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Nieto Senetiner. Uma grande pequena bodega.

Dando continuidade a nossa incrível rotina de visitas à vinícolas em Mendoza, chegamos ao último dia de degustações, com duas visitas ainda por ocorrer. Na parte da manhã fomos conhecer a Bodega Nieto Senetiner.  Com fundação datada de 1888, está localizada na região de Lujan de Cuyo, Vistalba. A Vinícola se desenvolveu por diferentes mãos familiares durante a primeira década do século passado. No ano de 1969 foi adquirida pela família Nieto Senetiner que amplia suas instalações dando início a uma nova etapa de crescimento e, em 1998, passa a formar parte do grupo de negócios agroalimentar Molinos de la Plata.

Passado...

...e Presente em perfeita harmonia na Nieto Senetiner.

Diferentemente das outras vinícolas que visitamos, a maior parte de sua produção fica no mercado interno, quase 65% do total. No mercado de exportação os principais mercados da Nieto são Brasil, EUA e Peru.

Os dois enólogos da Nieto são Roberto Gonzalez, responsável pelas linhas Premium, e Jorge Meleiro, responsável pelas grandes produções. Nesta planta que visitamos em Vistalba são vinificadas as linhas Premium Don Nicanor e Cadus. A Bodega trabalha com piletas de vinificação de concreto de 22 a 150 mil litros, num total de 65 unidades. A sala de barricas possui quase 700 unidades para a linha Cadus.

Dessa sala de barricas sai o afamado Cadus - onipresente ícone nas cartas de vinhos pelo Brasil.

Próximo à Bodega existem vinhas de Malbec que datam de 1916, (mais de cem anos!!!!) que ainda estão em plena produção e servem a linha Cadus. Também vimos alguns vinhedos em Parrais (latada) de Syrah com quase 60 anos de idade.

Vinhas de mais de 100 anos e...

...uma paisagem dessas de pano de fundo. Precisa de mais alguma coisa?

Fomos recepcionados na Nieto, para nossa surpresa, por um brasileiro: Marcelo Molina, de Goiânia, que já trabalha como sommelier na Bodega há quase 7 anos. Apesar de não termos tido nenhum problema com a língua espanhola nas outras visitas é sempre interessante ver esta preocupação da Vinícola em ter alguém falando português para recepcionar seus convidados.

E não é que o sommelier era Goiano??

Depois de um passeio pelas instalações da Nieto, que, apesar de ter uma linha ampla de rótulos e uma produção interessante, é uma vinícola pequena, com instalações modernas mas rústicas, um conceito muito interessante, partimos para uma degustação técnica. Marcelo já havia deixado a sala de degustação preparada com os vinhos previamente selecionados.

Que tal a seleção? Veja as impressões dos Winefreaks para cada um dos vinhos logo abaixo.

Nieto Senetiner Rose 2010. Uma proposta diferente, este é um Rose envelhecido em barricas de Acácia, um Rose bem elaborado com aromas florais e morangos frescos, média intensidade. Na boca confirma seu frescor, com uma acidez refrescante, um vinho para um final de tarde quente antes do jantar.

Don Nicanor Viognier / Chardonnay 2010. Lindo branco, aromas untuosos de baunilha e maçã com toques florais. Na boca esta untuosidade se faz presente com bom volume, um branco amplo mas com uma acidez muito gostosa. Um daqueles vinhos para se tomar com um belo prato ou sozinho.

Emília Nieto Senetiner Malbec 2011. Umas das linhas de entrada, este vinho ainda não está no mercado brasileiro, mas deve chegar em breve. A proposta da vinícola aqui é um vinho de entrada, fácil, sem carvalho e com muita fruta presente. Conseguiram. Um tinto leve mas muito agradável, aromas discretos mas francos de frutas vermelhas. Na boca rápido, muita fruta, acidez gostosa, um vinho para se tomar um pouco mais fresco na temperatura, tem tudo para fazer sucesso quando chegar por nossas bandas.

Nieto DOC Malbec 2010. Este tinto já está no Brasil e faz muito sucesso. A Nieto é uma das poucas Vinícolas argentinas que podem utilizar a denominação DOC ( Denominação de Origem Controlada) para seu Malbec, as outra três são: Norton, Luigi Bosca e Lagarde. Se voce encontrar vinhos DOC argentinos Malbec de outra Bodega desconfie!! Este é um belo tinto com 12 meses de carvalho francês, rubi na coloração, com aromas de frutas negras, compota, toques de chocolate. Na boca bela estrutura, com bom equilíbrio álcool / acidez. Final de boca marcante.

Don Nicanor Barrel Select Malbec 2009. Este é outro lançamento da Nieto que ainda não conhecíamos, passa 18 meses por roble francês. Que belo caldo, negro na taça, aromas complexos e marcantes, chocolate amargo, cacau tostado, especiarias. Na boca elegantíssimo, grande pegada. Seu carvalho em perfeito equilíbrio, final de boca muito longo. Para mim um dos melhores do dia.

