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A saga dos winefreaks – San Rafael parte 2

Dando sequencia a nossa visita a Bodega Alfredo Roca, vamos falar um pouco da degustação a qual fomos conduzidos por Alejandro Roca. Passamos por uma verdadeira Maratona provando rótulos maravilhosos.

Abrimos os serviços com um vinho branco muito interessante. Alfredo Roca Tocai safra 2011. Esta cepa oriunda das regiões norte da Itália pode produzir vinhos muito refrescantes e ótimos para o verão. Este da Bodega Roca de coloração amarelo esverdeado muito claro apresentou nariz discreto com toques cítricos, manga, maracujá e flores. Sua boca confirma o nariz, discreto, acidez balanceada, na verdade baixa, mas com um final de boca bem agradável. Apresentou um toque herbáceo bem interessante. Nada excepcional, mas um branco a ser conhecido.

Nosso segundo vinho foi o primeiro time freezing do dia. Alfredo Roca Chardonnay Dedicacion Personal safra 2010. Lindo, amarelo palha com toques dourados já mostrando sua breve passagem por roble americano. Frutas brancas, banana, pêssego, damascos secos, creme de baunilha. Primeiro momento o carvalho ainda estava saliente demais mas após alguns minutos de aeração seus aromas primários vieram a tona. Lindo. Na boca só melhorou, grande untuosidade mas muito bem balanceada com sua veia ácida, volumoso, rico, grande final de boca. Este deve ser degustado por todos que admiram um belo branco.

Alfredo Roca Merlot Rose safra 2011. Já conhecia esta vinho das safras 2009 e 2010, mas confesso que não me impressionava muito. Esta safra 2011 veio com uma proposta completamente diferente. A sensação é que estávamos degustando um verdadeiro Provence Rose. Sua cor esmaecida, casca de cebola já indicava um vinho bem vinificado. Nariz com aromas muito sutis de pétalas de rosas, frutas vermelhas e um toque de cassis. Na boca perfeito, frescor, jovialidade, leve amargor no final de boca tão esperado, muito bom, excelente surpresa. Arrisco-me a dizer que foi um dos melhores roses sul americanos que degustei nos últimos tempos.

Alfredo Roca Merlot safra 2010. Chegamos aos tintos, iniciamos com um vinho de médio corpo da linha intermediária Roca. Um merlot varietal bem típico com toques de frutas negras, mentolado e final aromas levemente defumados. Na boca justo, não impressionou o grupo mas não apresentou nenhum defeito. Um merlot para se degustar sem grandes pretenções. Um tinto para a hora do almoço.

Alfredo Roca Syrah safra 2010. Aqui chegamos num belo exemplar, não e um vinho de alta gama mas apresentou grande tipicidade de aromas e boca. Aromas de ameixas negras cozidas e um toque de carvalho e mentol. Na boca impressionou, complexo, volumoso, um tinto para se tomar com um belo entrecot gorduroso.

Alfredo Roca Pinot Noir Reserva de Família safra 2008. Aqui tivemos nosso segundo time freezing, grande vinho, aromas de arándanos, frutas vermelhas, pétalas de rosas, um lindo Pinot Noir da Argentina, bela acidez, nada daqueles Pinots carregados provenientes da Argentina  que degustamos algumas vezes. Sua passagem pelo roble apenas enalteceu suas virtudes, não mascarou em nada suas características primárias. Um excelente Pinot Noir.

Alfredo Roca Cabernet Sauvignon Dedication Personal safra 2010. Bom tinto mas nada impressionante, aromas mentolados, toques herbáceos e pouco intenso. Na boca um vinho quente, robusto com taninos bem balanceados. Final de boca não muito longo, mas agradável. Ótimo para se tomar com uma carne assada.

Alfredo Roca Tempranillo Reserva de Familia safra 2009. Excelente tinto, violáceo em sua cor, média intensidade, nariz animal, estava reduzido logo que foi servido mas após alguns minutos abriu-se para revelar-se com um belo nariz, toques de couro e notas licorosas de complexidade. Na boca típico, taninos macios com um final de boca muito marcante. Incrível como os tempranillos argentinos estão se revelando belos vinhos.

Alfredo Roca Reserva de Família Malbec safra 2009. Que belo Malbec, roubou a atenção do grupo logo que foi servido, não adianta, mesmo que estejam aparecendo outras castas a Malbec não perde seu trono. Sua boca macia, aveludada, taninos domados, mas ainda sim sem se tornar pesada e insonsa. Este exemplar realmente se mostrou grande. Um belíssimo malbec de grande relação custo/qualidade.

Preciado 2001. Este vinho foi criado em homenagem a Alfredo Roca por seus filhos, em segredo. Um corte utilizando-se somente as melhores castas das melhores parcelas nas safras especiais. 2001, 2004 e 2006. O lançamento aconteceu em um evento em Buenos Aires onde Alfredo Roca ia ser homenageado e neste momento seus filhos trouxeram a garrafa para a cerimônia em surpresa. O resto é história.

AlejandroRoca e a estrela do dia...

Um corte 50% Malbec / 30% Syrah / 20% Cabernet Sauvignon. Apesar deste vinho já ter uma história linda e falar por si só, estava perfeito na taça, toques granadas de evolução, incríveis aromas de frutas vermelhas cozidas, geléias e licores. Na boca era pura complexidade, apesar de estar pronto para ser bebido ainda pode amadurer um bom tempo em garrafa. Incrível, sem dúvidas o “time freezing” do dia. Valeu a visita.

Terminamos a degustação no restaurante La Fusta com um dos melhores lomos, entrecotes e choriços da viagem, simplesmente perfeito, tudo acompanhado de um excelente Pinot Noir Reserva de Família safra 2006.

Que dia…

 
 

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Encontro freak: Nova Zelândia

Esta semana tivemos mais uma grande reunião dos winefreaks e nosso tema da vez foi a Nova Zelândia. Fizemos uma longa pesquisa até chegarmos aos vinhos escolhidos, tenho de dizer que tive algumas decepções e outras surpresas maravilhosas. Antes de falarmos dos vinhos quero deixar meus parabéns ao chef Gulherme Sperry que nos recebeu em seu restaurante Bergamota do Ecoparque Sperry. Como da última vez nos surpreendeu com a escolha e preparo dos pratos. Desde as entradas, uma mescla de bruschettas com tapas cobertos com uma caponatta maravilhosa, seu prato principal a base de salmão para harmonizar com os vinhos e a sobremesa com tendencia thai fusionada com ingredientes brasileiros foi simplesmente demais.

Bem, vamos falar um pouco dos vinhos da noite. Iniciamos com um espumante (Sparkling wine) Sileni Cellar Selection / Hawke’s Bay. Os espumantes deste país não tem grande destaque, apesar de terem alguns produtos interessantes com certeza não é seu forte, este realmente não impressionou, nada de errado, mas fica atrás de muitos bons espumantes nacionais. O interessante deste foi após algumas horas na taça, evolui para aromas licororos impressionantes, mesmo já sem gás carbônico convidava para um gole deste licor. Média de preço de R$ 70,00, importado no Brasil pela Mistral

Na sequencia passamos para um branco, Kumeu River 2008 Village Chardonnay – River Mates. Sempre que falamos em brancos da Nova Zelândia pensamos em um Sauvignon Blanc crocante, e com razão, estão entre os melhores do mundo, mas queríamos provar algo diferente então fomos atrás deste Chardonnay. A Kumeu River é conhecida por produzir os melhores Chardonnays da NZ ano após ano, contudo este não nos conquistou totalmente. Um vinho bom, nariz discreto, mescla de frutas brancas com pomelo, sem passagem por carvalho. Na boca ótimo equilíbrio, sem defeitos, faltou-lhe um pouco de acidez para sustentar seu álcool, final de boca curto mas agradável. Não vejo este vinho acompanhando muitos pratos devido a seu corpo fácil. Preço de mercado na faixa dos R$ 100. Importado pela Mistral

Seguindo nos brancos chegamos no forte deste país, os Sauvignon Blancs, como não poderia ser diferente degustamos um caldo maravilhoso. Greywacke Wild Sauvignon Blanc 2009 / Marlborough. este vinho produzido pela enóloga Kevin Judd mostrou-se um belo exemplar, não muito comun para os Sauvignon, este passou por um estágio rápido de carvalho de segundo e terceiro uso, passando uma complexidade interessante a sua acidez característica. No nariz grandes aromas, iniciou com frutas brancas frescas, lichia e maracujá e evoluiu para aromas mais complexos e adoçicados, caramelo queimado e creme de baunilha. Não muito intenso, mas elegante. Sua boca confirmou o nariz, muito gatronomico, vale a pena conhecer. Importado pela Porto a Porto custa na casa dos R$ 130,00

