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Uruguai – Dia 2 – Pizzorno: Uma bodega de família

Toda viagem Freak aguarda este momento, quando encontraremos o primeiro produtor de alma e coração, isto aconteceu no sábado pela manhã quando chegamos a Bodega Pizzorno. Ainda não tínhamos degustado estes vinhos e fizemos o contato diretamente pelo email da Vinícola. Quando chegamos, Carlos Pizzorno, um dos proprietários e enólogo já nos esperava na porta. Muito sorridente, marca dos uruguaios, nos recepcionou calorosamente e partimos diretamente para um passeio pela bodega.

Carlos Pizzorno esbanjando simpatia!!!

A Bodega Pizzorno está localizada na ruta 32, Km 23, próximo a Montevideo, seus vinhos são trazidos ao Brasil pela importadora Grand Cru. É uma vinícola relativamente pequena com uma produção anual em torno de 140.000 garrafas. Sua primeira safra aconteceu em 1999 e está na 3ª geração de produtores sob a tutela de Carlos Pizzorno. Vinificam uvas brancas e tintas, sendo das primeiras a Sauvignon Blanc e a Chardonnay e das tintas Tannat, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Cabernet Franc e Arinarnoa.

A bela vista da entrada da bodega Pizzorno.

Ao invés de irmos diretamente para a sala de degustação, Carlos e Marcelo – enólogo que nos acompanhou, nos conduziram por uma das experiências mais importantes que vejo em uma bodega, para a sala de barricas e inox para provar amostras de tanques. Isto é extremamente importante pois podemos avaliar o potencial de vinhos ainda em formação para depois comparar com os vinhos já engarrafados. Isto nos dá um panorama incrível do trabalho sendo feito em uma vinícola. Uma pena que muitas bodegas não tenham esta visão.

A pequena e funcional sala de barricas da Pizzorno, onde iniciamos nossos “trabalhos”com os vinhos que ainda estão sendo lapidados para o mercado.

Iniciamos com uma amostra de barrica de um Pinot Noir safra 2012. No momento estava com 6 meses de contato com o carvalho. Ainda em evolução, mostra bom potencial, como não poderia deixar de ser, os aromas e taninos do carvalho estavam marcados mas muito bem integrados. Não foi uma safra tão boa como a de 2011 mas pode surpreender.

O enólogo Marcelo sacando das barricas a primeiras amostras para os Freaks.

Passamos para uma amostra de barrica de um Arinarnoa safra 2011. Este já estava com 12 meses de carvalho de segundo uso, uma belíssima amostra, em minha opinião já estava pronto, opinião que Marcelo confirmou pois logo iriam engarrafar. Muito bom, nariz muito difuso pela presença da barrica mas na boca mostrava-se pleno, os taninos desta casta muito saborosos tudo em perfeito equilíbrio. Tenho curiosidade de ver este tinto depois de pronto.

Passamos para amostra de barrica nº 116 / 220. Um Tannat safra 2011 com 15 a 16 meses de carvalho novo. Neste caso barricas de carvalho húngaro. Muito complexo, as características duras da Tannat estavam bem domadas aqui, um tinto gordo e carnoso.

Amostra de barrica nº 115 / 220. As mesmas uvas Tannat que deram origem ao lote nº 116 foram utilizadas neste varietal, contudo ao invés de carvalho húngaro foi utilizado carvalho americano. Incrível como estavam diferentes, é impressionante notar a influência de diferentes carvalhos no mesmo vinho. Este tinto estava mais nervoso, com seus taninos mais marcados. Ao longo desta viagem algo que ficou marcado é que o carvalho americano casa melhor com a Tannat, as barricas francesas parecem ser muito elegantes para domar a Tannat.

Amostra de barrica nº 110 / 220. Um Tannat safra 2012 de outro vinhedo das amostras 115 e 116. Carvalho americano com 12 meses até o momento. Um tinto ainda em franca evolução, mais alguns meses de caravalho podem lhe fazer muito bem.

Passamos para a sala de degustação para iniciarmos com os vinhos prontos e no mercado:

Pizzorno Brut Nature. Espumante corte de Chardonnay e Pinot Noir com 24 meses de autólise, contato com as leveduras, um espumante amarelo esverdeado com toques mais marcados palha. No nariz aromas bem discretos e típicos da Chardonnay, maçã e abacaxi. Na boca achei o primeiro ataque um pouco grosseiro, faltou frescor e cremosidade. Bom volume de boca e final levemente amargo mas muito saboroso.

Don Próspero Sauvignon Blanc 2012. Já havíamos provado o Reserva da Pizzorno e ficamos muito impressionados com a qualidade daquele. Provamos aqui a linha de entrada. Visualmente perfeito, muito claro e esverdeado, no nariz notas cítricas, abacaxi ainda verde, maracujá. Na boca acidez bem controlada, não é um branco muito potente mas sem defeitos com aquela crocância gostosa da Sauvignon.

Don Próspero Tannat Beaujolais 2012. Aqui uma proposta completamente diferente, vinificaram a Tannat ao estilo dos Beaujolais através de uma maceração carbônica. Tenho de confessar que fiquei impressionado com o resultado final, um tannat leve, frutado, para ser bebido um pouco mais gelado, se a moda pega…

Don Próspero Tannat + Malbec 2011. Neste corte o Tannat não passa pelo carvalho, o Malbec passa 6 meses por carvalho francês e americano. Um tinto fácil, estilo mais comercial, notas de chocolate, cacau. Na boca é incrível como a Malbec amaciou o Tannat deixando um vinho muito mais aveludado. Confesso que de olhos fechados diria que estava mais próximo a Argentina pelo estilo.

