RSS

Arquivo da tag: Finca la Daniela Chardonnay 2011

Os Winefreaks elegem os melhores vinhos da viagem à Argentina – Parte 3 – Vinhos Brancos

Nem só os Malbec e os vinhos tintos fazem bonito em Mendoza. Nesse post elencaremos os melhores brancos segundo a avaliação dos Winefreaks (Cristiano Ribeiro, Enzo Arns, Isac Azevedo, Leandro Sperry e Jonas Lunkes). Aproveitem:

  • Vinhos de Entrada (vinhos de baixo custo, de consumo imediato):

      1. Alfredo Roca Chardonnay Dedicacion Personal 2010 (4 votos)

      2. Cuarto de Milla Branco 2011

Alfredo Roca Chardonnay Dedicacion Personal safra 2010. Lindo, amarelo palha com toques dourados já mostrando sua breve passagem por roble americano. Frutas brancas, banana, pêssego, damascos secos, creme de baunilha. Primeiro momento o carvalho ainda estava saliente demais mas após alguns minutos de aeração seus aromas primários vieram a tona. Lindo. Na boca só melhorou, grande untuosidade mas muito bem balanceada com sua veia ácida, volumoso, rico, grande final de boca. Este deve ser degustado por todos que admiram um belo branco.

  • Melhor Custo x Benefício:

      1. Serrera Torrontés (2 votos)

      2. Finca La Daniela Chardonnay (2 votos)

      3. Alfredo Roca Tocai

 Serrera Torrontes 2010. Sem dúvidas um dos melhores Torrontes degustados na viagem, da variedade Torrontes Riojano, a idéia segundo Hernán era buscar um vinho não muito intenso, como alguns Torrontes que chegam a ser enjoativos, mas com uma boa carga aromática. Realmente estava muito bom no nariz, não muito explosivo, toques florais e frutas brancas e tropicais. Na boca redondo, elegante, sutil, uma discrição acima da média quando falamos de um torrontes. Excelente.

Finca la Daniela Chardonnay 2011. Particularmente somos fãs da linha la Daniela, são vinhos que se posicionam em uma faixa intermediária / alta de qualidade mas com preços justíssimos, para se ter uma idéia, no Brasil são vendidos na faixa dos R$ 35. Outra coisa que admiramos muito neste rótulo é sua franqueza na tipicidade das castas, Mônica, a enóloga, jamais peca pelo exagero de carvalho ou maceração, são vinhos ao estilo do Velho Mundo, excelentes. Este Chardonnay estava especial, ótimo nariz, boa intensidade, notas de maçã, abacaxi, frutas tropicais e um toque de manteiga, apesar de não ter passagem por carvalho. Na boca excelente primeiro ataque com boa força mas sem exageros, final de boca muito agradável.

  1.  Vinhos Premium:

      1. Las Perdices Sauvignon Fummé (3 votos)

      2. Finca La Anita Chadonnay

      3. Don Nicanor Chardonnay/Viognier

 Las Perdices Sauvignon Blanc Fummé 2010. Quando pensávamos que mais nada poderia melhorar Carlos nos surpreendeu novamente, nos fez degustar um Sauvignon Blanc com passagem  e fermentação em barricas de carvalho. Se no Sauvignon Blanc varietal faltava um pouco de estrutura neste sobrava. A integração entre fruta e madeira é impressionante, normalmente não gosto do Sauvignon Blanc com carvalho mas me curvei para este. E foi a opinião geral do grupo. Perfeito. Pena que ainda não está no Brasil.

 
1 comentário

Publicado por em 15 de março de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Bodega Barberis – Uma recepção familiar.

Seguindo nossa agenda, a próxima visita era a uma vinícola chamada Bodega Barberis, referência ao nome da família. Barberis havia recém trocado de localização, seus proprietários venderam uma Bodega que possuíam em Vistalba em Luján de Cuyo e compraram uma antiga propriedade em Guaymallén. O bairro de Guaymallén  praticamente não possui mais vinícolas e vinhedos atualmente, antigamente foi um dos primeiros lugares a ter vinhas plantadas, com o tempo, o epicentro Vitivinicola foi migrando em direção a Lujan de Cuyo.

