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A saga dos Winefreaks – Viña Las Perdices. Uma promessa!

Começamos nossas visitas em Mendoza com uma Bodega em que já conhecíamos os vinhos no Brasil, mas que ainda está em fase de ser descoberta pelos enoapaixonados – a Vinã Las Perdices é um empreendimento familiar comandada pelo casal Don Juan Muñoz López e Dona Rosário, e seus filhos: Nicolás, Estela e Carlos.

Uma das vistas da bela Viña Las Perdices

Localizada ao pé da Cordilheira dos Andes, a Viña Las Perdices está a aproximadamente 1030 m de altitude, em Agrelo, Luján de Cuyo.Os vinhedos são próprios, e somente são engarrafados vinhos que provêm de uvas de suas propriedades, que atualmente somam 80 hectares. A idade das vinhas é em média de 30 a 40 anos. A Bodega possui dois vinhedos, um em Agrelo – este que visitamos e o vinhedo de Los Barrancos localizado em Maipu.

Hoje 60% da produção é direcionada a exportação, sendo seus principais mercados EUA, Canadá e Brasil. Nos vinhedos todas as plantas são proveniente de pé franco, sem enxertos. A irrigação acontece por gotejamento e também por gravidade com água do degelo.

Sulcos nas ruas são usados para irrigação por gravidade

Dentro da vinícola, muito bem organizada, existem tanques de inox de 5,10, 30 e 60 mil litros para conduzir-se vinificações separadas e bem controladas. Hoje a produção total da Bodega está em 500.000 garrafas ano.

Nossa visita estava agendada para as 10 horas da manhã e, logo que chegamos à bodega fomos recepcionados por Carlos Muñoz, um dos filhos e enólogo da casa, (mais tarde descobriríamos a genialidade deste profissional). Como já tem sido o padrão de recepção Mendocino, Carlos nos recebeu de forma extremanente calorosa, nos levando imediatamente para um passeio pela Bodega. Ficamos os primeiros 30 minutos em uma conversa, ou melhor dizendo, em uma aula que recebemos de Carlos, parados em uma grade sobre as pipas de inox com a paisagem dos vinhedos ao fundo.

Logo após esta recepçao Carlos nos convidou para uma degustação dos seus vinhos. A princípio estranhamos um pouco pois não localizamos uma mesa de degustação com as garrafas abertas, mas então veio a grande surpresa, iríamos degustar somente amostras de tanque! Nada de vinhos já engarrafados. Confesso que neste momento olhei para os céus e agradeci a Max, um dos socios da importadora Bodegas, que traz os vinhos ao Brasil, por nos oferecer esta chance.

Retirar o vinho diretamente da fonte não tem preço!!!

Bem, queremos ter o prazer de dividir com nossos amigos e seguidores um pouco destes caldos que degustamos.

1ª Amostra. Las Perdices Sauvignon Blanc safra 2011. Lindo amarelo esverdeado,  aromas discretos de folhas verdes, herbáceo e frutas tropicais. Na boca muito típico, com uma acidez balanceada e final de boca agradável. Normalmente os Sauvignon Blancs argentinos não me impressionam muito mas este Las Pedices sem dúvida já está entre meus favoritos,  elegancia e discrição ao invés de potência.

2ª Amostra. Las Perdices Albariño 2011. Este é um lançamento, ainda não veio ao mercado, fomos agraciados com a chance de degustá-lo antes, por sorte, pois este branco estava realmente maravilhoso. Os aromas típicos de flores brancas, algo cítrico e nuances minerais de pederneira revelavam um verdadeiro Albariño. Na boca estava realmente muito bom, não tinha a potência dos grandes Albariños e Vinhos Verdes mas com certeza impressionou muito ao grupo. Grande branco.

3ª Amostra. Las Perdices Cabernet Sauvignon 2011. Belo tinto, este vinho dividiu um pouco as opiniões do grupo, aromas mentolados, especiarias e toques de vanila mostravam um tinto bem integrado com o carvalho. Na boca uma acidez gostosa e refrescante com taninos integrados e álcool no ponto. Talvez não o classifiquemos como um grande cabernet mas sem duvida estava muito bom, particularmente gostei bastante.

