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Arquivo da tag: Vinhos Argentinos

Um Entrecot contra todos!!!!

Quarta-feira, 18 de julho, final de expediente frio e úmido na Enoteca dos Mercadores de Vinhos em Gramado-RS. Enquanto finalizava alguns e-mails, pensava que teríamos ainda uma longa semana de compromissos, reuniões e visitas até chegarmos ao domingo, quando pretendia poder comer uma carne mal passada, acompanhada de um bom vinho tinto.

Eis que ao meu lado, meu sócio Cristiano faz crispar a fagulha que fez de uma semana comum, uma oportunidade especial. – Que tal a gente fazer amanhã a noite um Entrecot bem Jugoso e chamar os Freaks para nos acompanhar?? – senti-me tal qual um cachorro que analisa da calçada os galetos sendo lentamente assados em uma padaria qualquer…a boca cheia de saliva já indicava o que o meu cérebro obrigaria que saísse da minha boca em seguida – Claro!!! Estarei lá…

E a quinta não passava…sabe aqueles dias em que chega a meia noite, mas não chega as 19hs?? Pois era essa a impressão, os ponteiros se mantinham em câmera lenta e a enxurrada de torpedos e e-mails dos confrades desesperados para iniciar os trabalhos deixavam a coisa ainda mais cruel…

Fechei a loja e me dirigi à casa do confrade com um misto de alegria e preocupação. Será que os vinhos que havíamos separado para degustar seriam adequados para o famoso Lomo mal passado do Cris?? Haviam algumas apostas certeiras e algumas coisas que sabíamos que seriam difíceis de harmonizar…mas a presença dos amigos e a oportunidade de provar uma carninha assada na churrasqueira em pela quinta já era suficiente pra valer a noite.

Provamos diversos rótulos, iniciando com dois brancos, o Alentejano Regia Colheita 2010 (uvas: Antão Vaz, Arinto, Perrum, Síria), com boas notas frutadas e um leve toque tostado, muito harmônico e com uma bela acidez e longo final) incrível custo x benefício. Passamos então para o Chardonnay mendocino El Enemigo do enólogo Alexandre Vigil (Catena), um branco untuoso, com uma cremosidade muito interessante, vivo, aromático e aveludado. Belo vinho para quem pretende desembolsar cerca de R$ 100,00. Eles receberam um belo queijo parrillero e pães quentinhos com azeite de oliva como companhia.

Alguns dos vinhos da noite, juntamente com minhas taças ainda esperando a chegada do Lomo Jugoso!!!

Partimos então para os tintos, abrindo um Tannat nacional, da vinícola Torcello no Vale dos Vinhedos-RS, bom custo benefício, mas na minha opinião, fraquinho pra aguentar o entrecot, ele foi seguido pelo bom  Português JP Azeitão da Quinta da Bacalhôa (uvas:Castelão, Aragonês e Syrah) que mostrou um nariz bem discreto de frutas frescas e boca semelhante, taninos domados e acidez na medida para o corpo leve…acho que ficará melhor se servido mais gelado que o habitual, mas tb não aguentou o tranco do lomo jugoso do Cristiano Ribeiro. Seguindo o baile provamos o bom Cabernet Sul-Africano Fleur du Cap de cor rubi escura com aromas que me lembraram café e um frutado na linha do Cassis na boca se mostrou cheio e redondo, com os taninos elegantes que são a marca registrada do país africano seguido por um toque de especiarias e madeira….o primeiro que suportou o tranco da carne que trazia uma pontinha de defumado na boca…

Mas, pra fechar a noite faltavam ainda duas bombas de Mendoza, o El Enemigo Bonarda e o Las Perdices Bonarda. O primeiro saiu espesso da garrafa, com fruta madura em compota no nariz e um toque herbáceo e de especiaria.Na boca a uva me pareceu bem domada, com taninos elegantes, mas com persistência um pouco abaixo da minha expectativa. Já o Las Perdices Bonarda caiu como uma luva, com fruta e pimenta se degladiando no nariz, junto com um caramelado da madeira, na boca estava nervoso, como deve ser um vinho de Bonarda do novo mundo… Mostrava ainda taninos deliciosamente bem resolvidos que reabriam o apetite a cada nova garfada na posta mal passada – para mim o vinho da noite com a carne e sem a carne!!!

Os Entrecots instantes antes de vir para a mesa!!!

 

 

Depois disso fechamos a noite com belos charutos Montecristo número 4, acompanhados de Brandy e vinho Madeira e, é claro, de piadas do Lee, tiradas especiais do Serginho, comentários ácidos do Gordinho e umas pérolas do Jonas…na ponta da mesa, com um puro esfumaçante na mão, Cristiano não conseguia esconder a satisfação de ver que nada restava das 3 peças de carne bovina compradas há pouco no Gallas.

E eu, já tomado pela nostalgia alcoólica recordava de uma frase dita por um amigo em um churrasco numa bela noite de lua cheia em Mendoza no início do ano. – Que vida de mierda!!!!