Fomos recepcionados por um dos proprietários, Adrian Barberis. A vinícola é comandada por seu pai Humberto Barberis, enólogo, e sua irmã Liliana Barberis, responsável pelo setor administrativo. Quando questionado sobre esta mudança para uma localização fora do centro de visitação turística, Adrian nos respondeu que neste momento sua preocupação está mais voltada para a qualidade de seus produtos, desta forma preferiram investir em um local de custo mais baixo e direcionar parte dos investimentos para sua tecnologia de vinificação. Muito justo.

Um pouquinho da estrutura e tecnologia da nova casa da Barberis.

Com estas novas instalações, a Bodega Barberis tem hoje uma capacidade total de produção de até 1.200,00 garrafas mas produz atualmente 400.000 garrafas. A enóloga chama-se Mônica e é quem coordena todo o processo já a alguns anos.  Sendo uma vinícola pequena notamos a grande preocupação pela qualidade dos vinhos finais, tanto que durante a visita quando perguntamos a Adrian qual seria seu melhor vinho ele respondeu: ” O próximo na próxima safra”. Sua busca pela melhora é incansável.

Adrian explica como fazer vinhos excepcionais.

O mix da Bodega Barberis se divide da seguinte forma no Brasil: Cava Negra é a linha de entrada, com produtos de excelente relação custo / qualidade, logo depois vem a linha Finca la Daniela, uma alusão ao nome da avó de Adrian, vinhos com uma breve passagem por carvalho mas mantendo sua fruta presente. O próximo nível chama-se Família Barberis, com uvas mais selecionadas e muito elegantes, subimos para a linha La Daniela Reserva e por fim o TOP da casa que se chama Humberto Barberis Gran Reserva.

A bela linha de vinhos da Barberis exposta pré degustação.

Depois de uma visita pelas instalações Adrian e Mônica nos levaram para uma antiga pileta de concreto que antigamente servia para a fermentação dos vinhos e que eles transformaram em uma cave de armazenamento e degustação, muito interessante pois a temperatura é sempre constante ali dentro. Já tinham preparado uma mesa para nossa degustação com os vinhos todos previamente selecionados. Vamos a uma rápida descrição das amostras degustadas.

1º Vinho. Cava Negra Chardonnay 2011. Esta linha de entrada tem o objetivo de trazer ao mercado vinhos fáceis de se beber com muita fruta, nada de carvalho e que devem ser bebidos jovens. Já conhecia a linha do Brasil e respeito muito estes rótulos por seu posicionamento. A safra 2011 ainda não chegou para nós então foi muito interessante degustar um vinho jovem e no seu ápice. Na cor um amarelo esverdeado muito claro e brilhante, no nariz um branco frutado, fresco, com toques de maça verde e abacaxi, não muito intenso. Na boca tudo que se espera de um vinho jovem, fácil, entrada leve, boa acidez com um final rápido e agradável.

2º Vinho. Finca la Daniela Chardonnay 2011. Particularmente sou fã da linha la Daniela, são vinhos que se posicionam em uma faixa intermediária / alta de qualidade mas com preços justíssimos, para se ter uma idéia, no Brasil são vendidos na faixa dos R$ 35. Outra coisa que admiro muito nestes rótulos é sua franqueza na tipicidade das castas, Mônica, a enóloga, jamais peca pelo exagero de carvalho ou maceração, são vinhos ao estilo do Velho Mundo, excelentes. Este Chardonnay estava especial, ótimo nariz, boa intensidade, notas de maçã, abacaxi, frutas tropicais e um toque de manteiga, apesar de não ter passagem por carvalho. Na boca excelente primeiro ataque com boa força mas sem exageros, final de boca muito agradável.

3º Vinho. Blason del Valle – Malbec Rose 2011. Este Vinho ainda não está no Brasil, uma pena, foi um dos melhores Roses degustados em nossa viagem até o momento, coloração perfeita casca de cebola, tons bem sutis de rosado, aromas no início estavam um pouco reduzidos mas logo abriu-se para pétalas de rosas e frutas vermelhas frescas, principalmente morango, na boca roubou a cena, excelente equilíbrio, um primeiro ataque relativamente quente mas logo sua acidez entra em cena trazendo um frescor agradabilíssimo. Cada gole pedia o segundo, um rose a ser conhecido e degustado.