Pizzorno Tannat Reserva 2010. 12 meses de barricas francesas, americana e húngara. Parcelas afinadas separadamente nas barricas e depois cortadas. Em minha opinião um dos melhores Tannat da viagem. Visualmente fechado, negro, no nariz o chocolate e o café saltam com força. Na boca incrível, grande volume  e corpo, taninos muito saborosos, apesar de estar muito redondo não perdeu aquela força e rusticidade tão esperadas da Tannat. Vale a pena conhecer este.

Pizzorno Tinto Blend 2010. Um corte de 60% Tannat (12 meses de carvalho americano + húngaro) 30% Cabernet Sauvignon + 10% Merlot (12 meses barricas francesas). Após o corte final afina por mais 6 meses em barricas francesas. Faço a mesma alusão ao Tannat anterior, grande tinto, muito bem elaborado, perfeita sinergia neste corte, boca muito rica e volumosa, muito gastronômico.

Primus 1 safra 2006. O Top da vinícola, um corte de 50% Tannat + 25% Cabernet Sauvignon + 20% Merlot + 5% Petit Verdot. 24 meses de afinamento em barricas novas francesas. Potência é o sobrenome deste vinho, num primeiro momento ainda fechado no nariz, não foi decantado e segundo o próprio Carlos foi um erro, disse que teriam de ter aberto este vinho pelo menos umas 2 horas antes no Decanter. De qualquer forma um grande tinto, musculoso, denso, a Tannat se expressando aqui de forma gigantesca, gostei bastante.

Nossos agradecimentos especiais a Carlos e Marcelo pela incrível recepção que tivemos, sem sombra de dúvidas esta bodega entrou na lista de lugares a serem visitados na próxima ida ao Uruguai.

Os belos exemplares dos “Pizzornos” enfileirados após a degustação…que maravilha!!!

Abraço e até nosso próximo post.

 
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Publicado por em 11 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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Primeiro dia de visitas em Montevideo parte 2.

Após uma sessão de degustação na Bodega Carrau tínhamos uma visita um pouco diferente agendada. Na tentativa de agendar uma visita a Narbonna, um novo empreendimento criado no Uruguai com o intuito de produzir vinhos boutique de altíssima gama, fomos contatados por sua responsável pelas exportações, Fabiana Bracco, para degustarmos toda a linha de vinhos na loja Vinos del Mundo no bairro de Pocitos em Montevideo.

A Bodega Narbona tem sua sede principal e vinhedos em Puerto Carmelo, região oeste do Uruguai, mas também possui uma sede e vinhedos em Punta del Leste. Composto de um belo empreendimento turístico, o projeto vitivinícola recebe assessoria de Michel Rolland para seu vinhos. Passamos rapidamente pela sede em Punta del Leste e é impressionante, uma finca afastada do centro turístico, linda, com espaço para almoço, degustação de vinhos ou simplesmente jogar-se nas almofadas para curtir um final de tarde curtindo alguns queijos produzidos pela própria Narbona. Não deixem de degustar o Parmesão Narbona.

Como não tínhamos tempo hábil nesta visita para ir quase até Colônia de Sacramento fomos convidados para conhecer os vinhos em Montevideo.

Fomos muito bem recebidos por Fabianna e também por Soledade e Marcelo que conduziram uma degustação conosco de forma exemplar. Sorte que tivemos esta oportunidade pois em minha opinião provamos vinhos que em breve estarão entre os melhores do Uruguai.

Vamos inovar nesse post colocando não só as minhas impressões, mas também as do Enzo, que podem ser conflitantes, complementares ou dissonantes…esperamos que aproveitem:

Narbona Sauvignon Blanc 2012.

Cris: Um Sauvignon muito fresco e jovial, no visual aquele clássico amarelo prateado muito transparente, Nos aromas discreto, apresentando toques herbáceos, ervas frescas e um final tropical. Na boca não esperem um Sauvignon explosivo, cítrico e ácido, mas sim elegância, discrição, mais ao estilo de um bom Sancerre. Gostei muito, vale a pena conhecer.

Enzo: Um vinho quase transparente, de amarelo pálido, no nariz é bastante discreto, com um leve toque de frutas e ervas, na boca um fundo cítrico discreto, com uma ligeira mineralidade. Belo vinho para um domingo ensolarado.

Narbona Tannat Rose 2011.

Cris: Passamos para o que foi em minha opinião o melhor rosado uruguaio que degustamos até o momento. Particularmente tenho medo de rosados da uva Tannat, pelo excesso de cor e estrutura que pode passar ao vinho, prefiro os roses mais claros e frescos, contudo o ponto que chegaram a este foi incrível. Verdade que na cor se apresenta mais escuro, quase carmin, mas quando vem ao nariz percebemos o vinho que temos na taça, toques de frutas vermelhas, morangos, cassis, muito intenso e agradável. Na boca é incrível, aquela sensação que seu peso pode ser demasiado mas chegando no limite da força e ficando por aí, entrando então em cena sua veia ácida com grande equilíbrio. Um rose carnoso, saboroso, com grande permanência. Indico muito. Minha única ressalva é seu preço, pelo que calculamos pode chegar a ser vendido no Brasil a quase R$ 120.