 
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Publicado por em 20 de julho de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades

 

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Agora só os campeões!!! O melhor tinto, branco, rosé e fortificado da viagem à Argentina

Após discussões acaloradas, defesas heróicas dos rótulos prediletos e muita paciência, finalmente temos a lista final dos vinhos campeões eleitos pelos Winefreaks. Vamos à eles:

Melhor Tinto Geral:

Carinae Prestige 2008. Um tinto elaborado com 70% Malbec / 25% Cabernet / 5% Malbec. Crianza de 18 meses em barricas de carvalho Frances novas. Podemos dizer que fechamos a degustação dos tintos com chave de ouro, a crescente foi incrível, este Prestige no nariz inicia discreto mas com a aeração abre-se para lindos aromas de cassis, frutas vermelhas cozidas, toques mentolados. Na boca estava perfeito, não apresentou arestas, muito equilíbrio e força em sinergia. Final de boca longo e agradável. Foi o melhor vinho degustado em toda a viagem!!!!

Melhor Branco Geral:

 Las Perdices Sauvignon Blanc Fummé 2010. Quando pensávamos que mais nada poderia melhorar Carlos nos surpreendeu novamente, nos fez degustar um Sauvignon Blanc com passagem  e fermentação em barricas de carvalho. Se no Sauvignon Blanc varietal faltava um pouco de estrutura neste sobrava. A integração entre fruta e madeira é impressionante, normalmente não gosto do Sauvignon Blanc com carvalho mas me curvei para este. E foi a opinião geral do grupo. Perfeito. Pena que ainda não está no Brasil.

Melhor Rosé Geral:

Alfredo Roca Merlot Rosé safra 2011. Já conhecíamos este vinho das safras 2009 e 2010, mas confesso que não nos impressionava muito. Esta safra 2011 veio com uma proposta completamente diferente. A sensação é que estávamos degustando um verdadeiro Provence Rosé. Sua cor esmaecida, casca de cebola já indicava um vinho bem vinificado. Nariz com aromas muito sutis de pétalas de rosas, frutas vermelhas e um toque de cassis. Na boca perfeito, frescor, jovialidade, leve amargor no final de boca tão esperado, muito bom, excelente surpresa.Provavelmente foi um dos melhores roses sul americanos degustados nos últimos tempos.

Melhor Fortificado Geral:

Las Perdices Ice Malbec. Um vinho licoroso 100% Malbec com uvas colhidas tardiamente quase em condição de passa. Com um teor alcóolico de 11,5% e 170 gr de açúcar residual este licoroso vem  ser uma proposta bem interessante para os amantes deste tipo de vinho. Segundo a explicação do enólogo Carlos “o esfriamento constante das uvas por vários dias, atingindo temperaturas inferiores a -8ºC, temperatura na qual começa a cristalizar a água formando cristais de gelo. Após a prensa é obtido um mosto de caraterísticas únicas, com uma relação uva/vinho de 8 kg por litro”. Para nós, um rosé licoroso com aromas de frutas vermelhas frescas, morangos secos e geléia. Na boca uma primeiro ataque macio, quente, mas com uma acidez muito gostosa para equilibrar. Sem dúvida tomá-lo gelado.

 
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Publicado por em 19 de março de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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Os Winefreaks elegem os melhores vinhos da viagem à Argentina – Parte 3 – Vinhos Brancos

Nem só os Malbec e os vinhos tintos fazem bonito em Mendoza. Nesse post elencaremos os melhores brancos segundo a avaliação dos Winefreaks (Cristiano Ribeiro, Enzo Arns, Isac Azevedo, Leandro Sperry e Jonas Lunkes). Aproveitem:

  • Vinhos de Entrada (vinhos de baixo custo, de consumo imediato):

      1. Alfredo Roca Chardonnay Dedicacion Personal 2010 (4 votos)

      2. Cuarto de Milla Branco 2011

Alfredo Roca Chardonnay Dedicacion Personal safra 2010. Lindo, amarelo palha com toques dourados já mostrando sua breve passagem por roble americano. Frutas brancas, banana, pêssego, damascos secos, creme de baunilha. Primeiro momento o carvalho ainda estava saliente demais mas após alguns minutos de aeração seus aromas primários vieram a tona. Lindo. Na boca só melhorou, grande untuosidade mas muito bem balanceada com sua veia ácida, volumoso, rico, grande final de boca. Este deve ser degustado por todos que admiram um belo branco.

  • Melhor Custo x Benefício:

      1. Serrera Torrontés (2 votos)

      2. Finca La Daniela Chardonnay (2 votos)

      3. Alfredo Roca Tocai

 Serrera Torrontes 2010. Sem dúvidas um dos melhores Torrontes degustados na viagem, da variedade Torrontes Riojano, a idéia segundo Hernán era buscar um vinho não muito intenso, como alguns Torrontes que chegam a ser enjoativos, mas com uma boa carga aromática. Realmente estava muito bom no nariz, não muito explosivo, toques florais e frutas brancas e tropicais. Na boca redondo, elegante, sutil, uma discrição acima da média quando falamos de um torrontes. Excelente.

Finca la Daniela Chardonnay 2011. Particularmente somos fãs da linha la Daniela, são vinhos que se posicionam em uma faixa intermediária / alta de qualidade mas com preços justíssimos, para se ter uma idéia, no Brasil são vendidos na faixa dos R$ 35. Outra coisa que admiramos muito neste rótulo é sua franqueza na tipicidade das castas, Mônica, a enóloga, jamais peca pelo exagero de carvalho ou maceração, são vinhos ao estilo do Velho Mundo, excelentes. Este Chardonnay estava especial, ótimo nariz, boa intensidade, notas de maçã, abacaxi, frutas tropicais e um toque de manteiga, apesar de não ter passagem por carvalho. Na boca excelente primeiro ataque com boa força mas sem exageros, final de boca muito agradável.

  1.  Vinhos Premium:

      1. Las Perdices Sauvignon Fummé (3 votos)

      2. Finca La Anita Chadonnay

      3. Don Nicanor Chardonnay/Viognier

 Las Perdices Sauvignon Blanc Fummé 2010. Quando pensávamos que mais nada poderia melhorar Carlos nos surpreendeu novamente, nos fez degustar um Sauvignon Blanc com passagem  e fermentação em barricas de carvalho. Se no Sauvignon Blanc varietal faltava um pouco de estrutura neste sobrava. A integração entre fruta e madeira é impressionante, normalmente não gosto do Sauvignon Blanc com carvalho mas me curvei para este. E foi a opinião geral do grupo. Perfeito. Pena que ainda não está no Brasil.

 
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Publicado por em 15 de março de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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Fechando com chave de ouro: Serrera Vinos

Encerramos nossa visitas na sexta-feira à noite em uma pequena bodega localizada na região de Luján de Cuyo, contudo, esta visita era muito mais do que conhecer instalações, visitar vinhedos e degustar bons vinhos, era uma visita a velhos amigos. Ir a Mendoza e visitar meus grandes amigos Hernán e Vitu já se tornou agenda obrigatória e não poderia deixar de ir com meus confrades winefreaks.

Hernán e Vitu são proprietários da Serrera Vinos, uma bodega relativamente desconhecida no  Brasil,  tem seus rótulos trazidos ao Brasil pela importadora Hannover,  mas que produz vinhos interessantíssimos. A Serrera possui vinhedos espalhados pelas principais regiões produras de Mendoza, Luján de Cuyo, Agrelo e Tupungato, produz uma média de 200.000 Kg de uvas ano, contudo, apenas uma pequena e selecionada parcela destas ficam na Serrera, o restante é vendido para outras grandes bodegas. Possuem uma planta em Luján que faz todo o processo de vinificação.

Vinhedos com mais de 100 anos em cultivo orgânico no quintal de casa...que tal???

Fomos recebidos na casa de Hérnan, onde possui uma pequena propriedade cercada de vinhedos com quase 100 anos de idade onde conduz as vinhas de forma orgânica. Além disso Hérnan tem uma criação de cabras para produção de leite e queijo fabricado ali mesmo em sua propriedade, queijos estes que provamos juntos com os vinhos, deliciosos.

Vai um queijinho de cabra direto da fonte???

Logo que chegamos Hernán nos conduziu para uma pequena sala onde preparou uma mesa com alguns vinhos para nossa degustação, todos rótulos novos que ainda estão para entrar no mercado e algumas preciosidades! Sem grandes demoras vamos fazer uma análise dos vinhos provados pois nesta noite os vinhos não eram o assunto principal.

As "crianças" que nos foram oferecidas no início da noite...

Serrera Torrontes 2010. Sem dúvidas um dos melhores Torrontes degustados na viagem, da variedade Torrontes Riojano, a idéia segundo Hernán era buscar um vinho não muito intenso, como alguns Torrontes que chegam a ser enjoativos, mas com uma boa carga aromática. Realmente estava muito bom no nariz, não muito explosivo, toques florais e frutas brancas e tropicais. Na boca redondo, elegante, sutil, uma discrição acima da média quando falamos de um torrontes. Excelente.

Serrera del Pecado 2008. Este é o tinto de entrada da Serrera, um corte 55% Cabernet Sauvignon e 45% Malbec, a proposta é um tinto fácil, sem carvalho, com muita fruta presente. Pelo preço que é cobrado, 10 pesos na Argentina, superou as expectativas, a única ressalva é que foi servido um pouco quente, escondendo sua tão desejada fruta, após resfriarmos um pouco voltou a vida novamente.

Serrera Moments Malbec 2008. Corte de Malbecs de diferentes terroirs, Tupungato, para lhe trazer mais frescor, e Luján de Cuyo, para aporte de estrutura. A proposta deste vinho é ser uma passagem do del pecado para a linha reserva, realmente é um belo tinto, com excelente custo/qualidade, a duvida é se os clientes não preferem pagar um pouco mais e ir direto para o reserva? Entramos num pequeno debate sobre este tema que Hérnan chegou a concordar. No entanto, um tinto a ser degustado.