4º Vinho. Finca la Daniela Reserva Chardonnay safra 2010. Outro vinho que ainda não está no Brasil, uma pena de novo, imaginem o La Daniela Chardonnay que degustamos anteriormente, com a mesma tipicidade e frescor mas agora com um toque de carvalho! Incrível, a madeira entrou para dar uma bela complexidade, nada de exageros apenas trouxe mais untuosidade no nariz e na boca, um branco para acompanhar um prato mais intenso e rico. Agradou a todo o grupo.

5º Vinho. Finca la Daniela Malbec safra 2010. Repito novamente que adoro esta linha La Daniela pela elegância e nada de excessos, vinhos com menos carvalho e álcool que muitos argentinos que estamos acostumados a degustar. É verdade que é um tinto que não agrada a todos justamente por estas características, mesmo no nosso pequeno grupo tivemos algumas divergências, no entanto, esta é a maravilha no mundo dos vinhos e bebidas em geral, não existe padronizações e gostos estabelecidos. Este Malbec apresentou aromas de morangos e cerejas frescas e notas de licor de menta. Na boca muito vivo, leviano, com uma acidez e fruta para lá de refrescante.

6º Vinho. Familia Barberis Malbec 2010. Esta linha se encontra acima da La Daniela, são tintos que buscam expressar a fruta e tipicidade da anterior mas com um aporte maior de complexidade. Isto se dá através da escolha de parcelas selecionadas e com um trabalho de vinificação mais rigoroso, explica Mônica. Realmente foi um dos tintos que mais nos impressionou na degustação, sua força e sutileza caiu super bem na degustação técnica tanto quanto acompanhando nosso almoço, um excelente vinho.

7º Vinho. Finca la Daniela Reserva Malbec 2008. Um tinto que se encontra entre o Família Barberis e o Gran Malbec, este vinho tem um aporte de carvalho frances novo de 8 a 9 meses, 100% do vinho. Estava um pouco duro num primeiro momento, taninos e acidez ainda marcantes mostrando que precisa de estiba em garrafa, contudo, um tinto muito envolvente. Nossa questão era até que ponto ele deveria custar um pouco mais que o Família Barberis? Teria razão para isto? Confesso que depois de algumas horas no decanter a resposta era sim. Enquanto o Família chegou rápido a seu ápice e depois parou aí, o reserva desenvolveu-se com maestria.

Humberto Barberis Gran Reserva Malbec 2007. O TOP da casa, ao contrário do que muitas vezes encontramos em outras bodegas, não destoa muito dos seus irmãos mais jovens, na verdade, a evolução entre as linhas da Bodega Barberis é muito sutil e pode até passar despercebida para os menos praticados, não existe aquela grande distância entre um Cava Negra Malbec e um Humberto Gran Malbec, são idênticos? Claro que não, mas as sutilezas de suas características são uma evolução como em menu degustação de um grande chef, devemos prestar atenção aos detalhes nos temperos, métodos de cocção e ingredientes utilizados. Na minha humilde opinião, quando colocamos em perspectiva a relação custo / qualidade, este Malbec foi um dos melhores degustados ao longo de nossa viagem.

Ao término de nossa visita e degustação, fomos convidados a um almoço pela família Barberis, mas ao invés de irmos a algum restaurante, Adrian preferiu montar um mesa para um assado no meio das tinas de inox em sua bodega! Já que ainda não possui facilidades para este fim. Perguntamos, pode esperar-se algo mais quando se visita um produtor?  Esta simplicidade e aconchego familiar nos conquistaram de imediato, ficamos de queixo caído com tamanha hospitalidade. Nossos sinceros agradecimentos a Adrian Barberis e toda sua equipe por esta experiência.

Os freaks "mandando ver" nas carnes e caldos da Barberis...

Um grande abraço.

 
 

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

  •  
    %d blogueiros gostam disto: