcelas, passa por 20 meses de afinamento em barricas de carvalho frances e americano, 50% cada, e mais um ano de garrafa antes de vir ao mercado. Realmente é um belo exemplas da Tannat, visualmente negro, muito velado, no nariz muito grande, notas licorosas, café tostado, chocolate, algo de especiarias. Na boca confirma esta sensação, um vinho gordo, volumoso, taninos domados, acidez bem balanceada, um tinto para se deixar na adega afinando por mais alguns anos.

Deixamos nossos agradecimentos a Bodega Carrau onde nos receberam muito bem, uma única ressalva a ser observada em visitas futuras é o cuidado a cobrança de R$ 50 por pessoa pela degustação, este valor deveria ser avisado com antecedência pois não havia sido nos passado em nenhum momento e tão pouco era avisado no website, a cobrança feita no final do encontro, mesmo depois de termos comprados várias garrafas foi no mínimo indelicado.

Mesmo com algumas surpresas indesejadas, os freaks saíram felizes ao final da degustação!!!

 
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Publicado por em 5 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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Simplesmente…Prosecco.

Apenas um número ínfimo de seus apreciadores sabe que o Prosecco não é uma marca de vinhos nem uma região produtora, mas sim uma casta de uva. No entanto, os brancos agradavelmente borbulhantes são uma das bebidas mais afamadas da Itália e quem sabe, do mundo.

A variedade de bons rótulos é grande...

Não fosse, porém, a carreira vertiginosa que os vinhos espumantes de Prosecco empreeenderam nos anos 90, provavelmente nunca grande grupos de consumidores teriam conhecido o nome Prosecco, pois a variedade por si possui uma parte ínfima de todas as características de sabor que habitualmente tornam os vinhos apetecíveis. Os seus aromas são, no melhor dos casos, neutros a ligeiramente frutados, mas de forma alguma intensos e complexos e o seu sabor caracteriza-se pela ausência de características assinaláveis.

Suponho que seja justamente por essa qualidade de “vinho sem identidade” que se constitua uma das razões para o sucesso tão estrondoso do Prosecco.

Aí está a tão falada uva Prosecco!!!

A origem da casta é incerta. Enquanto uns afirmam que tem sua origem na aldeia com o mesmo nome, nas proximidades de Udine, e se assemelha a uma variedade antiga do Friuli, a Glera, outros pensam ter sido importada da Dalmácia. Essa casta robusta deve sua difusão na província de Treviso aos terríveis anos de geada que, nos finais do século XVIII, provocaram a destrição de praticamente todas as vinhas da região.

De toda forma, a história dis vinhos espumantes de Prosecco tem início no séculko XIX quando Antonio Carpené, juntamente com três sócios, fundou a Società enologica, uma sociedade de enologia, que tinha por objetivo a produção de champagnes.

De fato, a idéia do Champagne não vingou mas, em contrapartida, o Prosecco di Conegliano – Valdobbiadene (assim se designa com precisão a atual região DOC, ficando à critério dos produtores se pretendem utilizar os dois nomes ou apenas um deles no rótulo) – transfromou-se no vinho espumante mais popular da Itália.

Sua produção se dá à partir da re-fermentação do vinho de base em grandes tanques de pressão. Após um período de armazenagem, de cerca de um mês em garrafa, sob uma pressão de pelo menos 3 atmosferas, o vinho obtido tem o merecido direito de ser designado por Spumante – caso contrário chamar-se-á Frizzante. Do ponto de vista do custo, o Spumante é geralmente mais caro que o Frizzante, mas quanto ao aspecto qualitativo, nem sempre é possível constatar a existência de uma grande diferença.

Também o Supperiore di Cartizze, bastante conhecido, proveniente de vinhas de encostas íngremes situadas acima da da localidade de Vidor, entre Conegliano e Valdobbiadene, na maioria das vezes não é melhor que os produtos das mesmas castas sem esta designação adicional.

Além dos vinhos DOC provenientes do nordeste do Vêneto existem também, infeliezmente, numerosas imitações que aparecem no mercado como vinho de mesa e são provenientes de outras partes da região ou mesmo da distante Apúlia com qualidade muito inferior.

Um brinde aos vinhos de Prosecco!!!!

 
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Publicado por em 2 de dezembro de 2011 em Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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Confesso que bebi…na Fenachamp 2011- Chandon Rosé Brut – Garibaldi – RS

Acompanhando a Fenachamp 2011 na semana passada em Garibaldi – RS me animei em visitar o espaço da Chandon de Garibaldi e resolvi provar o Chandon Brut Rosé, harmonizando com uma comidinha japonesa…o espumante é produzido a partir de um assemblage das uvas Pinot Noir, Chardonnay e Riesling Itálico.