Neste momento, nos demos conta que Hérnan ia mudando a música ambiente a cada vinho servido, como se buscasse uma harmonização diferente, não sabemos dizer se foi isto mas a verdade é que a energia estava ótima nesta noite.

Um brinde entre os trabalhos pra descontrair!!!!

Serrera Reserva Malbec 2010. Chegamos a linha reserva, este vinho foi feito com uvas de Luján de Cuyo, que segundo Hernán foi uma safra muito boa, com bastante estrutura fenólica nos grãos. Hernán tratou de preservar muito a fruta deste malbec, notava-se isto no nariz, aromas limpos de frutas vermelhas, mirtillos, final tabaco e especiarias mostrando um aporte de carvalho muito bem trabalhado. Na boca um belíssimo Malbec, equilibradíssimo, nada de bombas alcoólicas, mas um vinho com energia e vida com um final de boca revigorante.

Serrera Reserva Bonarda 2008. Nos falando um pouco deste vinho, foi uma excelente safra em Tupungato, disse Hernán,  origem desta Bonarda, um ano com muita concentração de cor e aromas. As uvas deste vinho são provenientes de vinhas com mais de 40 anos de idade. Levamos o tinto ao nariz. Uau!! O que foi isto? Que belíssimo bouquet, concentrado, pimenta negra, cravo, notas mentoladas, final levemente herbáceo, elegantíssimo, nao muito potente mas com uma persistência incrível. Na boca só melhorou, a rusticidade da Bonarda, quase mastigável já pedia um entrecot jugoso para acompanhar, que tinto maravilhoso, foi eleito naquele momento o Bonarda da semana.

Serrera Gran Guarda 2005. Chegamos a prata da casa, momento único, consegue-se notar facilmente a admiração de Hernán por este vinho, a forma como conseguiu aproveitar as qualidades da Malbec ao máximo, a forma como conseguiu integrar o carvalho novo com maestria. Sem dúvida um grande malbec no nariz e na boca, potência com balanço, vinho gastrômico, sem dúvidas chegamos ao Freak da noite. Como se não pudesse melhorar Hernán foi a seu laptop e colocou o volume no máximo, estava tocando Brother in Arms – Dire Straits. Ao som de Mark Knopfler podemos dizer com certeza que aquele foi um momento Timefreaze.

Após terminarmos esta degustação maravilhosa Hernán nos conduziu ao pátio de sua casa onde havia montado uma mesa no pátio e Vitu já nos aguardava com a Parrillera queimando lenha e alguns pedaços de carnes selecionadas tostando sobre a grelha.

O fogo pronto pra fazer umas carnes na grelha!!!

Bem, não precisamos dizer que foi uma noite memorável, ainda mais quando Hernán chegou a mesa com uma garrafa de um Serrera Reserva Syrah 2002, ano da primeira safra da Serrera. Como costuma dizer nosso amigo Vitu: “Que vida de mierda!!”

Será que a noite estava boa???

Nossos mais sinceros agradecimentos a Hernán, Vitu, Verônica e toda sua família que nos receberam de braços abertos em sua casa e fez de nosso último dia em Mendoza um momento inesquecível.

Que vida de mierda!!!!
 
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Publicado por em 24 de fevereiro de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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A saga dos Winefreaks – Viña Las Perdices. Uma promessa!

Começamos nossas visitas em Mendoza com uma Bodega em que já conhecíamos os vinhos no Brasil, mas que ainda está em fase de ser descoberta pelos enoapaixonados – a Vinã Las Perdices é um empreendimento familiar comandada pelo casal Don Juan Muñoz López e Dona Rosário, e seus filhos: Nicolás, Estela e Carlos.

Uma das vistas da bela Viña Las Perdices

Localizada ao pé da Cordilheira dos Andes, a Viña Las Perdices está a aproximadamente 1030 m de altitude, em Agrelo, Luján de Cuyo.Os vinhedos são próprios, e somente são engarrafados vinhos que provêm de uvas de suas propriedades, que atualmente somam 80 hectares. A idade das vinhas é em média de 30 a 40 anos. A Bodega possui dois vinhedos, um em Agrelo – este que visitamos e o vinhedo de Los Barrancos localizado em Maipu.

Hoje 60% da produção é direcionada a exportação, sendo seus principais mercados EUA, Canadá e Brasil. Nos vinhedos todas as plantas são proveniente de pé franco, sem enxertos. A irrigação acontece por gotejamento e também por gravidade com água do degelo.

Sulcos nas ruas são usados para irrigação por gravidade

Dentro da vinícola, muito bem organizada, existem tanques de inox de 5,10, 30 e 60 mil litros para conduzir-se vinificações separadas e bem controladas. Hoje a produção total da Bodega está em 500.000 garrafas ano.

