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Uruguai – Dia 2 – Pizzorno: Uma bodega de família

Toda viagem Freak aguarda este momento, quando encontraremos o primeiro produtor de alma e coração, isto aconteceu no sábado pela manhã quando chegamos a Bodega Pizzorno. Ainda não tínhamos degustado estes vinhos e fizemos o contato diretamente pelo email da Vinícola. Quando chegamos, Carlos Pizzorno, um dos proprietários e enólogo já nos esperava na porta. Muito sorridente, marca dos uruguaios, nos recepcionou calorosamente e partimos diretamente para um passeio pela bodega.

Carlos Pizzorno esbanjando simpatia!!!

A Bodega Pizzorno está localizada na ruta 32, Km 23, próximo a Montevideo, seus vinhos são trazidos ao Brasil pela importadora Grand Cru. É uma vinícola relativamente pequena com uma produção anual em torno de 140.000 garrafas. Sua primeira safra aconteceu em 1999 e está na 3ª geração de produtores sob a tutela de Carlos Pizzorno. Vinificam uvas brancas e tintas, sendo das primeiras a Sauvignon Blanc e a Chardonnay e das tintas Tannat, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Cabernet Franc e Arinarnoa.

A bela vista da entrada da bodega Pizzorno.

Ao invés de irmos diretamente para a sala de degustação, Carlos e Marcelo – enólogo que nos acompanhou, nos conduziram por uma das experiências mais importantes que vejo em uma bodega, para a sala de barricas e inox para provar amostras de tanques. Isto é extremamente importante pois podemos avaliar o potencial de vinhos ainda em formação para depois comparar com os vinhos já engarrafados. Isto nos dá um panorama incrível do trabalho sendo feito em uma vinícola. Uma pena que muitas bodegas não tenham esta visão.

A pequena e funcional sala de barricas da Pizzorno, onde iniciamos nossos “trabalhos”com os vinhos que ainda estão sendo lapidados para o mercado.

Iniciamos com uma amostra de barrica de um Pinot Noir safra 2012. No momento estava com 6 meses de contato com o carvalho. Ainda em evolução, mostra bom potencial, como não poderia deixar de ser, os aromas e taninos do carvalho estavam marcados mas muito bem integrados. Não foi uma safra tão boa como a de 2011 mas pode surpreender.

O enólogo Marcelo sacando das barricas a primeiras amostras para os Freaks.

Passamos para uma amostra de barrica de um Arinarnoa safra 2011. Este já estava com 12 meses de carvalho de segundo uso, uma belíssima amostra, em minha opinião já estava pronto, opinião que Marcelo confirmou pois logo iriam engarrafar. Muito bom, nariz muito difuso pela presença da barrica mas na boca mostrava-se pleno, os taninos desta casta muito saborosos tudo em perfeito equilíbrio. Tenho curiosidade de ver este tinto depois de pronto.

Passamos para amostra de barrica nº 116 / 220. Um Tannat safra 2011 com 15 a 16 meses de carvalho novo. Neste caso barricas de carvalho húngaro. Muito complexo, as características duras da Tannat estavam bem domadas aqui, um tinto gordo e carnoso.

Amostra de barrica nº 115 / 220. As mesmas uvas Tannat que deram origem ao lote nº 116 foram utilizadas neste varietal, contudo ao invés de carvalho húngaro foi utilizado carvalho americano. Incrível como estavam diferentes, é impressionante notar a influência de diferentes carvalhos no mesmo vinho. Este tinto estava mais nervoso, com seus taninos mais marcados. Ao longo desta viagem algo que ficou marcado é que o carvalho americano casa melhor com a Tannat, as barricas francesas parecem ser muito elegantes para domar a Tannat.

Amostra de barrica nº 110 / 220. Um Tannat safra 2012 de outro vinhedo das amostras 115 e 116. Carvalho americano com 12 meses até o momento. Um tinto ainda em franca evolução, mais alguns meses de caravalho podem lhe fazer muito bem.

Passamos para a sala de degustação para iniciarmos com os vinhos prontos e no mercado:

Pizzorno Brut Nature. Espumante corte de Chardonnay e Pinot Noir com 24 meses de autólise, contato com as leveduras, um espumante amarelo esverdeado com toques mais marcados palha. No nariz aromas bem discretos e típicos da Chardonnay, maçã e abacaxi. Na boca achei o primeiro ataque um pouco grosseiro, faltou frescor e cremosidade. Bom volume de boca e final levemente amargo mas muito saboroso.