4ª Amostra. Las Perdices Reserva Bonarda safra 2010. Bem, aqui começamos a balançar, que vinho, fechado na taça, muito escuro, com um lindo nariz com toques de menta, tabaco, especiarias, chocolate amargo, muito amplo. Na boca volumoso, caravalho muito bem trabalhado, taninos nervosos com uma acidez vibrante, um grande tinto para se harmonizar com um grande assado. Que vinho. Fiquei muito de feliz de saber com Carlos que a Bonarda está começando a se tornar uma variedade séria na Argentina e deixando de ser utilizada para grandes produções sem qualidade. Aqui ela se chama CORBEAU, e tem uma estrutura diferente da Bonarda italiana.

5ª Amostra. Las Perdices Reserva Don Juan 2009. Um corte 70% Malbec  e o restante Syrah, Bonarda e Merlot. Que potência controlada. Como é bom tomar um vinho com grande pegada mas sem exageros. Aromas já completos e boca muito elegante. Muito longo e agradável no final. Melhorava a cada minuto na taça. Foi um dos melhores do dia.

6ª Amostra. Amostra de Malbec safra 2010 direto da barrica de carvalho. Surpresa, Carlos puxou uma pipeta e tirou uma dose de um caldo pesado de uma barrica. Nos serviu e pediu que analisássemos juntos aquela amostra de malbec. Quando questionei sobre qual linha estávamos degustando ele apenas se limitou a dizer: “Ainda não sei, vamos ver o que voces acham”. Quando coloquei o vinho no nariz e depois na boca o tempo parou! Tenho de dizer que foi um dos melhores Malbecs que degustei nos últimos tempos. Apesar de ainda estar em evolução na barrica, estava simplesmente divino, perfeito, sem arestas ou defeitos. O nariz era uma mistura de potência do novo mundo com a classe dos vinhos europeus. Sua boca confirmou isto, cada gole pedia o próximo, ficamos em extâse. Com certeza Carlos sabia para qual corte iria este malbec… Que momento freak.

7ª Amostra. Las Perdices Sauvignon Blanc Fummé 2010. Quando pensávamos que mais nada poderia melhorar Carlos nos surpreendeu novamente, nos fez degustar um Sauvignon Blanc com passagem  e fermentação em barricas de carvalho. Se no Sauvignon Blanc varietal faltava um pouco de estrutura neste sobrava. A integração entre fruta e madeira é impressionante, normalmente não gosto do Sauvignon Blanc com carvalho mas me curvei para este. E foi a opinião geral do grupo. Perfeito. Pena que ainda não está no Brasil.

8ª Amostra. Las Perdices Ice Malbec. Um vinho licoroso 100% Malbec com uvas colhidas tardiamente quase em condição de passa. Com um teor alcóolico de 11,5% e 170 gr de açúcar residual este licoroso vem  ser uma proposta bem interessante para os amantes deste tipo de vinho. Segundo a explicação do enólogo Carlos “o esfriamento constante das uvas por vários dias, atingindo temperaturas inferiores a -8ºC, temperatura na qual começa a cristalizar a água formando cristais de gelo. Após a prensa é obtido um mosto de caraterísticas únicas, com uma relação uva/vinho de 8 kg por litro”. Para nos um rose licorosos de aromas a frutas vermelhas frescas, morangos secos e geléia. Na boca uma primeiro ataque macio, quente, mas com uma acidez muito gostosa para equilibrar. Sem dúvida tomá-lo gelado.

Alguns dos inúmeros rótulos de vinhos da Las Perdices

Após esta degustação épica, fomos acompanhados pelo diretor de marketing Aníbal para um almoço harmonizado em um belo restaurante, La Barrica. Uma grande dica para quem está em Mendoza buscando um bom restaurante para almoço.

Fachado do Restô La Barrica

Nosso mais sinceros agradecimentos a Carlos e Aníbal pela incrível recepção e toda sua equipe, realmente notamos um sentimento de empenho em um trabalho sério e dedicado. Espero de todo coração que estes vinhos maravilhosos sejam logo descobertos por apaixonados no Brasil.

Carlos, Cristiano e Aníbal após a incrivel degustação.

Grande abraço.

 
 

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Visita à bodega Catena Zapata – Mendoza – Argentina

A Bodega Catena Zapata tem grande história e importância entre os vinhos mendoncinos…foi ele que inciou a saga dos vinhos de uva malbec da argentina de renome para o mundo. Provavelmente é a vinícola de maior importância em toda a América do Sul.

Como nesse mês, teremos a Catena em uma horizontal no Encontro do Winefreaks, vamos apresentar um pouco mais essa preciosidade.

A Bodega impressiona logo de início, com seu visual inusitado, em formato de templo maia.