Possuindo uma bela cor salmão o Chandon Brut Rosé mostrou borbulhas finas e em quantidade dentro dos padrões esperados, porém, pouco duradouras. O aroma apresentava leve frutuosidade, lembrando frutas vermelhas frescas…talvez morango…

Na boca é ligeiro, final curto e levemente adocicado. Imagino que deva agradar bastante os consumidores que não apreciem aos tradicionais bruts e extra-bruts. Para a comida, funcionou bem, mas seria mais interessante se tivesse menos açúcar residual e mais acidez.

 
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Publicado por em 21 de outubro de 2011 em Dicas, Notícias, Novidades

 

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Sugestões para um encontro a dois!!!

O casal com sua pequena...hoje tem jantar à dois!!!

Meu amigo Felipe Carrara acaba de solicitar uma ajuda para escolher alguns vinhos para um encontro à dois com sua esposa. O menu será composto de uma bela tábua de frios e de brusquetas à moda do Carrara. Ele (e a torcida do Galo e do Palmeiras) quer escolhas boas para o paladar e para o bolso…portanto vamos buscar os vinhos que tiverem as melhores relações custo x benefício.

Como ele já indicou o local em que pretende comprar os vinhos (a Super Agega em Brasília-DF), vamos procurar orientá-lo com o que pudemos verificar pelo site.

Minha sugestão é começar os trabalhos com uma espumante (as brasileiras em geral são muito boas e acessíveis). Minhas sugestões:

Brut 130 – Casa Valduga

Castas: Chadonnay e Pinot Noir

Vale dos Vinhedos, Brasil

Espumante elaborado pelo método tradicional, límpido e brilhante, de coloração dourada e belo perlage. Com bouquet elegante e intenso de frutas secas, amêndoas e um leve tostado. Em boca é persistente e cremoso.

Preço na Super Adega: R$ 49,90

 

Dal Pizzol Brut Champenoise

Castas Chardonnay, Pinot Noir e Sylvaner

Bento Gonçalves – Rio Grande do Sul

Feita pelo método Champenoise tem cor amarelo palha claro e brilhante com reflexos dourados. Perlage boa, no tamanho, abundância e persistência.

Aromas de frescor, nozes, frutas cristalizadas, brioche e toques florais. Paladar de bom corpo e acidez presente, onde a cremosidade se destaca.

Preço na Super Adega: R$ 45,90

Para acompanhar as brusquetas, vou dar uma dica clásica e uma sugestão um pouco mais ousada…na clássica, vamos procurar um representante italiano (que, apesar de não saber quais os recheios…deve cair muito bem com um vinho de Sangiovese) e na ousada, vou buscar inovar sugerindo uma cepa autoctone da África do Sul que é sempre bem avaliada pela mulheres..

Sugestão Clássica: Cecchi Chianti Classico 2006

País: Itália
Região: Toscana
Grad. Alcóolica: 13,3
Cor: Vermelho rubi intenso com reflexos granada.
Aroma: Rico, vivo e intenso com notas marcantes de eucalipto em seu final.
Uva: Sangiovese 90% e Canaiolo e Colorino Toscano 10%.
Sabor: Harmonioso, com paladar cheio e taninos ricos.
Temperatura – Serviço: 16/18 Graus.

Preço na Super Adega: R$ 56,90

Sugestão ousada: Fleur Du Cap Pinotage

Região: Stellenbosch
Variedades: Pinotage (produtividade: 8000Kg/ha)
Produção: Colheita manual na metade de fevereiro, fermentação alcoólica em contato com as peles a 28°C  durante 4 dias, depois as mesmas são removidas e a fermentação continua até o açúcar terminar. Passa por fermentação malolática (transformação do ácido málico em ácido lático) com amadurecimento de 12 meses sendo em barricas francesas de segundo uso. Por fim, passa mais 3 meses de envelhecimento em adega antes de sua comercialização.

Análise Sensorial:

Visual: cor vermelho rubi com reflexos violáceos Olfativa: frutas escuras (ameixa), bolo de frutas e baunilha.
Gustativa: seco, alta acidez, encorpado,  taninos macios e muito bem estruturados.

Temperatura de Serviço: 16°C

Álcool: 14,11 % vol

Preço na Super Adega: R$ 49,90.

Espero ter podido ajudar Felipão!!! Aproveite!!!

 
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Publicado por em 7 de outubro de 2011 em Dicas

 

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