Don Próspero Sauvignon Blanc 2012. Já havíamos provado o Reserva da Pizzorno e ficamos muito impressionados com a qualidade daquele. Provamos aqui a linha de entrada. Visualmente perfeito, muito claro e esverdeado, no nariz notas cítricas, abacaxi ainda verde, maracujá. Na boca acidez bem controlada, não é um branco muito potente mas sem defeitos com aquela crocância gostosa da Sauvignon.

Don Próspero Tannat Beaujolais 2012. Aqui uma proposta completamente diferente, vinificaram a Tannat ao estilo dos Beaujolais através de uma maceração carbônica. Tenho de confessar que fiquei impressionado com o resultado final, um tannat leve, frutado, para ser bebido um pouco mais gelado, se a moda pega…

Don Próspero Tannat + Malbec 2011. Neste corte o Tannat não passa pelo carvalho, o Malbec passa 6 meses por carvalho francês e americano. Um tinto fácil, estilo mais comercial, notas de chocolate, cacau. Na boca é incrível como a Malbec amaciou o Tannat deixando um vinho muito mais aveludado. Confesso que de olhos fechados diria que estava mais próximo a Argentina pelo estilo.

Pizzorno Tannat Reserva 2010. 12 meses de barricas francesas, americana e húngara. Parcelas afinadas separadamente nas barricas e depois cortadas. Em minha opinião um dos melhores Tannat da viagem. Visualmente fechado, negro, no nariz o chocolate e o café saltam com força. Na boca incrível, grande volume  e corpo, taninos muito saborosos, apesar de estar muito redondo não perdeu aquela força e rusticidade tão esperadas da Tannat. Vale a pena conhecer este.

Pizzorno Tinto Blend 2010. Um corte de 60% Tannat (12 meses de carvalho americano + húngaro) 30% Cabernet Sauvignon + 10% Merlot (12 meses barricas francesas). Após o corte final afina por mais 6 meses em barricas francesas. Faço a mesma alusão ao Tannat anterior, grande tinto, muito bem elaborado, perfeita sinergia neste corte, boca muito rica e volumosa, muito gastronômico.

Primus 1 safra 2006. O Top da vinícola, um corte de 50% Tannat + 25% Cabernet Sauvignon + 20% Merlot + 5% Petit Verdot. 24 meses de afinamento em barricas novas francesas. Potência é o sobrenome deste vinho, num primeiro momento ainda fechado no nariz, não foi decantado e segundo o próprio Carlos foi um erro, disse que teriam de ter aberto este vinho pelo menos umas 2 horas antes no Decanter. De qualquer forma um grande tinto, musculoso, denso, a Tannat se expressando aqui de forma gigantesca, gostei bastante.

Nossos agradecimentos especiais a Carlos e Marcelo pela incrível recepção que tivemos, sem sombra de dúvidas esta bodega entrou na lista de lugares a serem visitados na próxima ida ao Uruguai.

Os belos exemplares dos “Pizzornos” enfileirados após a degustação…que maravilha!!!

Abraço e até nosso próximo post.

 
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Publicado por em 11 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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Os Winefreaks no Uruguai – Primeira visita: Bodega Juan Carrau

Nossa primeira visita agendada foi à Bodega Carrau, distando cerca de 15 Km do centro de Montevidéu, ou seja, pertinho do nosso hotel. A Carrau é a vinícola mais antiga do Uruguai, e já está na 10ª geração de bodegueiros.Durante toda a visita fomos ciceroneados por Margarida, umas das proprietárias da Bodega. Com certeza uma das características de maior valor da Carrau é sua história. Conservam um documento precioso de 1752 onde Don Francisco Carrau Vehils compra a primeira vinha da família em Cataluña. E, 6 de fereveiro de 1783 o cartório confirma a veracidade que o vinhedo está em Vilasar de Mar, hoje incorporada ao corpo de Barcelona.

Em 1840, Juan Carrau Ferrés se dedica ao negócio do vinho e também aos livros de sua vinícola qu estão cuidadosamente guardados por seus herdeiros atuais. Seu neto Juan Carrau Sust se graduou em enologia em Villa Franca de Penades e transfere a família ao Uruguai. Juan Carrau chega com sua esposa Catalina Pujol e cinco filhos, entre estes Juan Francisco Carrau Pujol. Carrau Sust funda a bodega Santa Rosa que se desenvolve principalmente entre os anos 1930 e 1940. Juan Carrau tem 8 filhos entre eles, Javier e Francisco que hoje dirigem a bodegas Carrau.

Quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre a bela história da Bodega vale um passeio pelo website http://www.bodegascarrau.com , muito completo.

Documento centenário cita a aquisição das vinhas na Catalunha – Espanha no idos de 1752.

Hoje a Carrau possui dois empreendimentos, a Bodega Colón na região de Las Violetas em Canelones e um novo empreendimento em Cerro Chapéu, próximo a Rivera, onde construíram uma nova Bodega muito bem estruturada. Conversando com vários outros vinhateiros no Uruguai, muitos estão concordando que esta região está se destacando com uvas de excelente qualidade.

Vista parcial de um dos prédios da Bodega Carrau.

A capacidade de produção da Carrau está hoje em 1.200.000 litros ano, sendo 800.000 em Canelones e 400.000 em Cerro Chapéu. Após uma breve passeio pelas instalações da Bodega partimos para a degustação guiada com Margarida, vamos ver um pouco dos vinhos degustados.

Notas de degustação de Cristiano Ribeiro:

1º – Juan Carrau Sauvignon Blanc 2012 – Linha varietal. Vinho branco da linha de entrada, muitíssimo interessante, na verdade tivemos surpresas muito boas com esta cepa no Uruguai. Este da Carrau, muito esverdeado visualmente, tem aromas muito intensos de flores brancas, frutas tropicais e goiaba, tão aromático que num primeiro momento quase remete a um Torrontes riojano ou um Moscato. Na boca muito fresco e vivo, as notas de goiabas saltam com força aqui. Um branco leve para se tomar num dia de calor sem grandes compromissos. Trouxemos umas garrafas. Ainda mais que custa R$ 15 na Bodega.

2º – 1752 Branco safra 2010 – Corte de 90% Petit Manseng  e 10% Sauvignon Gris, a proposta da Carrau era criar um branco de uma linha super premium, passou 10 meses em barricas de carvalho frances novo, 100% do vinho. No visual amarelo palha mais marcado, no nariz salta frutas secas, especialmente damasco e figos. Também nota-se a passagem pela madeira através de algumas notas de baunilha fresca. Na boca primeiro ataque vigoroso, rico, um branco gordo, longo, apresentando um final de boca levemente tânico com bom amargor. É um branco interessante, contudo senti falta de uma veia ácida falando mais alto e não estou seguro que valha os R$ 70 cobrados na Bodega.

3º – SUST Vintage 2008 / Brut Nature. Um espumante vinifcado pelo método tradicional, corte de 50% Chardonnay e 50% Pinot Noir, fiquei impressionado com a qualidade deste espumante, no nariz aromas muito complexos, casca de pão, fermento, fruto branco muito maduro, confirma estas características na boca com um ataque vigoroso mas muito equilibrado, tem aquele toque levemente oxidado dos bons Champagnes. Não é um espumante para todos mas para os amantes da bebida com esta personalidade vale a pena conhecer.

4º Carrau Reserva Pinot Noir 2011. Outra cepa que está nos chamando muito a atenção no Uruguai não decepcionou na Carrau, muito típico visualmente com aquele tão esperado vermelho granada, no nariz notas de cerejas frescas, marmelada, leve toque fummé. Na boca saboroso, boa acidez, fruta muito marcada lembrando um Pinot mais ao estilo Velho Mundo. Também pegamos umas garrafinhas para trazê-la ao Brasil.

5º Carrau Tannat Reserva 2004. Um tinto com 12 meses de carvalho frances e mais 12 meses de garrafa. Tivemos aqui um pouco de sorte pois Margarida tinha uma garrafa aberta de uma degustação que haviam feito no dia anterior então pudemos provar um Tannat com mais anos de garrafa e que não está mais disponível no mercado. Na verdade é muito interessante ver como um bom tempo de garrafa beneficia esta variedade, pelo fato ser muito tânica e dura, este afinamento acaba por produzir um vinho mais manso e domado. Este tinto estava no seu momento.

6º 1752 Tinto Gran Tradicion safra 2009. Corte de Tannat / Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, com quase 14% de álcool. Este é um tinto mais ao estilo Velho Mundo, com seus taninos e acidez mais marcantes, nariz estava discreto mas mostrando um bom potencial de envelhecimento, alguns anos mais de garrafa com certeza lhe vão trazer grande benefício.

