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Arquivo da tag: Turismo no Uruguai

Primeiro dia de visitas em Montevideo parte 2.

Após uma sessão de degustação na Bodega Carrau tínhamos uma visita um pouco diferente agendada. Na tentativa de agendar uma visita a Narbonna, um novo empreendimento criado no Uruguai com o intuito de produzir vinhos boutique de altíssima gama, fomos contatados por sua responsável pelas exportações, Fabiana Bracco, para degustarmos toda a linha de vinhos na loja Vinos del Mundo no bairro de Pocitos em Montevideo.

A Bodega Narbona tem sua sede principal e vinhedos em Puerto Carmelo, região oeste do Uruguai, mas também possui uma sede e vinhedos em Punta del Leste. Composto de um belo empreendimento turístico, o projeto vitivinícola recebe assessoria de Michel Rolland para seu vinhos. Passamos rapidamente pela sede em Punta del Leste e é impressionante, uma finca afastada do centro turístico, linda, com espaço para almoço, degustação de vinhos ou simplesmente jogar-se nas almofadas para curtir um final de tarde curtindo alguns queijos produzidos pela própria Narbona. Não deixem de degustar o Parmesão Narbona.

Como não tínhamos tempo hábil nesta visita para ir quase até Colônia de Sacramento fomos convidados para conhecer os vinhos em Montevideo.

Fomos muito bem recebidos por Fabianna e também por Soledade e Marcelo que conduziram uma degustação conosco de forma exemplar. Sorte que tivemos esta oportunidade pois em minha opinião provamos vinhos que em breve estarão entre os melhores do Uruguai.

Vamos inovar nesse post colocando não só as minhas impressões, mas também as do Enzo, que podem ser conflitantes, complementares ou dissonantes…esperamos que aproveitem:

Narbona Sauvignon Blanc 2012.

Cris: Um Sauvignon muito fresco e jovial, no visual aquele clássico amarelo prateado muito transparente, Nos aromas discreto, apresentando toques herbáceos, ervas frescas e um final tropical. Na boca não esperem um Sauvignon explosivo, cítrico e ácido, mas sim elegância, discrição, mais ao estilo de um bom Sancerre. Gostei muito, vale a pena conhecer.

Enzo: Um vinho quase transparente, de amarelo pálido, no nariz é bastante discreto, com um leve toque de frutas e ervas, na boca um fundo cítrico discreto, com uma ligeira mineralidade. Belo vinho para um domingo ensolarado.

Narbona Tannat Rose 2011.

Cris: Passamos para o que foi em minha opinião o melhor rosado uruguaio que degustamos até o momento. Particularmente tenho medo de rosados da uva Tannat, pelo excesso de cor e estrutura que pode passar ao vinho, prefiro os roses mais claros e frescos, contudo o ponto que chegaram a este foi incrível. Verdade que na cor se apresenta mais escuro, quase carmin, mas quando vem ao nariz percebemos o vinho que temos na taça, toques de frutas vermelhas, morangos, cassis, muito intenso e agradável. Na boca é incrível, aquela sensação que seu peso pode ser demasiado mas chegando no limite da força e ficando por aí, entrando então em cena sua veia ácida com grande equilíbrio. Um rose carnoso, saboroso, com grande permanência. Indico muito. Minha única ressalva é seu preço, pelo que calculamos pode chegar a ser vendido no Brasil a quase R$ 120.

Enzo: O Cristiano havia me falado muito bem do vinho, mas minha primeira impressão, pela cor, foi de que havia muita extração naquele caldo e que teríamos mais um daqueles rosés exagerados do Mercosul, mas, começando pelos belos aromas de cassis e frutas vermelhas frescas percebi que havia elegância nessa garrafa. Depois de um gole generoso me deparei com aquele azedinho-doce do morango, seguido de uma bela refrescância promovida pela bela acidez do vinho. A persistência ficou muito acima das minhas expectativas. Comprei uma botella e comprarei mais mesmo com o preço salgado.

Narbona Pinot Noir safra 2011.

Cris: Seguindo a tendência de belíssimos Pinots uruguaios este seguiu no mesmo caminho. Na cor, uma característica que defendo muito, a tipicidade, estava perfeito, coloração vermelho granada de média intensidade. No nariz um pouco fechado, sua breve passagem pelo carvalho aporta aromas de geléia de frutos vermelhos e aromas florais de rosas. Na boca os taninos do carvalho se notam brevemente mas sem exageros, boa fruta e acidez, muito saboroso. Um Pinot que necessita um pouco mais de trabalho mas acho que vai surpreender muito.

Enzo: Começou me agradando pela cor escarlate leve, tipica de um pinot noir do velho mundo. No nariz leve presença de groselha e um tiquinho de baunilha. Na boca reforça o toque das frutas ligada a uma bela acidez e persistência muito interessante. Um bom vinho, honesto, mas nada de incrível na minha opinião.