Enzo: O Cristiano havia me falado muito bem do vinho, mas minha primeira impressão, pela cor, foi de que havia muita extração naquele caldo e que teríamos mais um daqueles rosés exagerados do Mercosul, mas, começando pelos belos aromas de cassis e frutas vermelhas frescas percebi que havia elegância nessa garrafa. Depois de um gole generoso me deparei com aquele azedinho-doce do morango, seguido de uma bela refrescância promovida pela bela acidez do vinho. A persistência ficou muito acima das minhas expectativas. Comprei uma botella e comprarei mais mesmo com o preço salgado.

Narbona Pinot Noir safra 2011.

Cris: Seguindo a tendência de belíssimos Pinots uruguaios este seguiu no mesmo caminho. Na cor, uma característica que defendo muito, a tipicidade, estava perfeito, coloração vermelho granada de média intensidade. No nariz um pouco fechado, sua breve passagem pelo carvalho aporta aromas de geléia de frutos vermelhos e aromas florais de rosas. Na boca os taninos do carvalho se notam brevemente mas sem exageros, boa fruta e acidez, muito saboroso. Um Pinot que necessita um pouco mais de trabalho mas acho que vai surpreender muito.

Enzo: Começou me agradando pela cor escarlate leve, tipica de um pinot noir do velho mundo. No nariz leve presença de groselha e um tiquinho de baunilha. Na boca reforça o toque das frutas ligada a uma bela acidez e persistência muito interessante. Um bom vinho, honesto, mas nada de incrível na minha opinião.

Narbonna Tannat Roble 2010.

Cris: Belíssimo Tannat, muito bem elaborado, um tinto de pegada, muito escuro e velado, no nariz aromas animais, couro, café, especiarias, ótima intensidade e permanência. Na boca lindo, duro, rústico, mas no ponto, taninos e acidez presentes mas muito bem balanceadas, mostrando um vinho com grande potencial de guarda. Este com certeza vai ser uma grande surpresa quando vier ao mercado.

Enzo: Tingido de escarlate, copo sujo pelo espesso caldo violáceo de aromas de chocolate amargo, pimenta e outras especiarias no primeiro ataque. Nova tentativa minutos depois e alguns tons de frutas muito maduras também aparecem pra compor esse mosaico. Na boca um nervosismo não totalmente domado que me encanta justamente por isso…um pitbull de coleira!!! Bela persistência e a acidez que já se mostra como uma assinatura da Narbona.

Narbonna Tannat Luz de Luna 2011.

Cris: Impressionante, imaginem o Tannat Roble mas mais elegante, menos potente e musculoso, um Tannat um pouco mais feminino, contudo sem perder aquela dureza tão esperara desta cepa. Sua utilização do carvalho foi um pouco menor que o Roble, o que particularmente gostei bastante.  Um tannat muito gastronômico para acompanhar um belo entrecot jugoso.

Enzo: Como disse o Lee, é o Godzilla engarrafado!!!!Muita cor…ainda uma criança na garrafa. No nariz um tom de fumo de corda e belas frutas negras em compota…taninos impressionantemente indomados com a classe que se pode esperar de um tannat de alta gama… precisa de algo muito especial para aguentar o repuxo em uma harmonização. Muito corpo, bela acidez e persistência impressionante. O vinho da noite!

Falando em comida, após a degustação tivemos a indicação de Fabiana para jantar em um restaurante próximo a loja chamado Francis, havíamos recebido esta mesma indicação de um cliente. Mas isto é assunto para o próximo post.

 
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Publicado por em 10 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Técnicas e conceitos

 

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Os Winefreaks no Uruguai – Primeira visita: Bodega Juan Carrau

Nossa primeira visita agendada foi à Bodega Carrau, distando cerca de 15 Km do centro de Montevidéu, ou seja, pertinho do nosso hotel. A Carrau é a vinícola mais antiga do Uruguai, e já está na 10ª geração de bodegueiros.Durante toda a visita fomos ciceroneados por Margarida, umas das proprietárias da Bodega. Com certeza uma das características de maior valor da Carrau é sua história. Conservam um documento precioso de 1752 onde Don Francisco Carrau Vehils compra a primeira vinha da família em Cataluña. E, 6 de fereveiro de 1783 o cartório confirma a veracidade que o vinhedo está em Vilasar de Mar, hoje incorporada ao corpo de Barcelona.

Em 1840, Juan Carrau Ferrés se dedica ao negócio do vinho e também aos livros de sua vinícola qu estão cuidadosamente guardados por seus herdeiros atuais. Seu neto Juan Carrau Sust se graduou em enologia em Villa Franca de Penades e transfere a família ao Uruguai. Juan Carrau chega com sua esposa Catalina Pujol e cinco filhos, entre estes Juan Francisco Carrau Pujol. Carrau Sust funda a bodega Santa Rosa que se desenvolve principalmente entre os anos 1930 e 1940. Juan Carrau tem 8 filhos entre eles, Javier e Francisco que hoje dirigem a bodegas Carrau.

Quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre a bela história da Bodega vale um passeio pelo website http://www.bodegascarrau.com , muito completo.

Documento centenário cita a aquisição das vinhas na Catalunha – Espanha no idos de 1752.