Catena Zapata

Se o objetivo era criar uma bodega de arquitetura inovadora, sem referenciais franceses, sem dúvida, eles conseguiram…

Um caminho com parreiras de ambos os lados dá as boas vindas aos visitantes que se dirigem à sede da bodega.

Catena Zapata

O interior da bodega tem instalações modernas que contrastam com a arquitetura tradicional exterior.

Catena Zapata Catena Zapata

Uma enorme mesa de madeira localizada em uma sala envidraçada com vista para a sala de barricas é um dos destaques.

Catena Zapata

Catena Zapata

Outro destaque é a “biblioteca de vinhos”, onde são armazenados alguns dos melhores vinhos do mundo para que seja feita uma comparação entre esses vinhos e os vinhos produzidos pela bodega.

Catena Zapata

Mas o que mais impressiona é a cúpula de vidro, que funciona como uma janela para alcançar o terraço no topo da pirâmide.

Catena ZapataCatena Zapata Catena Zapata

A vista do terraço é lindíssima e, sem dúvida, foi um dos pontos altos do passeio. Os parrerais circundam a sede da vinícola e ao fundo está a Cordilheira.

Catena ZapataCatena Zapata

Catena Zapata

No encontro dessa semana degustaremos os seguintes vinhos da Bodega: Alamos Torrontés (O rótulo de entrada da bodega, de uma uva tipicamente Argentina), Angélica Zapata Chardonnay (O vinho branco Top da marca), D.V Catena Syrah (um vinho intermediário da marca, com uma uva que se adapta bem ao clima e terroir mendocino), Catena Zapata Adrianna Vineyard (vinho produzido no vinhedo Adrianna, com produção limitadíssima, 18 meses em barricas francesas novas e 14,5% de alcool) e, como mestre da noite, degustaremos o Nicolas Catena Zapata 2002, que já apresentamos em um post anterior…Será realmente uma noite de gala!!!

 

Catena Zapata Catena Zapata

End: J. Cobos s/n, Agrelo, Luján de Cuyo, Mendoza.

É possível fazer um tour virtual pela Bodega através do site www.catenawines.com/tour/tour.html

O agendamento da visita pode ser feito pelo telefone (54) (261) 413-1100 ou pelo site www.catenawines.com/es/contact.html

Inspirado no post (e fotos) de Anna Bárbara publicado no blog  Nós no Mundo www.nosnomundo.com.br

 
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Publicado por em 10 de outubro de 2011 em Dicas, Notícias

 

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TORRONTÉS: O ÍCONE BRANCO DA ARGENTINA

 Quando falamos de uma determinada variedade de uva automaticamente pensamos na sua origem: Cabernet Sauvignon-Bordeaux, Pinot Noir-Borgonha, Chenin-Loire, Riesling-Alemanha, Sangiovese-Toscana e assim por
diante.

No Novo Mundo do vinho, o encepamento não é tão rico em especificidades mas poderíamos citar a revelação da Zinfandel na Califórnia, da Pinotage na África do Sul e da Torrontés na Argentina.

Por muito tempo pensava-se que a Torrontés seria a mesma Tarrantez da Espanha mas estudos recentes com análises de DNA mostraram finalmente a origem da Torrontés – esta variedade foi resultante do trabalho de abelhas silvestres na polinização cruzada entre videiras, um tipo de Moscatel com a Criolla Chica. É uma variedade tipicamente argentina

Um traço que marcou os primeiros exemplares de Torrontês chegados ao Brasil foi o aroma excessivamente forte, às vezes, enjoativo e grosseiro, coroando por um final de boca marcado pelo forte amargor.

Há alguns anos têm aparecido vinhos Torrontés que contrariam este perfil e mostram mais delicadeza nos aromas, mais redondeza na boca e final sem aquele amargor. Isso animou vinícolas de maior densidade técnica a aplicar-se na produção de bons rótulos desse varietal.

A expressão dos vinhos da Torrontés vem de sua surpreendente adaptação e evolução nas províncias mais setentrionais como Salta, bordando encostas de altitudes expressivas, numa faixa que vai desde 1700 metros em Cafayate até 3.100 em Payogasta, passando por 1750 na Finca Chimpa, 1890 em San Pedro de acochuya, 2260 em Humanao, 2490 em Cachi, e assim por diante.

Nas alturas desses vinhedos o clima oferece favores. O primeiro deles está representado pela insolação mais intensa com maior atividade da fotosíntese durante o dia, assim como gerando proteção contra os raios ultravioletas e infravermelhos em cascas de maior conteúdo de flavonas e clorofila. Para não se ter exageros as videiras são podadas de tal sorte a manter folhas protetoras para os cachos.