Nossa visita estava agendada para as 10 horas da manhã e, logo que chegamos à bodega fomos recepcionados por Carlos Muñoz, um dos filhos e enólogo da casa, (mais tarde descobriríamos a genialidade deste profissional). Como já tem sido o padrão de recepção Mendocino, Carlos nos recebeu de forma extremanente calorosa, nos levando imediatamente para um passeio pela Bodega. Ficamos os primeiros 30 minutos em uma conversa, ou melhor dizendo, em uma aula que recebemos de Carlos, parados em uma grade sobre as pipas de inox com a paisagem dos vinhedos ao fundo.

Logo após esta recepçao Carlos nos convidou para uma degustação dos seus vinhos. A princípio estranhamos um pouco pois não localizamos uma mesa de degustação com as garrafas abertas, mas então veio a grande surpresa, iríamos degustar somente amostras de tanque! Nada de vinhos já engarrafados. Confesso que neste momento olhei para os céus e agradeci a Max, um dos socios da importadora Bodegas, que traz os vinhos ao Brasil, por nos oferecer esta chance.

Retirar o vinho diretamente da fonte não tem preço!!!

Bem, queremos ter o prazer de dividir com nossos amigos e seguidores um pouco destes caldos que degustamos.

1ª Amostra. Las Perdices Sauvignon Blanc safra 2011. Lindo amarelo esverdeado,  aromas discretos de folhas verdes, herbáceo e frutas tropicais. Na boca muito típico, com uma acidez balanceada e final de boca agradável. Normalmente os Sauvignon Blancs argentinos não me impressionam muito mas este Las Pedices sem dúvida já está entre meus favoritos,  elegancia e discrição ao invés de potência.

2ª Amostra. Las Perdices Albariño 2011. Este é um lançamento, ainda não veio ao mercado, fomos agraciados com a chance de degustá-lo antes, por sorte, pois este branco estava realmente maravilhoso. Os aromas típicos de flores brancas, algo cítrico e nuances minerais de pederneira revelavam um verdadeiro Albariño. Na boca estava realmente muito bom, não tinha a potência dos grandes Albariños e Vinhos Verdes mas com certeza impressionou muito ao grupo. Grande branco.

3ª Amostra. Las Perdices Cabernet Sauvignon 2011. Belo tinto, este vinho dividiu um pouco as opiniões do grupo, aromas mentolados, especiarias e toques de vanila mostravam um tinto bem integrado com o carvalho. Na boca uma acidez gostosa e refrescante com taninos integrados e álcool no ponto. Talvez não o classifiquemos como um grande cabernet mas sem duvida estava muito bom, particularmente gostei bastante.

4ª Amostra. Las Perdices Reserva Bonarda safra 2010. Bem, aqui começamos a balançar, que vinho, fechado na taça, muito escuro, com um lindo nariz com toques de menta, tabaco, especiarias, chocolate amargo, muito amplo. Na boca volumoso, caravalho muito bem trabalhado, taninos nervosos com uma acidez vibrante, um grande tinto para se harmonizar com um grande assado. Que vinho. Fiquei muito de feliz de saber com Carlos que a Bonarda está começando a se tornar uma variedade séria na Argentina e deixando de ser utilizada para grandes produções sem qualidade. Aqui ela se chama CORBEAU, e tem uma estrutura diferente da Bonarda italiana.

5ª Amostra. Las Perdices Reserva Don Juan 2009. Um corte 70% Malbec  e o restante Syrah, Bonarda e Merlot. Que potência controlada. Como é bom tomar um vinho com grande pegada mas sem exageros. Aromas já completos e boca muito elegante. Muito longo e agradável no final. Melhorava a cada minuto na taça. Foi um dos melhores do dia.

6ª Amostra. Amostra de Malbec safra 2010 direto da barrica de carvalho. Surpresa, Carlos puxou uma pipeta e tirou uma dose de um caldo pesado de uma barrica. Nos serviu e pediu que analisássemos juntos aquela amostra de malbec. Quando questionei sobre qual linha estávamos degustando ele apenas se limitou a dizer: “Ainda não sei, vamos ver o que voces acham”. Quando coloquei o vinho no nariz e depois na boca o tempo parou! Tenho de dizer que foi um dos melhores Malbecs que degustei nos últimos tempos. Apesar de ainda estar em evolução na barrica, estava simplesmente divino, perfeito, sem arestas ou defeitos. O nariz era uma mistura de potência do novo mundo com a classe dos vinhos europeus. Sua boca confirmou isto, cada gole pedia o próximo, ficamos em extâse. Com certeza Carlos sabia para qual corte iria este malbec… Que momento freak.

7ª Amostra. Las Perdices Sauvignon Blanc Fummé 2010. Quando pensávamos que mais nada poderia melhorar Carlos nos surpreendeu novamente, nos fez degustar um Sauvignon Blanc com passagem  e fermentação em barricas de carvalho. Se no Sauvignon Blanc varietal faltava um pouco de estrutura neste sobrava. A integração entre fruta e madeira é impressionante, normalmente não gosto do Sauvignon Blanc com carvalho mas me curvei para este. E foi a opinião geral do grupo. Perfeito. Pena que ainda não está no Brasil.