Hoje a Carrau possui dois empreendimentos, a Bodega Colón na região de Las Violetas em Canelones e um novo empreendimento em Cerro Chapéu, próximo a Rivera, onde construíram uma nova Bodega muito bem estruturada. Conversando com vários outros vinhateiros no Uruguai, muitos estão concordando que esta região está se destacando com uvas de excelente qualidade.

Vista parcial de um dos prédios da Bodega Carrau.

A capacidade de produção da Carrau está hoje em 1.200.000 litros ano, sendo 800.000 em Canelones e 400.000 em Cerro Chapéu. Após uma breve passeio pelas instalações da Bodega partimos para a degustação guiada com Margarida, vamos ver um pouco dos vinhos degustados.

Notas de degustação de Cristiano Ribeiro:

1º – Juan Carrau Sauvignon Blanc 2012 – Linha varietal. Vinho branco da linha de entrada, muitíssimo interessante, na verdade tivemos surpresas muito boas com esta cepa no Uruguai. Este da Carrau, muito esverdeado visualmente, tem aromas muito intensos de flores brancas, frutas tropicais e goiaba, tão aromático que num primeiro momento quase remete a um Torrontes riojano ou um Moscato. Na boca muito fresco e vivo, as notas de goiabas saltam com força aqui. Um branco leve para se tomar num dia de calor sem grandes compromissos. Trouxemos umas garrafas. Ainda mais que custa R$ 15 na Bodega.

2º – 1752 Branco safra 2010 – Corte de 90% Petit Manseng  e 10% Sauvignon Gris, a proposta da Carrau era criar um branco de uma linha super premium, passou 10 meses em barricas de carvalho frances novo, 100% do vinho. No visual amarelo palha mais marcado, no nariz salta frutas secas, especialmente damasco e figos. Também nota-se a passagem pela madeira através de algumas notas de baunilha fresca. Na boca primeiro ataque vigoroso, rico, um branco gordo, longo, apresentando um final de boca levemente tânico com bom amargor. É um branco interessante, contudo senti falta de uma veia ácida falando mais alto e não estou seguro que valha os R$ 70 cobrados na Bodega.

3º – SUST Vintage 2008 / Brut Nature. Um espumante vinifcado pelo método tradicional, corte de 50% Chardonnay e 50% Pinot Noir, fiquei impressionado com a qualidade deste espumante, no nariz aromas muito complexos, casca de pão, fermento, fruto branco muito maduro, confirma estas características na boca com um ataque vigoroso mas muito equilibrado, tem aquele toque levemente oxidado dos bons Champagnes. Não é um espumante para todos mas para os amantes da bebida com esta personalidade vale a pena conhecer.

4º Carrau Reserva Pinot Noir 2011. Outra cepa que está nos chamando muito a atenção no Uruguai não decepcionou na Carrau, muito típico visualmente com aquele tão esperado vermelho granada, no nariz notas de cerejas frescas, marmelada, leve toque fummé. Na boca saboroso, boa acidez, fruta muito marcada lembrando um Pinot mais ao estilo Velho Mundo. Também pegamos umas garrafinhas para trazê-la ao Brasil.

5º Carrau Tannat Reserva 2004. Um tinto com 12 meses de carvalho frances e mais 12 meses de garrafa. Tivemos aqui um pouco de sorte pois Margarida tinha uma garrafa aberta de uma degustação que haviam feito no dia anterior então pudemos provar um Tannat com mais anos de garrafa e que não está mais disponível no mercado. Na verdade é muito interessante ver como um bom tempo de garrafa beneficia esta variedade, pelo fato ser muito tânica e dura, este afinamento acaba por produzir um vinho mais manso e domado. Este tinto estava no seu momento.

6º 1752 Tinto Gran Tradicion safra 2009. Corte de Tannat / Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, com quase 14% de álcool. Este é um tinto mais ao estilo Velho Mundo, com seus taninos e acidez mais marcantes, nariz estava discreto mas mostrando um bom potencial de envelhecimento, alguns anos mais de garrafa com certeza lhe vão trazer grande benefício.

7º Ysern Cabernet + Cabernet safra 2004. Este tinto foi feito com uvas Cabernets provenientes de dois vinhedos distintos, parte delas vindo de Cerro Chapéu, norte do estado e parte delas vindo de Las Violettas, Canelones. Este vinho é uma prova que o Uruguai não respira somente Tannat, um belíssimo Cabernet com aromas clássicos mentolados, chocolate e leve pimentão. Na boca um grande ataque, taninos presentes e duros mas ainda balanceados, elegante, no fim de boca mostra um certo amargor mas muito saboroso. Pode ser bebido agora ou guardado por mais um par de anos. Pena que este não esteja disponível no Brasil.

AMAT 2007. Este é o vinho mais emblemático de Carrau, com uvas provenientes de Cerro Chapéu, somente das melhores parcelas, passa por 20 meses de afinamento em barricas de carvalho frances e americano, 50% cada, e mais um ano de garrafa antes de vir ao mercado. Realmente é um belo exemplas da Tannat, visualmente negro, muito velado, no nariz muito grande, notas licorosas, café tostado, chocolate, algo de especiarias. Na boca confirma esta sensação, um vinho gordo, volumoso, taninos domados, acidez bem balanceada, um tinto para se deixar na adega afinando por mais alguns anos.