Outro favor emprestado pela altitude reside nas temperaturas ambientes que são altas porém temperadas
porque não ocorre o efeito estufa pela falta de camada atmosférica. Daí porque as noites são bem frias obrigando a maturação a seguir um ritmo mais lento. O contraste das temperaturas de dia e de noite determinam uma grande amplitude térmica, 18 a 22°C, responsável pela maior concentração de polifenóis,
substâncias antioxidantes muito benéficas a nossa saúde.

A ausência de chuvas durante a fase de amadurecimento e colheita garante a concentração de açúcares na polpa da baga da uva.

Um vento soprando quase sem parar, chega até a 16 horas por dia, faz uma constante varredura dos fungos, insetos e outros elementos nocivos que poderiam se instalar nas folhas e cachos da uva.

Com esses fatores positivos, a Torrontés conhece seu nível máximo nos vales das alturas de Salta,e o vinho esbanja toques delicados de perfumes florais, notas frutadas lembrando lichia, boca refrescante e agradável.

O Torrontés já pode ser considerado um vinho branco típicamente argentino e os principais rótulos que revelaram suas tipicidades foram, entre outros, o Santa Silvia (Bodegas Sainte Sylvie), o Rincón del 900 (Robino Y Cia), Fernando G (Paponi Hermanos), o Viñas de Orfila (Bodegas Jose Orfila), o Nacari (Sociedad
Nacari), o Don David e o Michel Torino Torrontés Blush (Bodega La Rosa), o Waidatt Torrontés Privé (Bodega La Rioja), o Uvas del Sol (La Agricola), o Humberto Canale (Humberto Canale), e o Cafayate Torrontés (Arnaldo Etchard).

O Terrazas Reserva Torrontés (Cafayate, Salta, 1800 msnm) carrega em seu nome a expressão UNOAKED uma vez que não passa por barris de carvalho permitindo potencializar plenamente seu intenso frescor, seus aromas florais e frutados. Apresenta uma cor amarela esverdeada brilhante com reflexos dourados. No nariz destacam-se aromas florais como o jasmim e a rosa, que se conjugam harmoniosamente com intensas notas frutadas como a pêra, a manga e o maracujá. No paladar, nota-se o frutado, sensual e com uma excelente acidez que se manifesta em uma notável sensação de frescor. Com grande persistência aromática e gustativa, característica marcante dessa variedade.

No nosso clima mais quente, essa aromática é um acompanhamento natural para pratos frescos como saladas, frutos do mar e cozinha japonesa, porisso mesmo, deverá ganhar muitos apreciadores no Brasil. Um detalhe muito importante: o vinho Torrontés deve ser servido a temperaturas bem baixas, digamos, 6 a 8°C.

Extraído do Bolg Todo Vinho de

 
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Publicado por em 25 de setembro de 2011 em Dicas

 

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Ranking da Argentina – Os Melhores Brancos, segundo o Guia Descorchados 2011

91 pontos – Catena Alta Chardonnay 2007

91 pontos – Luigi Bosca Los Nobles Chardonnay 2008

91 pontos –  Lucca Chardonnay 2007

91 pontos – Gala 3 2009

90 pontos – Lindaflor Chardonnay 2009

90 pontos – Lágrima Canela 2008

90 pontos – Gran Linaje Torrontés 2010

90 pontos – Tiara 2008

89 pontos – Catalpa Chardonnay 2009

89 pontos – Colomé Torrontés 2010

89 pontos – Del Fin del Mundo Viognier Reserva 2009

89 pontos – Terrazas Reserva Torrontés 2009

89 pontos – Series Naked Pulp Viognier  2009

89 pontos – Alma Negra Viognier 2008

89 pontos – Finca La Anita Semillon 2008

89 pontos – Quara Single Vineyard Torrontés 2009

89 pontos – Synthesis Sauvignon Blanc 2009

89 pontos – Gran Lurton Corte Friuliano/Pinot Gris/Chardonnay/Torrontés 2009

89 pontos – Quara Felix Torrontés 2010

89 pontos – Luigi Bosca Reserva Sauvignon Blanc 2010

89 pontos – Alegoria Gran Reserva Chardonnay 2009

89 pontos – Rutini Gewurztraminer 2009

89 pontos – Salentein Sauvignon Blanc 2010

 
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Publicado por em 24 de setembro de 2011 em Dicas

 

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