8ª Amostra. Las Perdices Ice Malbec. Um vinho licoroso 100% Malbec com uvas colhidas tardiamente quase em condição de passa. Com um teor alcóolico de 11,5% e 170 gr de açúcar residual este licoroso vem  ser uma proposta bem interessante para os amantes deste tipo de vinho. Segundo a explicação do enólogo Carlos “o esfriamento constante das uvas por vários dias, atingindo temperaturas inferiores a -8ºC, temperatura na qual começa a cristalizar a água formando cristais de gelo. Após a prensa é obtido um mosto de caraterísticas únicas, com uma relação uva/vinho de 8 kg por litro”. Para nos um rose licorosos de aromas a frutas vermelhas frescas, morangos secos e geléia. Na boca uma primeiro ataque macio, quente, mas com uma acidez muito gostosa para equilibrar. Sem dúvida tomá-lo gelado.

Alguns dos inúmeros rótulos de vinhos da Las Perdices

Após esta degustação épica, fomos acompanhados pelo diretor de marketing Aníbal para um almoço harmonizado em um belo restaurante, La Barrica. Uma grande dica para quem está em Mendoza buscando um bom restaurante para almoço.

Fachado do Restô La Barrica

Nosso mais sinceros agradecimentos a Carlos e Aníbal pela incrível recepção e toda sua equipe, realmente notamos um sentimento de empenho em um trabalho sério e dedicado. Espero de todo coração que estes vinhos maravilhosos sejam logo descobertos por apaixonados no Brasil.

Carlos, Cristiano e Aníbal após a incrivel degustação.

Grande abraço.

 
 

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A saga dos winefreaks – Tunduque!!!!

Tudo começou em uma conversa despretenciosa na Pousada Salentein em que recebemos uma dica valiosa, uma pequena bodega localizada a poucos quilômetros de distância, com uma produção reduzida, comandada pelo proprietário e dois enólogos em uma pequena garagem de vinificação mais ou menos do tamanho da sala de degustação da Salentein.

Azul – Este é o nome da vinícola. Um pequeno empreendimento que passa despercebido aos olhos desavisados dos viajantes. Estacionamos a van no pátio e batemos a porta de ferro onde parecia estar a cantina de produção de vinhos e, em poucos segundos apareceu um rapaz muito simpático chamado Luiz – um dos enólogos da casa. Nos pediu para aguardar alguns minutos pois estava terminando uma degustação com um casal de americanos. Sentamos num lounge externo para aguardar. Confesso que a espera foi bem agradável, com um sol intenso, a galera em uma ótima vibração e muito verde ao redor.

A cantina parecia bem simples, mas era exatamente o que a gente esperava...uma garagem pra chamar de nossa!!!

Uma pausa pra esperar os vinhos que estavam por vir...

Quando entramos no prédio ficamos impressionados com a simplicidade do lugar, algumas poucas tinas de inox e algumas barricas de carvalho frances novas do outro lado da garagem. Uma prensa manual se encontrava no canto nos dizendo que tínhamos chegado ao local certo.

Logo que entramos Luiz já nos chamou para perto de uma mesa de degustação com algumas garrafas de vinhos abertas e começou a falar um pouco do empreendimento. Realmente é uma bodega familiar pequena com uma produção limitada, são apenas vinhos tintos dentro de três linhas, os varietais, reservas e gran reservas. As castas utilizadas são a Malbec, Cabernet Sauvignon e Syrah e nada mais.

Luiz e uma de suas obras...nossos agradecimentos pela oportunidade pibe!!!

Somente 40.000 garrafas produzidas por ano, 7 hectares plantados, toda produção vem de vinhedos próprios

Partimos para a degustação, inciamos com a linha varietal, os vinhos de entrada, provamos o Malbec e o Cabernet Sauvignon, vinhos honestíssimos, fáceis de se beber, sem passagem por carvalho com média estrutura e corpo. Excelentes propostas para um vinho de almoço ou para acompanhar um prato mais leve. O preço mais do que justo, 40 pesos argentinos, cerca de R$ 20,00.

Na sequencia provamos o Azul Reserva safra 2008 / 85% Malbec – 15% Cabernet Sauvignon. Aqui tivemos nossa primeira grata surpresa, com um nariz interessantíssimo, elegante, num primeiro momento aromas típicos da malbec com ameixas negras e arándanos, toques florais, num segundo momento toques herbáceos da Cabernet. Na boca um vinho com alma, com a assinatura de seu enólogo, excelente equilíbrio, seus 15 meses de carvalho apenas engrandecem a obra. Ficamos muito satisfeitos com este corte. Preço: 75 pesos argentinos, R$ 35,00.