Deixamos nossos agradecimentos a Bodega Carrau onde nos receberam muito bem, uma única ressalva a ser observada em visitas futuras é o cuidado a cobrança de R$ 50 por pessoa pela degustação, este valor deveria ser avisado com antecedência pois não havia sido nos passado em nenhum momento e tão pouco era avisado no website, a cobrança feita no final do encontro, mesmo depois de termos comprados várias garrafas foi no mínimo indelicado.

Mesmo com algumas surpresas indesejadas, os freaks saíram felizes ao final da degustação!!!

 
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Publicado por em 5 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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A saga dos Winefreaks – Finca la Anita – Uma preciosidade

Nossa próxima visita foi a uma pequena bodega localizada na região de Agrelo ao pé da Cordilheira dos Andes, uma pequena preciosidade comandada por Manuel Más, um empresário extremamente preocupado com a qualidade dos vinhos que saem de sua vinícola. A Finca La Anita.

A Finca La Anita nos esperava de portas abertas!!!

A finca possui 70.000 hectares onde 62.000 possuem vinhas cultivadas, destes, uma pequena parte é direcionada para a produção da bodega, o restante é vendido a outras vinícolas da região. Hoje são apenas 200.000 litros produzidos anualmente.

Dois enólogos comandam o processo dentro da vinícola, Soledad Vargas e Sebastian della Fazia. A produção média fica em 6000 a 8000 litros por hectare. Todo processo de irrigação acontece por gravidade com água do degelo e não trabalham com sistema de gotejamento como muitas vinícolas.

Sebastian nos recebe em meio aos vinhedos da Bodega.

Os vinhedos são explorados com casta brancas que incluem Tocai, Sauvignon Blanc, Semillion e Chardonnay e nas tintas, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Petit Verdot, Malbec. Algumas vinhas de Syrah e Tocai podem chegar aos 60 anos de idade.

Vinhas antigas, manejo artesanal, baixa produção e irrigação por sulco...alguns dos segredos da qualidade dos vinhos da Bodega La Anita

A partir do ano passado a bodega passou a receber acessoria da enóloga Suzana Balbo, especialmente nos vinhos de corte trazendo ainda mais qualidade aos vinhos finais.

Na entrada da Bodega existe uma coleção pessoal de arte do proprietário Manuel Más de procedência do artista Lorenzo Domingues com peças lindas. A sala de barricas possui 60 unidades divididas em francesas, americanas e búlgaras.

Uma visão do salão que abriga uma mostra de arte, além de uma agradável sala de degustação.

Passamos por uma degustação de amostras de tinas de inox e, posteriormente, vinhos finalizados que devo dizer que apresentaram uma qualidade acima da média, realmente foram poucas as bodegas que conseguiram chegar neste nível de vinhos brancos e tintos. Passamos abaixo algumas de nossas avaliações.

Todas as amostras degustadas de tinas de inox descritas abaixo são da safra 2011, ainda não engarrafada, sem passagem por carvalho. Parte do vinho de cada uma destas amostras estão afinando nas pipas de caravalho esperando pelo corte com estas a amostras das tinas, ou seja, os vinhos ainda irão crescer muito, estávamos degustando vinhos não acabados.

A Finca la Anita possui algumas linhas de vinhos que se dividem na seguinte ordem: Cuarto de Milla / Luna / Finca la Anita / Finca / Varúa.

1ª Amostra. Petit Verdot 2011. Uma fera enjaulada, opulento, fechado, negro na taça, aromas animais ainda reduzidos, leve toques herbáceos. Na boca um monstro, taninos nervosos e duros, grande acidez, precisará mais um bom tempo de afinamento, promete ser um grande vinho dentro de alguns anos. Um tinto a ser observado.

2ª Amostra. Cabernet Sauvignon 2011. Destinado a linha Finca la Anita, bem estruturado, no nariz aromas típicos de pimentões verdes, especiarias, intenso. Na boca já apresentou um belo equilíbrio, com taninos domados e boa acidez.

3ª Amostra. Malbec 2011. Violáceo-azulado, muito fechado, no nariz notas de frutas negras cozidas, especiarias, café. Na boca grande corpo, taninos macios da malbec com uma acidez muitíssimo interessante. Está em franco crescimento, com certeza promete ser um grande malbec em alguns anos.

4ª Amostra. Syrah 2011. Esta casta é a menina dos olhos desta bodega, ano após ano a Syrah tem se mostrado muito consistente produzindo excelentes tintos de La Anita. Na minha opinião foi a melhor amostra degustada, fechadíssimo no visual, aromas marcantes de couro, cacau, mirtillos , potente no aromas mas elegantíssimo. Na boca perfeito, taninos nervosos mas bem trabalhados, final de boca bem marcado e muito longo, promete ser um grande caldo depois de um pequeno corte com  sua parcela no carvalho.

5ª Amostra. Merlot 2011. Incrível este tinto, um dos aromas mais enigmáticos das amostras, segundo Sebastian, esta amostra vem se transformando semana após semana. No aroma toques de especiarias, marmelo, couro, terra, não muito intenso. Na boca, um merlot típico, acidez e taninos macios e com uma estrutura mediana, promete ser um vinho muito elegante.

Terminando a degustação das amostras, passamos a sala de degustação para provarmos os vinhos engarrafados para comparações e análises.

