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Arquivo da tag: Poesia

Um pouco de pieguice…minha modesta visão do mundo dos vinhos.

Feriado de 15 de novembro…estou em um pedaço do paraíso em Canela-RS, no Ecoparque Sperry, rodeado de natureza, amigos, ótima comida e…vinho. Não sei se por conta do efeito do álcool ou por conta da música ambiente, mas lembrei-me de uma frase do poetinha e resolvi escrever um pouco sobre a minha relação com o vinho.

O Poetinha e seu fiel cão engarrafado.

Vinícius de Moraes, (meu poeta brasileiro predileto – pelo que escreveu e, sobretudo, pelo que viveu) certa vez disse: “O Whisky é o melhor amigo do homem…é o cão engarrafado” ou algo parecido. Concordo, afinal o cão é aquele que sempre está ao teu lado, o que nunca te decepciona, aquele que te consola nas noites solitárias.

Após tantos anos relacionado intimamente com os vinhos (desde minha iniciação efetiva, fomentada pelo meu guru nos vinhos e na vida: Sérgio Del Porto), posso dizer sem sombra de dúvida que ele não se encaixa no perfil do cão amigo…(só quem já teve a grande decepção de abrir um caro Borgonha e descobrir que seria melhor ter comprado aquele vinho chileno da promoção sabe do que estou falando…rs). Além disso, o vinho se divide em tantas nuances de humor, corpo e aromas que se assemelha mais a uma mulher em plena crise deTPM.

Vinhos e mulheres...complexas e inconstantes.

Mas então, porque essa bebida provoca tantas emoções e é tão difundida em todo o mundo? Existem milhares de respostas possíveis, mas, na minha modesta opinião, pode ser resumida em 2 grandes e extremamente significativas razões:

A primeira é que, ao contrário dos itens de desejo geralmente colecionados e buscados por apaixonados (livros, discos, selos, miniaturas, sapatos, relógios, etc), os vinhos só existem de fato após serem abertos, ou seja, só podemos “colecionar” as impressões após abrí-lo.

A segunda e não por isso, menos importante é que, à semelhança de algumas formas de arte (como a música por exemplo), os vinhos são formas interessantes de correlacionamento com fatos importantes da vida. É muito comum por exemplo, relacionar o momento em que determinado vinho foi provado com um local, com os bons amigos, com sentimentos e sensações específicos…ou seja, o vinho reforça nossa relação com os momentos mais importantes da nossa vida.

Lembro-me claramente do ótimo Ribeira del Duero que fez parte do jantar em que propus noivado à Luiza e, não me esquecerei jamais de meu primeiro Chablis e do meu Bourdeaux preferido.

Portanto, apesar de minha devoção ao Vinícius, vou dizer que prefiro uma relação inconstante e apaixonante de uma parceria com o vinho à amizade sempre fiel do bom e velho whisky. E, pra fechar com poesia, aqui vai uma de Neruda…

“ODE AO VINHO”

Pablo Neruda

Vinho cor do dia
vinho cor da
noite
vinho com pés púrpura
o sangue de topázio
vinho,
estrelado
filho
da terra
vinho, liso
como uma espada de ouro,
suave
como um
desordenado veludo
vinho encaracolado
e suspenso,
amoroso,
marinho
nunca coubeste em um copo,
em um canto, em um homem,
coral,
gregário és,
e quando menos mútuo.

O vinho
move a primavera
cresce
como uma planta de alegria
caem muros,
penhascos,
se fecham os
abismos,
nasce o canto.
Oh tú, jarra de vinho, no deserto
com a
saborosa que amo,
disse o velho poeta.
Que o cântaro do vinho
ao peso
do amor some seu beijo.

Amo sobre uma mesa,
quando se
fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que
recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de
púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e
aprenda o homem obscuro,
no ceremonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.

 
2 Comentários

Publicado por em 15 de novembro de 2011 em Bobagens, Dicas, Notícias

 

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Luiz Fernando Veríssimo falando sobre vinhos…esse é Winefreak!!!

” Já disse mais bobagem sobre vinhos do que sobre qualquer assunto, com a possível exceção do orgasmo feminino e da vida eterna.Isto porque é impossível transformar em palavras as qualidades ou defeitos de um vinho, ou as sensações que ele provoca, assim como é impossível, por exemplo, descrever um cheiro e um gosto. Tente descrever o sabor de uma amora. Além de amplas e vagas categorias, como “doce”, “amargo”, “ácido”, etc., não existem palavras para interpretar as impressões do paladar. Estamos condenados á imprecisão ou ao perigoso terreno das metáforas. Tudo é literatura. ”

Luis Fernando Veríssimo

Sobre a dificuldade de descrever as sensações proporcionadas pela degustação do vinho.

 
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Publicado por em 10 de outubro de 2011 em Bobagens, Notícias, Novidades

 

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Poeminha do Quintana…

 “O espírito é variável como o vento…

Mais coerente é o corpo, e mais discreto.

Mudaste muita vez de pensamento,

Mas nunca de teu vinho predileto…

Mário Quintana

 
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Publicado por em 7 de outubro de 2011 em Bobagens

 

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