7º Ysern Cabernet + Cabernet safra 2004. Este tinto foi feito com uvas Cabernets provenientes de dois vinhedos distintos, parte delas vindo de Cerro Chapéu, norte do estado e parte delas vindo de Las Violettas, Canelones. Este vinho é uma prova que o Uruguai não respira somente Tannat, um belíssimo Cabernet com aromas clássicos mentolados, chocolate e leve pimentão. Na boca um grande ataque, taninos presentes e duros mas ainda balanceados, elegante, no fim de boca mostra um certo amargor mas muito saboroso. Pode ser bebido agora ou guardado por mais um par de anos. Pena que este não esteja disponível no Brasil.

AMAT 2007. Este é o vinho mais emblemático de Carrau, com uvas provenientes de Cerro Chapéu, somente das melhores parcelas, passa por 20 meses de afinamento em barricas de carvalho frances e americano, 50% cada, e mais um ano de garrafa antes de vir ao mercado. Realmente é um belo exemplas da Tannat, visualmente negro, muito velado, no nariz muito grande, notas licorosas, café tostado, chocolate, algo de especiarias. Na boca confirma esta sensação, um vinho gordo, volumoso, taninos domados, acidez bem balanceada, um tinto para se deixar na adega afinando por mais alguns anos.

Deixamos nossos agradecimentos a Bodega Carrau onde nos receberam muito bem, uma única ressalva a ser observada em visitas futuras é o cuidado a cobrança de R$ 50 por pessoa pela degustação, este valor deveria ser avisado com antecedência pois não havia sido nos passado em nenhum momento e tão pouco era avisado no website, a cobrança feita no final do encontro, mesmo depois de termos comprados várias garrafas foi no mínimo indelicado.

Mesmo com algumas surpresas indesejadas, os freaks saíram felizes ao final da degustação!!!

 
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Publicado por em 5 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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Os Winefreaks elegem os melhores vinhos da viagem à Argentina – Parte 4 – Tintos de outras cepas

Além dos tintos da uva Malbec e dos tintos de Corte, resolvemos analisar também os tintos varietais de outras castas…Bonarda, Merlot, Syrah, Pinot Noir, e muitas outras nos mostraram que não só na Malbec residem vinhos incríveis em Mendoza. Aproveitem nossa seleção:

  • Vinhos de Entrada (vinhos de baixo custo, de consumo imediato)

    1. Serrera Reserva Bonarda (4 votos)

    2. Luna Syrah

 Serrera Reserva Bonarda 2008. Quando nos falava sobre esse vinho, Hernán frizou que foi uma excelente safra em Tupungato, origem desta Bonarda, um ano com muita concentração de cor e aromas. As uvas deste vinho são provenientes de vinhas com mais de 40 anos de idade. Levamos o tinto ao nariz. Uau!! O que foi isto? Que belíssimo bouquet, concentrado, pimenta negra, cravo, notas mentoladas, final levemente herbáceo, elegantíssimo, não muito potente mas com uma persistência incrível. Na boca só melhorou, a rusticidade da Bonarda, quase mastigável já pedia um entrecot jugoso para acompanhar, que tinto maravilhoso, foi eleito naquele momento o Bonarda da semana!

Hernán com os Winefreaks...viva a Bonarda!!!

  • Amostra de Tanque:

    1. La Anita Merlot

    2. Las Perdices Pinot Noir

    3. La Anita Syrah

5ª Amostra. Merlot 2011. Incrível este tinto, um dos aromas mais enigmáticos das amostras, segundo Sebastian, esta amostra vem se transformando semana após semana. No aroma toques de especiarias, marmelo, couro, terra, não muito intenso. Na boca, um merlot típico, acidez e taninos macios e com uma estrutura mediana, promete ser um vinho muito elegante.

  • Vinhos Premium:

    1. Carinae Gran Syrah (5 votos)

 

Carinae Gran Reserva Syrah 2008. Mesma crianza do Gran Malbec. Que tinto grandioso, um titã, muito complexo, tanto no nariz como na boca apresenta aromas levemente licorosos. Primeiro ataque na boca vigoroso mas evolui para um equilíbrio incrível, no final de boca todas as suas percepções se mesclam trazendo uma percepção de uma obra de arte bem acabada. Um grandíssimo Syrah….”Time Freeze” em todos os freaks que ainda sobreviviam!!!!