1º Vinho. Finca la Anita Tocai 2010 – 13,3% – 6756 garrafas produzidas.

Cor amarelo palha com aromas discretos, apresentando toques florais, chocolate branco e marmelada, muito sutil, é um branco que impressiona no nariz. Na boca excelente, acidez no ponto, refrescante, com grande intensidade de sabores, um daqueles vinhos que inicia sutil e abre-se para grande potência. Excelente.

2º Vinho. Finca la Anita Chardonnay 2011 – 14%.

Que vinho maravilhoso, conquistou todo o grupo sem exceções, um clássico. Seus aromas untuosos, amanteigados mesclam-se perfeitamente com toques de cacau e maça verde. Na boca muita estrutura, potente mas com uma bela acidez. Um chardonnay a ser degustado.

3º Vinho. Finca la Anita Petit Verdot Rosado 2011 – 13,80%

Um rose de Petit Verdot com quase 14% de álcool já não me impressiona na partida. Uma uva tintória de grande estrutura por si só já tende a resultar em um vinho chato e foi mais ou menos o que vimos. Um rose de coloração cereja escuro, seu nariz estava fechado com notas de frutas vermelhas, morango. Na boca discreto faltando certa vivacidade, um bom rose mas nada extraodinário.

4º Vinho. Cuarto de Milla Branco 2011.

Este vinho de entrada da Finca é um corte Cardonnay / Semillion / Tocai. Mostrou-se uma excelente relação custo / qualidade, no nariz muito franco com aromas de frutas brancas e na boca um primeiro ataque potente, mostrando uma chardonnay bem maturada com excelente equilíbrio. Um vinho que custa na casa dos 20 pesos argentinos está muito bem.

5º Vinho. Luna Syrah 2011 – 15%

Como nas amostras de tanque o Syrah continua mostrando-se como um grande tinto desta bodega, este da linha intermediária estava muito bom, aromas de especiarias, cravo da índia, pimenta preta e couro apresentou-se com uma boca equilíbradíssima, potente, com ótimo volume de boca e um final muito elegante. Um belíssimo Syrah.

6º Vinho. Luna Malbec 2011 – 14,3%

Belíssimo Malbec, ameixas negras, mentolado, geléia de frutos vermelhos foram seus aromas, na boca ótimo, macio, redondo, taninos domados, excelente final, um grande achado desta linha Luna.

7º Vinho. Finca la Anita Malbec / Merlot – 14%

Neste corte não safrado de diferentes parcelas de Malbec e Merlot foram produzidas somente 10.066 garrafas. Nos impressionou muito. Aromas mentolados, couro, cassis, geléia. Na boca uma bela sinegia entre as duas castas, a maciez da Merlot estava em perfeito ajuste com a potência da malbec, um tinto que inicia discreto e vai crescendo. Recomendamos muito.

8º Vinho. Varúa Malbec 2008 Linea Pinacoteca. 14,3%

Obras de pintores Mendocinos ilustram seus rótulos, a cada safra as obras mudam. São produzidas somente 1500 garrafas em cada safra desta linha. Um vinho especial, de autor, só é produzido nas grandes safras, sem duvidas um ícone.

Um grande tinto para se avaliar, no momento da degustação apresentou aromas complexos de especiarias, pequenas notas licorosas, aromas terrosos, frutas vermelhas cozidas e morangos secos. Na boca perfeito equilíbrio, como no nariz, inicias com notas levemente licorosas, mostrando uma fruta bem madura, mas com taninos e acidez no ponto para contrabalançar. Muito volumoso com um final de boca elegantíssimo. Um grande vinho que apesar de caro deve fazer parte de qualquer boa adega.

Amanhã falaremos um pouco de nossa próxima visita na Bodega Barberis.

Grande abraço

 
 

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A saga dos Winefreaks – Viña Las Perdices. Uma promessa!

Começamos nossas visitas em Mendoza com uma Bodega em que já conhecíamos os vinhos no Brasil, mas que ainda está em fase de ser descoberta pelos enoapaixonados – a Vinã Las Perdices é um empreendimento familiar comandada pelo casal Don Juan Muñoz López e Dona Rosário, e seus filhos: Nicolás, Estela e Carlos.

Uma das vistas da bela Viña Las Perdices

Localizada ao pé da Cordilheira dos Andes, a Viña Las Perdices está a aproximadamente 1030 m de altitude, em Agrelo, Luján de Cuyo.Os vinhedos são próprios, e somente são engarrafados vinhos que provêm de uvas de suas propriedades, que atualmente somam 80 hectares. A idade das vinhas é em média de 30 a 40 anos. A Bodega possui dois vinhedos, um em Agrelo – este que visitamos e o vinhedo de Los Barrancos localizado em Maipu.

Hoje 60% da produção é direcionada a exportação, sendo seus principais mercados EUA, Canadá e Brasil. Nos vinhedos todas as plantas são proveniente de pé franco, sem enxertos. A irrigação acontece por gotejamento e também por gravidade com água do degelo.

Sulcos nas ruas são usados para irrigação por gravidade

Dentro da vinícola, muito bem organizada, existem tanques de inox de 5,10, 30 e 60 mil litros para conduzir-se vinificações separadas e bem controladas. Hoje a produção total da Bodega está em 500.000 garrafas ano.