Partimos para a degustação do TOP da casa, Azul Gran Reserva safra 2007 – 50% Malbec / 50% Cabernet Sauvignon com 24 meses em barricas francesas novas. Estranhamos um pouco pois a garrafa estava ainda fechada sobre o balcão, um vinho como este deveria pedir uma aeração prévia, mas enfim, éramos convidados… Então veio a grande surpresa, Luiz puxou uma pipeta e nos ofereceu uma amostra de tanque para degustar! Dá para acreditar? Quantas bodegas ainda oferecem amostras de tanque para um grupo de desconhecidos? O vinho que nos ofereceu ainda nao estava finalizado, estava com 15 meses de caravalho, ainda ficaria outros 9 meses em afinamento até vir para o mercado.

Esse realmente foi Freak!!!!

Luiz nos pediu para degustar aquela amostra e imaginar o potencial do vinho algum tempo a frente. Bem, o que provamos fez o tempo parar. Nas palavras dos winefreaks este foi um verdadeiro “time freeze”. Grande tinto, negro na taça, quase sangue, no nariz aromas levemente reduzidos mas que logo se abriram para toques de couro, especiarias, alcaçuz, final mentolado. Muito, muito elegante. Na boca um monstro, primeiro ataque lembrava quase um licoroso mas logo sua acidez e frescor entram em cena para contra balançar. Final de boca muito agradável e absurdamente longo, ficamos todos de queixo caído. Bem, fomos obrigados a trazer algumas garrafas para ver como estara este caldo depois dos 9 meses de carvalho que lhe faltavam.

A galera freak em recuperação após o time freeze!!!!

Depois da degustação partimos para o almoço no restobar que existe dentro da Bodega, um restaurante comandado pela família. O proprietário Alejandro Fadel e seu familiar Paulo nos serviram um menu degustação de 5 pratos incríveis. Iniciamos com alguns pães caseiros e uma pasta de beringela defumada perfeita.

Que tal o Restobar?

A primeira entrada foi um creme de cebolas com batatas e manteiga com um toque de cebolas roxas caramelizadas.

Segunda entrada uma composição de uma fritada de ovos caseiros com temperos verdes e uma brusqueta com presunto parma cru e parmesão.

Terceira entrada empanadas. Entrañas de vacuno cortadas com el cutillo e um triângulo de cerdo (porco) e pasta de pimenta.

O prato principal consistiu de um ollo de lomo (entrecot) preparado no ponto jugoso, perfeito,  com um toque de chimichurri acompanhado de uma salsa de abacate e vinagrete com papas, berinjela e abobrinhas grelhadas.

Para finalizar esta maratona duas sobremesas, uma mousse de chocolate servida sobre um creme de pêssego e uma sobremesa chamada Vijlante, membrillo (marmelo) servido com queijo e uma calda de amoras com nozes.

Quando já tínhamos finalizado nosso almoço e estávamos pagando a conta,  satisfeitíssimos,  passou correndo perto da janela uma espécie de porquinho da índia, ou Preá como conhecemos, logo que Paulo o avistou apontou e gritou, mirem, un TUNDUQUE!!

Que dia…Ficam nossos agradecimentos à todos da bodega e do restobar!!!

Pessoal do Resto recebendo nosso kit de promoção da região das hortênsias...Canela e Gramado devidamente promovidos na terra dos vinhos da Argentina.

Valeu…

 
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Publicado por em 31 de janeiro de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias

 

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A saga dos Winefreaks – Salentein, um colosso no Vale do Uco

Após nossa visita à Tupungato Winelands seguimos rumo a nosso próximo destino para passar o final do dia e noite – a bodega e pousada Salentein. A Salentein é um empreedimento estrangeiro de um grupo de investidores, principalmente holandeses, que resolveram apostar neste novo terroir na Argentina, o Valle de Uco há cerca de 10 anos atrás. O empreendimento Salentein compreende um total de 86.000 hectares. Aqui entram além dos vinhedos, exploração de frutas e pecuária. A Bodega tem uma área total de 2.000 hectares, no entanto, hoje, menos de 10% dessa área são explorados para as vinhas. Tem uma produção anual em torno de 2.800.000,00 garrafas ano exportando para mais de 40 países.

O nome Salentein vem do castelo homônimo onde o proprietário reside na Holanda e, segundo consta, ele vem três vezes ao ano a Argentina para acompanhar o andamento do projeto.

Chegamos no dia 29 no final da tarde e a Bodega já estava fechada, por isso, rumamos diretamente para a pousada. O caminho que leva a ela é incrível, uma estrada de terra e pedra de mais ou menos 1 Km de extensão rodeada de alamos e com a agua do degelo correndo entre as árvores…uma paisagem de cartão postal. Chegando a recepção fomos conduzidos aos quartos sem burocracia, nada de check in ou confirmação de resevas…segundo o atendente, depois, quando estivéssemos tranquilos e instalados, poderíamos preencher os papéis.

O acesso para a pousada e os álamos...

Os quartos são cabanas no meio dos vinhedos que recebem nomes de cepas, o nosso foi o Malbec, perfeito, em todos os detalhes. Na varanda não se escuta absolutamente nada além do ruído da água do degelo passando ao lado do quarto. Além disso, uma garrafa de Salentein Cabernet Sauvignon Reserva e um drink de boas vindas nos foi oferecido como forma de nos inserir no contexto da bodega.