 
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Publicado por em 16 de março de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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A saga dos winefreaks – San Rafael parte 1

Seguindo nossa viagem chegamos ontem a noite na cidade de San Rafael, mais ou menos 240 Km ao sul de Mendoza, uma cidade extremamente pitoresca com ar de cidade praiana a 700 mts de altitude. Uma avenida principal, Av. Mitre,  corta a cidade de lado a lado recheada de bares a restaurantes com todos sentados nas mesas a rua. Por incrível que pareça é uma das poucas cidades Argentinas que visitamos que a gastronomia não gira em torno das carnes e assados, grande parte dos restaurantes oferecem massas, pizzas e principalmente tapas, mas nem por isso deixando a desejar.

Ficamos hospedados em um apart hotel boutique chamado Tierra Mora que apesar dos quartos estarem próximos a uma piscina bacana em nada lembram um boutique hotel, na verdade, perto de nossos hotéis desta categoria em Gramado e Canela faria muito feio. Para se dormir uma noite ou duas tranquilo, mas nada mais.

Falando um pouco de vinhos e vinhedos San Rafael oferece uma gama grande de possibilidades de visitas a Bodegas, são mais de 90 nesta regiao, desde bodegas pequenas e familiares produzindo vinhos de classe e a granel até grandes vinícolas com uma estrutura turística bem armada. Os vinhedos estão localizados a uma altitude média de 700 a 800 m, com uma variedade grande de cepas, Pinot Grigio, Tocai, Sauvignon Blanc, Chardonnay, Chenin nas brancas e Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec, Bonarda, Sangiovese, Tempranillo, Syrah nas tintas, entre outras.

Nossa visita nesta região foi focada em uma bodega com um nome forte em San Rafael e que já conhecíamos os vinhos no Brasil, Alfredo Roca, contudo, não imaginávamos o que nos aguardava ao longo do dia.

A vinícola é comandada por seu presidente e enólogo (hoje aposentado desta função) Alfredo Roca e seu filho e duas filhas, Alejandro Roca, vice-presidente e enólogo ativo, Carolina e Graziela Roca que cuidam do setor administrativo e comercial. Alfredo Roca comprou uma propriedade de 100 anos e a transformou no que é hoje uma empresa sólida e que faz um trabalho muito respeitável. O prédio é construído com Adobe ( uma pedra da região) com paredes duplas de mais de 70 cm cada. Mesmo com uma temperatura externa de 35ºC naquele dia dentro estava muito fresco.

 

A Bodega possui dois vinhedos principais, La Perseverancia e Santa Hermínia, praticamente 100% de seus vinhos são de vinhedos próprios. Foi a primeira Bodega a se aventurar com a cepa Pinot Noir na região com resultados impressionantes. Algumas de suas vinhas que vimos nos vinhedos chegavam a ter 70 a 80 anos de idade, com algumas até mais velhas.

Enzo, Alejandro e Cristiano em um dos talhões da Finca.

Outro dado que fiquei muito surpreso, apenas 10 a 15% de seus vinhedos são enxertos, todo restante plantas pé franco. São em torno de 800.000 garrafas produzidas por ano sendo 60% de sua produção direcionada ao mercado externo ( O Brasil é seu principal mercado). A bodega trabalha com barricas de carvalho novas, sendo a grande parte carvalho americano e também com pilhetas de concreto revestidas de 18.000 litros cada com placas de resfriamento internas.

Fomos recepcionados pelo vice presidente Alejandro, um rapaz com seus 37 anos de idade que hoje toca a empresa lado a lado com seu pai. A simplicidade e simpatia de Alejandro nos deixou de queixo caido, apesar de seu cargo na empresa fez questão de nos acompanhar durante todo o percurso. Nos conduziu por uma passeio pela bodega, vinhedos, uma degustação fora do padrão usual e um almoço incrível. Recomendamos muito um passeio por esta Bodega aqueles que se aventurarem por estas bandas.

No Brasil os vinhos Alfredo Roca são trazidos pela importadora Casa Flora / Porto a Porto com praticamente toda sua linha.

Alejandro Roca e seu Preciado!!!

Em retribuição à acolhida convidamos a Familia Roca para uma visita à Região das Hortênsias e lhe entregamos um kit com informações sobre a cidade de Canela e seus principais atrativos.

Jonas e Enzo entregando kit de Canela à Alejandro Roca.

No próxima blog estaremos postando nossas impressões dos vinhos degustados hoje ao longo do dia.