Nossa visita estava agendada para as 10 horas da manhã e, logo que chegamos à bodega fomos recepcionados por Carlos Muñoz, um dos filhos e enólogo da casa, (mais tarde descobriríamos a genialidade deste profissional). Como já tem sido o padrão de recepção Mendocino, Carlos nos recebeu de forma extremanente calorosa, nos levando imediatamente para um passeio pela Bodega. Ficamos os primeiros 30 minutos em uma conversa, ou melhor dizendo, em uma aula que recebemos de Carlos, parados em uma grade sobre as pipas de inox com a paisagem dos vinhedos ao fundo.

Logo após esta recepçao Carlos nos convidou para uma degustação dos seus vinhos. A princípio estranhamos um pouco pois não localizamos uma mesa de degustação com as garrafas abertas, mas então veio a grande surpresa, iríamos degustar somente amostras de tanque! Nada de vinhos já engarrafados. Confesso que neste momento olhei para os céus e agradeci a Max, um dos socios da importadora Bodegas, que traz os vinhos ao Brasil, por nos oferecer esta chance.

Retirar o vinho diretamente da fonte não tem preço!!!

Bem, queremos ter o prazer de dividir com nossos amigos e seguidores um pouco destes caldos que degustamos.

1ª Amostra. Las Perdices Sauvignon Blanc safra 2011. Lindo amarelo esverdeado,  aromas discretos de folhas verdes, herbáceo e frutas tropicais. Na boca muito típico, com uma acidez balanceada e final de boca agradável. Normalmente os Sauvignon Blancs argentinos não me impressionam muito mas este Las Pedices sem dúvida já está entre meus favoritos,  elegancia e discrição ao invés de potência.

2ª Amostra. Las Perdices Albariño 2011. Este é um lançamento, ainda não veio ao mercado, fomos agraciados com a chance de degustá-lo antes, por sorte, pois este branco estava realmente maravilhoso. Os aromas típicos de flores brancas, algo cítrico e nuances minerais de pederneira revelavam um verdadeiro Albariño. Na boca estava realmente muito bom, não tinha a potência dos grandes Albariños e Vinhos Verdes mas com certeza impressionou muito ao grupo. Grande branco.

3ª Amostra. Las Perdices Cabernet Sauvignon 2011. Belo tinto, este vinho dividiu um pouco as opiniões do grupo, aromas mentolados, especiarias e toques de vanila mostravam um tinto bem integrado com o carvalho. Na boca uma acidez gostosa e refrescante com taninos integrados e álcool no ponto. Talvez não o classifiquemos como um grande cabernet mas sem duvida estava muito bom, particularmente gostei bastante.

4ª Amostra. Las Perdices Reserva Bonarda safra 2010. Bem, aqui começamos a balançar, que vinho, fechado na taça, muito escuro, com um lindo nariz com toques de menta, tabaco, especiarias, chocolate amargo, muito amplo. Na boca volumoso, caravalho muito bem trabalhado, taninos nervosos com uma acidez vibrante, um grande tinto para se harmonizar com um grande assado. Que vinho. Fiquei muito de feliz de saber com Carlos que a Bonarda está começando a se tornar uma variedade séria na Argentina e deixando de ser utilizada para grandes produções sem qualidade. Aqui ela se chama CORBEAU, e tem uma estrutura diferente da Bonarda italiana.

5ª Amostra. Las Perdices Reserva Don Juan 2009. Um corte 70% Malbec  e o restante Syrah, Bonarda e Merlot. Que potência controlada. Como é bom tomar um vinho com grande pegada mas sem exageros. Aromas já completos e boca muito elegante. Muito longo e agradável no final. Melhorava a cada minuto na taça. Foi um dos melhores do dia.

6ª Amostra. Amostra de Malbec safra 2010 direto da barrica de carvalho. Surpresa, Carlos puxou uma pipeta e tirou uma dose de um caldo pesado de uma barrica. Nos serviu e pediu que analisássemos juntos aquela amostra de malbec. Quando questionei sobre qual linha estávamos degustando ele apenas se limitou a dizer: “Ainda não sei, vamos ver o que voces acham”. Quando coloquei o vinho no nariz e depois na boca o tempo parou! Tenho de dizer que foi um dos melhores Malbecs que degustei nos últimos tempos. Apesar de ainda estar em evolução na barrica, estava simplesmente divino, perfeito, sem arestas ou defeitos. O nariz era uma mistura de potência do novo mundo com a classe dos vinhos europeus. Sua boca confirmou isto, cada gole pedia o próximo, ficamos em extâse. Com certeza Carlos sabia para qual corte iria este malbec… Que momento freak.

7ª Amostra. Las Perdices Sauvignon Blanc Fummé 2010. Quando pensávamos que mais nada poderia melhorar Carlos nos surpreendeu novamente, nos fez degustar um Sauvignon Blanc com passagem  e fermentação em barricas de carvalho. Se no Sauvignon Blanc varietal faltava um pouco de estrutura neste sobrava. A integração entre fruta e madeira é impressionante, normalmente não gosto do Sauvignon Blanc com carvalho mas me curvei para este. E foi a opinião geral do grupo. Perfeito. Pena que ainda não está no Brasil.