Entre as opções de entretenimento, mountain-bikes estvam disponíveis para que os hóspedes pudessem conhecer os vinhedos e os demais atrativos da região. Resolvemos (Eu e o Cristiano, que escrevemos esse post à quatro mãos) dar umas bandas e encontramos uma paisagem incrível, intervenções arquitetônicas completamente integradas ao ambiente (como a lindíssima capela onde paramos para agradecer pela incrível oportunidade que estávamos tendo, além da própria bodega e cava de vinhos). Saindo da bodega e pegando a estrada visualizamos a vizinhança que conta com fincas e bodegas como Sophenia, Tapiz, Rutini e a surpreendente Azul (que será tratada em um post em breve). Um belo banho de piscina lavou o corpo cansado após as pedaladas e nos preparou para o que estava por vir.

O que pode ser melhor que uma piscina dessa depois de umas pedaladas??

À noite um jantar de três passos com direito a harmonização faz parte da diária da pousada. Conhecemos o gerente geral, Andres, que muito solicito, sabendo de nossa wine trip nos ofereceu para acompanhar o prato principal, truta, um Pinot Noir Primus safra 2007, a linha TOP da casa, além de nos dar dicas preciosas sobre outras opções de visitas na região.

Um brinde!!!

No dia seguinte rumamos para a visita e degustação na Bodega Salentein. Apesar do nosso já relativamente extenso cardápio de bodegas visitadas ao redor do mundo, poucas nos impressionaram como esta. Simplesmente estonteante, a entrada dá para um prédio de mármore e pedra com uma esposição de arte do artista Ruggero Leoncavallo, wine bar e loja. Aqui combinamos que passaríamos pelo passeio turístico completo para ver como funcionava e analisar se seria interessante como nos passeios privativos que havíamos feito até então. Iniciamos com um vídeo que contava um pouco a história da Salentein e seu legado, com imagens lindas e informações sucintas e bem interessantes.

A entrada da Bodega Salentein já impressiona...

Após este primeiro passo rumamos para outro prédio atravessando mais uns 100 metros de paisagem, onde realmente se localiza a produção. Tudo é colossal nesta bodega, desde a sala de fermentação e maceração com inúmeras pipas de inox de 5000 litros novas até a cava com mais de 5000 barricas de carvalho francês e americano novas.

No meio da nave da "catedral"com suas 5000 fiéis barricas de carvalho.

Depois de um passeio rápido guiado, sim, até guia tivemos neste encontro!! Passamos a sala de degustação com uma mesa de mármore travertino com mais de 3 metros de comprimento e 60cm de largura, simplesmente de perder o folego.

Jonas em nossa mesa de degustação privativa!!!

Degustamos 4 vinhos neste momento:

1º – Salentein Reserva Sauvignon Blanc safra 2011. Lindo amarelo esverdeado muito transparente, com aromas de ervas frescas, maracujá e frutas tropicais, na boca muito franco e típico e, apesar de não ter a força de alguns exemplares chilenos, estava realmente muito bem finalizado, com uma acidez muito bem posicionada. Excelente surpresa.

2º – Primus Pinot Noir safra 2007. A linha Primus é a linha TOP da bodega, poucas garrafas produzidas e somente nas melhores safras. Este não nos impressionou, muita força e pouca elegância, seus 15% de alcool e 18 meses de carvalho realmente se mostram em demasia, apagando a tipicidade desta casta. Uma informação importante: no dia anterior degustamos o mesmo vinho sem ter sido decantado – ao contrário deste que passou por uma decantação de quase 1 hora –  ficondo realmente bem melhor e mais equilibrado que o primeiro. Se vc for degustá-lo, fica a dica de obrigatoriamente passar uma aeração prévia de 1 a 2 horas.

3º – Salentein Reserva Malbec 2010. Um malbec ao estilo Parker, potência, extração, alcool, um tinto de pegada para aqueles que gostam de um Malbec ao verdadeiro estilo Argentino.

4º – Primus Malbec 2007. Aqui chegamos a um Malbec de respeito, apesar de seguir um estilão de força e concentração, apresentou uma elegância incrível, no nariz e na boca um perfeito equilíbrio entre seu lado macio e seu lado de dureza. Grande final de boca, boa persistência. Uma excelente escolha de compra para essa bodega.

Freaks reunidos e felizes após a bebedeira...ou melhor...degustação!!!

No geral os vinhos da Salentein que degustamos estavam todos muito bons, contudo, a impressão que nos passou foram de vinhos padronizados, feitos para agradar a um mercado sedento por vinhos perfeitos, sem arestas, mas nós, freaks, queríamos mais, queríamos vinhos que nos apresentassem arestas, pequenos defeitos, vinhos de autor, mas que no conjunto da obra fossem obras primas. Foi o que encontramos em nossa visita seguinte, mas isto é assunto para nosso próximo post.

Arriba, abajo, al centro e adentro!

 
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Publicado por em 30 de janeiro de 2012 em Bobagens, Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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