Grande abraço

Winefreaks.

 
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Publicado por em 27 de janeiro de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Sem categoria

 

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Felton Road Pinot Noir Cornish Point 2009: O Vinho Mestre da Nova Zelândia no próximo encontro dos Winefreaks

Como deve ser de conhecimento dos leitores do Blog, o tema do mês dos Winefreaks é a Nova Zelândia e, em todos os encontros temos aquele vinho que é o ícone da noite, o expoente. Nada melhor portanto que um dos novos e mais cultuados Pinot Noirs de vinhedo único da Vinícola Felton Road.

O Cornish Point é um vinhedo de exposição norte – o primeiro a ser colhido em Felton Road. Combina taninos abundantes, mas incrivelmente sedosos, com exuberantes notas de frutas negras. Com algum tempo em garrafa, o Pinot Noir de Cornish promete ficar muito complexo e cativante, com ainda mais finesse. Robert Parker, que classificou a safra 2009 com 93 pontos, falou o seguinte do vinho como “muito equilibrado – simplesmente fresco e delicioso”. Uma verdadeira raridade… de minúscula produção.

Produtor: Felton Road
País: Nova Zelândia
Região: Nova Zelândia
Safra: 2009
Tipo: Tinto
Volume: 750 ml
Uva: 100% Pinot Noir
Vinhedos: Uvas provenientes de um vinhedo único denominado Cornish Point, localizado em Bannockburn, Otago Central.
Vinificação: Tradicional com longa maceração para extração de tanino e cor.
Maturação: 11 meses em carvalho francês.
Temperatura de Serviço: 16 a 18ºC
Teor Alcoólico: 14,5%
Corpo: —
Sugestão de Guarda: Mais de 10 anos
Combinações: Ótima companhia para pratos elaborados com pato e carnes em geral.

Avaliações:

Stephen Tanzer’s International Wine Cellar – 91 pontos

Decanter – 5 estrelas

Wine Enthusiast – 91 pontos

Wine Spectator – 91 pontos

 
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Publicado por em 7 de novembro de 2011 em Dicas, Notícias, Novidades

 

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Vinhos feitos com a uva Pinot Noir: Com o que combinam???

Aproveitando que estamos no mês da Nova Zelândia aqui no blog dos Winefreaks vamos tratar da harmonização de uma das uvas emblemáticas desse país – a Pinot Noir – que encontra em algumas das regiões desse território um dos poucos terroirs que conseguem produzir vinhos realmente bons além da Borgonha.

Pinot Noir: eita uvinha complicada!!!!

Os vinhos feitos dessa uva são objeto de discussões acaloradas entre os entusiastas do vinho, por produzir vinhos incivelmente elegantes e muito delicados nos aromas e sabores nos bons casos e, nos casos ruins produzir vinhos completamente sem graça. Além disso, em geral tem um custo elevado, mesmo nos casos de rótulos duvidosos.

Considerando que teremos bons representantes entre os neozelandeses, vou buscar auxiliar o nosso Chef Guilherme Sperry (que será novamente o responsável pelo menu confiança da noite) na busca de algumas harmonizações interessantes.

Nas entradas:

Nessa parte é bem tranquilo…os vinhos de Pinot Nois combinam extremamente bem com quase todos os embitidos, com os queijos amarelos não muito fortes além das azeitonas e do foie gras.

Nas Saladas:

O Pinot Noir é um dos poucos vinhos que consegue combinar bem com espinafre (de toda forma, melhor tê-lo como ingrediente e não como o principal – acrescentar manteiga e/ou parmesão ajuda bastante dando mais equilíbrio. Evitar saladas com muito tempero e dosar bem o vinagre é essencial.

Nos Pratos Principais:

Salmão, Pato, Cordeiro, Porco, Carnes bovinas leves e sobretudo aves de caça combinam muito bem com a Pinot Noir, mas cuidado com o tempero e os molhos muito elaborados… o Coq-au-Vin (frango cozido ao vinho – prato típico da Borgonha) casa como uma luva com vinhos dessa casta.  Gosto muito também com um Boeuf a bourguignon…mas só no caso de vinhos realmente bons!!!!

Pato e Pinot Noir...uma combinação incrível!!!

Para os amigos de minas e do Centro-Oeste, uma Galinha com Pequi é ótima pedida. Para quem está na Serra, é perfeito para companhar os fondue de carne e queijo.