8ª Amostra. Las Perdices Ice Malbec. Um vinho licoroso 100% Malbec com uvas colhidas tardiamente quase em condição de passa. Com um teor alcóolico de 11,5% e 170 gr de açúcar residual este licoroso vem  ser uma proposta bem interessante para os amantes deste tipo de vinho. Segundo a explicação do enólogo Carlos “o esfriamento constante das uvas por vários dias, atingindo temperaturas inferiores a -8ºC, temperatura na qual começa a cristalizar a água formando cristais de gelo. Após a prensa é obtido um mosto de caraterísticas únicas, com uma relação uva/vinho de 8 kg por litro”. Para nos um rose licorosos de aromas a frutas vermelhas frescas, morangos secos e geléia. Na boca uma primeiro ataque macio, quente, mas com uma acidez muito gostosa para equilibrar. Sem dúvida tomá-lo gelado.

Alguns dos inúmeros rótulos de vinhos da Las Perdices

Após esta degustação épica, fomos acompanhados pelo diretor de marketing Aníbal para um almoço harmonizado em um belo restaurante, La Barrica. Uma grande dica para quem está em Mendoza buscando um bom restaurante para almoço.

Fachado do Restô La Barrica

Nosso mais sinceros agradecimentos a Carlos e Aníbal pela incrível recepção e toda sua equipe, realmente notamos um sentimento de empenho em um trabalho sério e dedicado. Espero de todo coração que estes vinhos maravilhosos sejam logo descobertos por apaixonados no Brasil.

Carlos, Cristiano e Aníbal após a incrivel degustação.

Grande abraço.

 
 

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Um pouquinho sobre a cultura dos vinhos na Itália: Vamos praticar o Tajut hoje?

O Tajut ou Cajut, é um dos mais antigos costumes de Friuli e Veneto Giulia relacionados à bebida e talvez um dos mais ancestrais de toda a Itália.

Segundo os usos da região, quando dois amigos se encontram na rua, um deles deve oferecer ao outro um copo de vinho. O convidado terá de retribuir, oferecendo por sua vez mais um copo de vinho.

É muito provável que nestas pequenas localidades de Friuli apareçam outros conhecidos enquanto os dois amigos conversam e bebericam seus vinhos. De imediato, serão convidados a sentar-se e lhes será também oferecido um copo do bom vinho branco de Collio à base de Chardonnay, Sauvignon Blanc ou Ribolla, devendo eles, por sua vez, retribuirem.

É óbvio que com tudo isso o Tajut se torna um cerimonial um tanto prolongado que, além do mais, requerirá algum preparo etílico. Felizmente, o “sumo de uva”é servido em pequenas taças, de modo que tais encontros não tenham forçosamente que terminar em resssaca.

E aí? Que tal praticar o Tajut hoje??

 
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Publicado por em 1 de dezembro de 2011 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades

 

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Vinho e comidas apimentadas: Dá pra combinar?

Meu amigo Felipe Carrara, leitor assiduo do Blog dos Winefreaks me apresentou mais um questionamento interessante nessa semana e achei por bem compartilhá-lo com todos vocês. Afinal de contas, é possível casar bem os vinhos com comidas apimentadas?

Até bem pouco tempo atrás, frequentemente ouviríamos um enfático NÃO, mas hoje em dia, culinárias como a Japonesa, Chinesa, Mexicana, Tailandesa e Indiana tem casamentos bastante interessantes com os mais variados tipos de vinhos.

Para sermos práticos vamos à algumas linhas básicas que vão nos nortear para as escolhas mais acertadas:

  • Comidas apimentadas apresentam sensação de ardência ou calor marcantes, para acompanhá-las precisaremos buscar uma refrescância à esse ataque na lingua, nisso os brancos leves, frescos e frutados são campeões;
  • Minha primeira opção pode parecer meio fora de moda, mas sugeriria bons vinhos alemães de Riesling e Gewürztraminer pois sua doçura e brilhante acidez ligam muito bem com pratos mais condimentados. Os brancos da Alsácia (que seguem os mesmos princípios e castas são a opção mais classuda…).
  • Um Shiraz branco, um Pinot Grigio também costumam casar muito bem com comida picante; um Savignon Blanc poderá ser uma ótima opção, especialmente se for para acompanhar comidas que tenham limão ou vinagre. Um jovem Syrah funciona  muito bem, especialmente para acompanhar comidas muito aromáticas como a comida Indiana.
  • O gengibre,oniporesente nos pratos indianos, thais e chinesss, fica delicioso com um bom vinho verde de Portugal, Riesling e Pinot Grigio, muito bom também com Gewürztraminer, Sauvignon Blanc da Nova Zelândia e Soave da Itália, e bom com uma série de outros brancos franceses, italianos, espanhóis e sul-africanos.
  • Tal como os pratos picantes, o sushi pede vinhos brancos leves com um toque de doçura frutada, ou um vinho tinto leve e baixo em taninos.
  • Já na cozinha mexicana, vou ousar um pouquinho pois apesar de tão condimentada quanto a oriental, pode se dar muito bem com vinhos tintos de bom corpo, como um Rioja, um Syrah, um Malbec ou um Zinfandel.
  •  Cuidado com taninos muito marcados e vinhos muito encorpados pois eles podem aumentar a sensação de calor e transformar seu jantar num incêndio…

Agora é só iniciar os testes!!! E lembrando que a combinação vinho e pimenta é pra lá de afrodisíaca…tratem de estar preparados e bem acompanhados…

Saudações Freaks à todos!!!!

 
6 Comentários

Publicado por em 30 de novembro de 2011 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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