Cadus Grand Vin 2008. 50% Malbec / 30% Cabernet Sauvignon / 20% Bonarda. Crianza de 12 meses em carvalho francês novo. Um tinto negro na taça, velado, nariz muito exótico, notas de frutas negras cozidas e tabaco, nota-se um aporte herbáceo da Cabernet e Bonarda, intenso e persistente. Após alguns minutos de aeração abrem-se aromas de especiarias. Na boca potente, apresenta uma certa adstringência de uma pimenta preta, mas muito agradável. Seu carvalho está muito bem trabalhado com um final de boca muito longo, taninos macios.

Após a degustação passamos para um almoço harmonizado com os mesmos vinhos da degustação. A Nieto possui um belo restaurante em suas instalações, com poucos lugares, 30, e atendem somente mediante reserva. Uma boa dica para quem for passar uns dias em Mendoza.

Os Winefreaks acompanhados dos mais antigos vinhos da casa...só um brazuca pra correr esse risco conosco!!!

Nossos agradecimentos pela recepção, cordialidade e profissionalismo de Marcelo que nos acompanhou pela visita. Os vinhos da Nieto podem ser encontrados no Brasil através da importadora Casa Flora / Porto a Porto.

 
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Publicado por em 15 de fevereiro de 2012 em Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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Quer saber como escolher um vinho no restaurante? O Winefreaks ensina você!!!

Na hora que o sommelier chega na sua mesa e pergunta que vinho gostaria de beber a casa começa a cair pra você caro leitor? Fique tranquilo que os Winefreaks estão aqui para lhe dar as dicas simples e objetivas que transformarão esse momento em algo fácil e porque não, muito prazeroso!

Primeiro Ato: A carta de vinhos
Na maioria dos bons restaurantes, o garçon ou sommelier lhe entregará uma carta de vinhos com as opções disponíveis. Se o restaurante não a tiver, desconfie. A diversidade e a qualidade dos vinhos oferecidos não devem ser das melhores…
Segundo Ato: Relacionar-se com o Sommelier
Com ou sem a carta de vinhos, haverá a necessidade de interagir com o sommelier ou com o  garçom que estará de pé fazendo pose de entendido. Procure ser sinpático e, lembre-se que ele deve estar tão preocupado quanto você…imagina a quantidade de malas metidos a sabichões que rejeitam o vinho após a escolha dizendo que está “avinagrado” – quando na verdade é um vinho ácido por definição ou que está passado, quando na verdade está evoluído…
E lembre-se que o cara não é adivinho…diga o que quer e o que gosta para que ele possa fazer o seu trabalho e guiá-lo para a melhor escolha.
Terceiro ato: A Harmonização
Existem centenas de sugestões e formas de harmonização entre comidas e vinho – muitas delas já publicadas aqui no nosso blog, mas vamos ser efetivos e básicos pra não errar: vinhos leves com pratos leves, vinhos robustos com pratos elaborados. Quanto mais complexo o cozimento, mais maduro o vinho. Beba branco com pratos do mar e carnes brancas, pois esta é uma escolha que geralmente se revela exata. De qualquer forma depende de quanto você ousa experimentar.
Se complicou? Sem problema…peça um bom espumante que em geral combina com tudo!!!
Quarto Ato: Quanto gasto?
Vamos mostrar agora o pulo do gato…(desculpa aí Cris e H-Lee!!!).  Normalmente os comerciantes inserem na carta um ou dois vinhos com preço bem mais baixo para tornar o subsequente mais atrativo (o segundo mais barato). Isso para o cliente nunca fazer o papel do avarento. Como em geral aquele segundo vinho é  aquele belo custo-benefício amado pelo sommelier, ele colocou na carta uma proposta mais barata somente para induzir o cliente a uma melhor escolha. Então pode apostar sem medo no segundo vinho menos caro (isso em geral, hein!).
Alguns restaurantes são mais generosos nos percentuais aplicados aos vinhos em relação aos preços de compra no mercado, mas, de modo geral, o sobrepreço será de 50% a 100%. Portanto, se o dia não for especial ou se você não estiver com muito sobrando…seja moderado na escolha nos restaurantes…
Último Ato: Provando o Vinho
O sommelier serviu na sua taça um dedo do vinho escolhido e fica observando mudo e imóvel. Que diabos ele quer? Quer que verifique que o vinho esteja sem defeitos. Portanto gire levemente a taça com o ar de quem entende pacas, cheire o conteúdo e prove um gole.
Se estiver com um cheiro muito pronunciado de bolor ou mofo..peça para ele verificar e sugira trocar a garrafa por outra…outros problemas serão mais difíceis de justificar troca, sobretudo em vinhos mais caros e antigos.
Raramente acontece que o trabalho sujo da apuração da rolha/defeitos seja feito previamente pelo sommelier: se ele pedir para provar um pouco do seu caríssimo vinho, não fique furioso: ele está quebrando o seu galho mas depois, por causa disso, você vai ter que levar em conta a opinião dele).
Se, no entanto, como é de esperar, você gostar do vinho, após a prova, diga “está muito bom” com tom confiante.
 Pronto!!! Agora é só curtir o seu vinho com uma boa comida e ótima companhia…
 
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Publicado por em 4 de outubro de 2011 em Dicas

 

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