Seguindo nosso caminho pelos brancos caimos numa proposta diferente, um Riesling. Graggy Range Single Vineyard / Glasnevin Gravels / Wairapa – safra 2008. Este é um Riesling vinificado ao estilo dos Alsacianos, com um açúcar residual beirando quase as 30 gr/l. Um grande vinho, esta doçura final cria um balanço incrível com sua acidez marcante, muito amplo com um final de boca longo e marcante. No nariz é discreto, até senti falta de mais intensidade, aromas herbáceos, alecrim, grama cortada. Um vinho a ser degustado. Importado pela Decanter custa algo em torno de R$ 140,00

Partimos agora para os tintos, tivemos um duelo de titãs, dois grandes Pinot Noir. Iniciamos com um vinho da Martinborough Vineyard, o Te Tera Pinot Noir safra 2009. Resolvemos por este vinho no encontro pois a pouco tempo em uma degustação internacional dos maiores Pinots do mundo este vinho bateu nada menos do que o La Tache! Um vinho de R$ 200 a garrafa batendo a cega um vinho de R$ 3.000. Tenho de dizer que fiquei realmente impressionado com o que degustamos, sem sombra de dúvidas um dos maiores Pinots que tomei nos últimos dias, e estou colocando muitos Borgonhas nesta comparação. Este é um daqueles caldos para se ter uma caixa na adega e ir tomando uma garrafa de tempos em tempos. Perfeito. Importado pela Mistral.

Na sequencia provamos outro grande Pinot da região de Central Otago da Vinícola Felton Road, seu Cornish Point 2009. Mais opulento que o Te Tera, mais ao estilo Novo Mundo, um grande vinho, rubi característico, aromas de frutas vermelhas cozidas e um toque de terra molhada. Boca ampla, com acidez marcante e muito frescor, alcool bem marcado. Particularmente ainda fiquei com o Te tera.

Que grande encontro, para os apaixonados por grandes brancos e a feminilidade e elegância de um grande Pinot, a NZ é um país a ter seus vinhos explorados.

Um grande abraço e vida longa aos Winefreaks.

 
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Publicado por em 12 de novembro de 2011 em Dicas, Novidades, Sem categoria

 

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Vinho e Cinema em perfeita harmonia em Gramado – RS

Na última quinta-feira, 20 de outubro, alguns dos winefreaks participaram de um evento muito interessante organizado pela importadora Porto a Porto, a Casa Flora e a Enoteca San Tao. Nele, o jornalista e especialista em vinhos Marcelo Copello apresentou grandes vinhos de diversas castas e nacionalidades e procurou relacioná-las como estrelas de cinema, além de apresentar um pouco do que já foi produzido sobre vinhos em filmes e documentários.

Da esquerda para direita, o Sommelier e Winefreak Cristiano Ribeiro, o Gerente da Porto a Porto Hugo Sola Jr. e o Palestrante Marcelo Copello.

O jantar temático foi uma forma muito interesante de promover grandes vinhos em um clima muito leve e sem a pompa que um evento padrão de degustação possui.  Fomos recebidos logo no hall de entrada com uma Cava Don Román, feita das uvas Macabeo, ParelladaXarello, com uma bela cor palha com reflexos dourados e o tipo de perlage abundante que tanto me atrai em um bom espumante…aromas de frutas citricas como pêra e abacaxi preparavam-nos para a bela acidez de boca com alguma untuosidade e um final cítrico e frutado com boa persistência.

Enquanto Marcelo mostrava os atores e diretores que estavam envolvidos com o mundo dos vinhos, como Copolla e Gerard Depardieu, recebemos um belo Chardonnay americano, o Ironstone Reserve 2009 – que foi muito bem harmonizado com uma salada de folhas verdes com lascas de Grana Padano aromatizado com ervas de Provance. Podemos realemente enquadrá-lo como um clássico Chardonnay da Califórnia, apresentando aromas minerais extremamente marcantes, além de uma gama de frutas tropicais e um fundo de caramelo e manteiga…realmente me conquistou!!! Na boca mantém aquela untuosidade e o frutado,com ótimo retro-gosto e boa persistência.