Fondue e Pinot Noir...combina e muito!!!!

Agora é só testar as opções e nos relatar aqui no blog….Bom apetite!!!!

 
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Publicado por em 3 de novembro de 2011 em Dicas, Notícias, Técnicas e conceitos

 

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Quer saber como combinar queijos e vinhos? Os Winefreaks te mostram o que fazer…

Na semana passado, um grande amigo, o Bruno Wendling me enviou a seguinte mensagem no Facebook:

– Chardonnay com um Grana Padano, boa pedida Enzo Arns?! Gostei…

Fiquei imaginando a bela combinação de um Chardonnay jovem, com suas frutas em profusão e um pouco de madeira, com um queijo de textura granulosa e com um sabor muito característico: fresco, frutado e um pouquinho doce. É um casamento muito interessante por conta da semelhança no sabor frutado e no final de boca entre o sabor pronunciado do queijo e a madeira do vinho…pra fechar, uma acidez leve para melhorar a relação do queijo com a lingua.

Falando em casamento perfeito...olha o do Bruno aí!!!!

Falando em casamento...olha o do Bruno aí!!!

Depois de ficar com água na boca, resolvi escrever um pequeno texto com algumas sugestões bem pessoais sobre alguns bons casamentos entre os queijos e os vinhos mais comuns no nosso dia-a-dia, buscando sair das indicações muito tradicionais e da linguagem muito rebuscada que vocês encontrarão em diversos artigos.

Além de muito prático, combinar vinhos e queijos pode ser uma forma muito rápida e simples de se ter um delicioso menu para uma noite com a família e amigos sem muito trabalho e com diversas opções de casamentos incríveis. Além desses dois ingredientes, basta incluir alguns pães, frutas e/ou saladas e o banquete estará pronto!

Precisa de algo mais? Um banquete rápido e fácil de fazer com queijos e vinhos.

A escolha dos complementos tem suas razões. Por serem neutros na boca, os pães preparam a boca para saborear diferentes tipos de vinho. Já as frutas frescas como a maçã, uva e morango, bem como as secas (damasco, figo e amêndoa) embelezam a mesa e multiplicam as sensações no paladar. Tudo gostoso e extremamente fácil. Somente para ajudar nos cálculos, de modo geral, meia garrafa de vinho e cerca de 300 g de queijo por convidado são suficientes.

Entretanto, combinar queijos e vinhos requer alguns cuidados pois o sabor de um não pode anular o do outro e sim melhorar e, como esse é um blog de vinhos, vamos organizar as coisas à partir deles:

Sauvignon Blanc, Riesling e Alvarinho (os brancos leves e ácidos): Os vinhos dessas uvas terão bom relacionamento com queijos mais leves, especialmente as versões frescas (pra ser mais específico, sugiro um queijo de cabra…eu acho um casamento perfeito!!!). Outras boas pedidas são a ricota e a mussarela de búfala. Experimente ainda os mais gordurosos como os tipos gouda e estepe, que, em geral, vão  melhorar o sabor dos vinhos dessas castas.

Chardonnay, Gewürztraminer, Pinot Grigio e Chenin Blanc, (os brancos mais encorpados): Esses vinhos são aqueles cheios de classe e, sobretudo personalidade. Para tanto precisam casar com queijos de paladar acentuado, a exemplo do tipos brie, camembert e cheddar.

Shiraz, Chianti e Barolo:Os vinhos robustos elaborados com essas uvas pedem queijos duros e de aroma forte, como parmesão e pecorino.

Adocicados, os queijos gruyère e emmental combinam com os tintos Bardolino e Barbera. Com menos tanino (a substância responsável pela sensação de adstringência na boca), os vinhos derivados da uva Pinot Noir acompanham com maestria o edam e o queijo estepe.

Vinhos do Porto: Queijos como gorgonzola, roquefort e camembert fazem bonito junto a um vinho do Porto Ruby (tinto de sabor intenso) ou a um Porto Tawny (com aroma de madeira).

Vinhos de sobremesa: Adocicados, fazem sucesso quando associados aos queijos de pasta azul, como roquefort e stilton. No caso, os contrastes valorizam a mistura e equilibram as texturas: o salgado de um se contrapõe ao doce do outro, e a acidez da bebida evidencia a cremosidade dos queijos.

Resumindo, queijos e vinhos, fazem um casamento perfeito!!!

 
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Publicado por em 28 de outubro de 2011 em Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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