Narbonna Tannat Roble 2010.

Cris: Belíssimo Tannat, muito bem elaborado, um tinto de pegada, muito escuro e velado, no nariz aromas animais, couro, café, especiarias, ótima intensidade e permanência. Na boca lindo, duro, rústico, mas no ponto, taninos e acidez presentes mas muito bem balanceadas, mostrando um vinho com grande potencial de guarda. Este com certeza vai ser uma grande surpresa quando vier ao mercado.

Enzo: Tingido de escarlate, copo sujo pelo espesso caldo violáceo de aromas de chocolate amargo, pimenta e outras especiarias no primeiro ataque. Nova tentativa minutos depois e alguns tons de frutas muito maduras também aparecem pra compor esse mosaico. Na boca um nervosismo não totalmente domado que me encanta justamente por isso…um pitbull de coleira!!! Bela persistência e a acidez que já se mostra como uma assinatura da Narbona.

Narbonna Tannat Luz de Luna 2011.

Cris: Impressionante, imaginem o Tannat Roble mas mais elegante, menos potente e musculoso, um Tannat um pouco mais feminino, contudo sem perder aquela dureza tão esperara desta cepa. Sua utilização do carvalho foi um pouco menor que o Roble, o que particularmente gostei bastante.  Um tannat muito gastronômico para acompanhar um belo entrecot jugoso.

Enzo: Como disse o Lee, é o Godzilla engarrafado!!!!Muita cor…ainda uma criança na garrafa. No nariz um tom de fumo de corda e belas frutas negras em compota…taninos impressionantemente indomados com a classe que se pode esperar de um tannat de alta gama… precisa de algo muito especial para aguentar o repuxo em uma harmonização. Muito corpo, bela acidez e persistência impressionante. O vinho da noite!

Falando em comida, após a degustação tivemos a indicação de Fabiana para jantar em um restaurante próximo a loja chamado Francis, havíamos recebido esta mesma indicação de um cliente. Mas isto é assunto para o próximo post.

 
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Publicado por em 10 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Técnicas e conceitos

 

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Primeiro dia no Uruguai.

Após uma viagem muito tranquila pelas belas estradas do Uruguai, iniciamos nossa Freak Trip. Primeiro dia de viagem e nossa parada será em Punta del Leste para um breve descanso até Montevideo. A parrilla escolhida para a noite de jantar foi o restaurante El Tonel próximo a calle Gorlero. Casa já conhecida por indicação de um amigo confirmou sua reputação. A clássica sequencia de queso parrillero, papas, chorizo, entrecots, assado de tira e vacio não decepcionaram, estavam perfeitos.

Falando de vinhos, provamos 4 esta noite. Inciamos por um chardonnay da Stagnari, safra 2010. Num primeiro momento achei que o álcool de 14% estava roubando a cena, mas não, era de verdade um  açúcar residual o deixando com uma sensação de uma semi seco. Num primeiro momento parecia muito macio mas chegando a ponto de ser quase enjoativo, pouco gastronômico. Foi um branco que causou divergência na mesa entre os freaks.

Na sequencia passamos para o primeiro tinto por indicação da casa, o Los Cerros de San Juan, o vinho chama-se Maderos de San Juan, um Gran Reserva safra 2009. Deu vontade de chorar!! E olha que não era um vinho barato para os padrões da casa. O que foi aquilo? graças a deus estávamos em 5 pessoas, não precisamos fazer muito esforço para terminar a garrafa.

No segundo tinto provamos uma pequena bodega chamada La Cuña de Piedra. Um Tannat safra 2008. Este já entramos em outro padrão de vinho, não podemos dizer que foi um Time Freezing, longe disso, mas muito superior ao anterior. Nariz discreto mas limpo, toques mentolados e de especiarias, Na boca gastronômico, as características duras da Tannat mas muito agradáveis se mostraram presentes. Melhor de tudo, não era um vinho fabricado, o produtor apenas expressou o que recebeu da natureza.

Último tinto e não queríamos apenas ficas nos Tannats, até mesmo porque nosso objetivo nesta viagem é justamente descobrir o que mais o Uruguai tem para nos entregar. Pedimos a recomendação do atencioso Marcelo que estava nos atendendo e nos sugeriu um da Bodega Stagnari, um Cabernet Sauvignon chamado 1+1, uvas provenientes de dois vinhedos distintos. Uma boa surpresa, um Cabernet típico, boa acidez, taninos bem domados, confesso que achei um pouco “fabricado”, o produtor trabalhou no vinho para deixá-lo sem arestas, mas agradou ao grupo, boa dica.

Finalizamos nosso primeiro dia graças a Deus correndo tudo bem e nos preparando para o dia seguinte onde irá de verdade iniciar nossa maratona de degustação.

Abraço a todos

 
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Publicado por em 5 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Novidades

 

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