Mesclum de verdes com Gran Padano acompanhado de um belo Chardonnay

Daí pra frente só tivemos boas novas…Juntamente com a chegada do segundo prato, um Robalo com crosta crocante de castanhas de cajú, manteiga de alcaparras e um delicioso purê de mandioquinha, recebemos um Pinot Noir da Nova Zelândia muito interessante – o One Tree – 2008 de Central Otago com uma bela cor rubi, muito brilhante, com aroma de frutas vermelhas in natura ( eu e o Jonas encontramos moranguinhos e algo como amoras ainda meio maduras) com um toque muito sutil de ervas e flores. Na boca presentou um corpo condizente com a uva, boa acidez e taninos bem delicados, reforçando sobretudo as frutas no retrogosto. Boa pedida para pratos leves e para o calor que está por vir…

Robalo com crosta de Castanhas e purê de mandioquinha muito bem acompanhado pelos vinhos

Entre os pratos chegou o Chateau Haura – 2005 , um Bordeaux de incrível custo x benefício que não deixa nada a desejar aos vinhos da região muito mais caros…de coloração rubi, deliciosos aroma frutado muito integrado com a madeira tostada no ponto que só os grandes vinhos do velho mundo possuem e um discreto café de fundo. O corte parece ter um toque muito interessante da uva Merlot, resultado mostra claramente a mão do renomado Pierre Dubourdieu, produtor destacado na região de Graves. Na boca tem taninos macios e muito delicados da Cabernet sauvignon e o corpo dado pela Merlot. Retrogosto com acidez muito interessante e fruta. Venceu como o mais elegante da noite…vou comprar algumas garrafas!!! Tem 12,5% de álcool.

A mesa brilhando com as estrelas da Degustação da Porto a Porto e Casa Flora em Gramado-RS

Daí pra frente somente Blockbusters…nada menos que um Marquês de Tomares Reserva – 2005 advindo de belas garrafas Magnun de 1,5 litros…para muitos (não para os winefreaks…) o grande vinho da noite. De cor rubi muito intensa (aquela cor de telha novinha nos refexos…) Seus aromas são complexos e intensos, com muita fruta em compota, especiaria, notas animais (colaboração do Jonas)  e baunilha. Na boca um tijolão!!! Se mostra bastante complexo, com ótimos taninos e reforço das impressões de frutas maduras combinadas com um fundo tostado típico…Possui grande persistência na boca…

Para saber mais: Vinhedos com mais de 25 anos. Produção máxima de 5.000 kg por hectare. Uvas 100% desengaçadas. 30 dias de maceração, com duas remontagens diárias com 1 hora de duração cada. Estágio de 24 meses em barricas de carvalho americano, com trasfegas a cada 6 meses. Descanço de 24 meses na garrafa (mínimo) antes da comercialização. Tempranillo (85%), Mazuelo (10%), Graciano (5%) Malbec

Todos os vinhos tranquilos da noite juntamente com o Filé com Risoto de Funghy Porcinni

O último tinto tranquilo foi o nervoso Cadus 2007 – somente o preferido de Parker entre os vinhos argentinos – direto de Luján de Cuyo – Mendoza, o vinho da uva Malbec, que espera 24 meses em barricas novas de carvalho françês não decepcionou os mais de 30 empresários presentes. De cor rubi mais que intenso com reflexos violáceos, aromas muito encorpados de frutas escuras, com baunilha e tostados, na boca, uma pancada…muito corpo, frutas muito maduras num retrogosto incrível, boa acidez, taninos extremamente finos com final harmônico de muuuita persistência…matador!!! Somente 15,5% de alcool…Harmonizou como uma luva com o Tournedor de filé com risoto de funghy porcinni…

Esse carrinho eu queria todo dia lá em casa!!!!

Pra fechar…e olha que nós já estávamos nos entregando!!! Um Madeira Justinos 10 anos para acompanhar o brownie diferente de amêndoas folhadas ao sorvete de baunilha negra…Combinação incrível de doçura e mineralidade…recomendo aos novatos e conhecedores!!!

Depois de tantos vinhos e comidas incríveis o gran finale vem com a sobremesa e o Madeira.

Ficam aqui nossos agradecimentos pelo convite ilustrados pela foto do Chef da noite com o Cris…Saúde!!!

 
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Publicado por em 24 de outubro de 2011 em Dicas, Notícias, Novidades

 

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