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Uruguai – Dia 2 – Pizzorno: Uma bodega de família

Toda viagem Freak aguarda este momento, quando encontraremos o primeiro produtor de alma e coração, isto aconteceu no sábado pela manhã quando chegamos a Bodega Pizzorno. Ainda não tínhamos degustado estes vinhos e fizemos o contato diretamente pelo email da Vinícola. Quando chegamos, Carlos Pizzorno, um dos proprietários e enólogo já nos esperava na porta. Muito sorridente, marca dos uruguaios, nos recepcionou calorosamente e partimos diretamente para um passeio pela bodega.

Carlos Pizzorno esbanjando simpatia!!!

A Bodega Pizzorno está localizada na ruta 32, Km 23, próximo a Montevideo, seus vinhos são trazidos ao Brasil pela importadora Grand Cru. É uma vinícola relativamente pequena com uma produção anual em torno de 140.000 garrafas. Sua primeira safra aconteceu em 1999 e está na 3ª geração de produtores sob a tutela de Carlos Pizzorno. Vinificam uvas brancas e tintas, sendo das primeiras a Sauvignon Blanc e a Chardonnay e das tintas Tannat, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Cabernet Franc e Arinarnoa.

A bela vista da entrada da bodega Pizzorno.

Ao invés de irmos diretamente para a sala de degustação, Carlos e Marcelo – enólogo que nos acompanhou, nos conduziram por uma das experiências mais importantes que vejo em uma bodega, para a sala de barricas e inox para provar amostras de tanques. Isto é extremamente importante pois podemos avaliar o potencial de vinhos ainda em formação para depois comparar com os vinhos já engarrafados. Isto nos dá um panorama incrível do trabalho sendo feito em uma vinícola. Uma pena que muitas bodegas não tenham esta visão.

A pequena e funcional sala de barricas da Pizzorno, onde iniciamos nossos “trabalhos”com os vinhos que ainda estão sendo lapidados para o mercado.

Iniciamos com uma amostra de barrica de um Pinot Noir safra 2012. No momento estava com 6 meses de contato com o carvalho. Ainda em evolução, mostra bom potencial, como não poderia deixar de ser, os aromas e taninos do carvalho estavam marcados mas muito bem integrados. Não foi uma safra tão boa como a de 2011 mas pode surpreender.

O enólogo Marcelo sacando das barricas a primeiras amostras para os Freaks.

Passamos para uma amostra de barrica de um Arinarnoa safra 2011. Este já estava com 12 meses de carvalho de segundo uso, uma belíssima amostra, em minha opinião já estava pronto, opinião que Marcelo confirmou pois logo iriam engarrafar. Muito bom, nariz muito difuso pela presença da barrica mas na boca mostrava-se pleno, os taninos desta casta muito saborosos tudo em perfeito equilíbrio. Tenho curiosidade de ver este tinto depois de pronto.

Passamos para amostra de barrica nº 116 / 220. Um Tannat safra 2011 com 15 a 16 meses de carvalho novo. Neste caso barricas de carvalho húngaro. Muito complexo, as características duras da Tannat estavam bem domadas aqui, um tinto gordo e carnoso.

Amostra de barrica nº 115 / 220. As mesmas uvas Tannat que deram origem ao lote nº 116 foram utilizadas neste varietal, contudo ao invés de carvalho húngaro foi utilizado carvalho americano. Incrível como estavam diferentes, é impressionante notar a influência de diferentes carvalhos no mesmo vinho. Este tinto estava mais nervoso, com seus taninos mais marcados. Ao longo desta viagem algo que ficou marcado é que o carvalho americano casa melhor com a Tannat, as barricas francesas parecem ser muito elegantes para domar a Tannat.

Amostra de barrica nº 110 / 220. Um Tannat safra 2012 de outro vinhedo das amostras 115 e 116. Carvalho americano com 12 meses até o momento. Um tinto ainda em franca evolução, mais alguns meses de caravalho podem lhe fazer muito bem.

Passamos para a sala de degustação para iniciarmos com os vinhos prontos e no mercado:

Pizzorno Brut Nature. Espumante corte de Chardonnay e Pinot Noir com 24 meses de autólise, contato com as leveduras, um espumante amarelo esverdeado com toques mais marcados palha. No nariz aromas bem discretos e típicos da Chardonnay, maçã e abacaxi. Na boca achei o primeiro ataque um pouco grosseiro, faltou frescor e cremosidade. Bom volume de boca e final levemente amargo mas muito saboroso.

Don Próspero Sauvignon Blanc 2012. Já havíamos provado o Reserva da Pizzorno e ficamos muito impressionados com a qualidade daquele. Provamos aqui a linha de entrada. Visualmente perfeito, muito claro e esverdeado, no nariz notas cítricas, abacaxi ainda verde, maracujá. Na boca acidez bem controlada, não é um branco muito potente mas sem defeitos com aquela crocância gostosa da Sauvignon.

Don Próspero Tannat Beaujolais 2012. Aqui uma proposta completamente diferente, vinificaram a Tannat ao estilo dos Beaujolais através de uma maceração carbônica. Tenho de confessar que fiquei impressionado com o resultado final, um tannat leve, frutado, para ser bebido um pouco mais gelado, se a moda pega…

Don Próspero Tannat + Malbec 2011. Neste corte o Tannat não passa pelo carvalho, o Malbec passa 6 meses por carvalho francês e americano. Um tinto fácil, estilo mais comercial, notas de chocolate, cacau. Na boca é incrível como a Malbec amaciou o Tannat deixando um vinho muito mais aveludado. Confesso que de olhos fechados diria que estava mais próximo a Argentina pelo estilo.

Pizzorno Tannat Reserva 2010. 12 meses de barricas francesas, americana e húngara. Parcelas afinadas separadamente nas barricas e depois cortadas. Em minha opinião um dos melhores Tannat da viagem. Visualmente fechado, negro, no nariz o chocolate e o café saltam com força. Na boca incrível, grande volume  e corpo, taninos muito saborosos, apesar de estar muito redondo não perdeu aquela força e rusticidade tão esperadas da Tannat. Vale a pena conhecer este.

Pizzorno Tinto Blend 2010. Um corte de 60% Tannat (12 meses de carvalho americano + húngaro) 30% Cabernet Sauvignon + 10% Merlot (12 meses barricas francesas). Após o corte final afina por mais 6 meses em barricas francesas. Faço a mesma alusão ao Tannat anterior, grande tinto, muito bem elaborado, perfeita sinergia neste corte, boca muito rica e volumosa, muito gastronômico.

Primus 1 safra 2006. O Top da vinícola, um corte de 50% Tannat + 25% Cabernet Sauvignon + 20% Merlot + 5% Petit Verdot. 24 meses de afinamento em barricas novas francesas. Potência é o sobrenome deste vinho, num primeiro momento ainda fechado no nariz, não foi decantado e segundo o próprio Carlos foi um erro, disse que teriam de ter aberto este vinho pelo menos umas 2 horas antes no Decanter. De qualquer forma um grande tinto, musculoso, denso, a Tannat se expressando aqui de forma gigantesca, gostei bastante.

Nossos agradecimentos especiais a Carlos e Marcelo pela incrível recepção que tivemos, sem sombra de dúvidas esta bodega entrou na lista de lugares a serem visitados na próxima ida ao Uruguai.

Os belos exemplares dos “Pizzornos” enfileirados após a degustação…que maravilha!!!

Abraço e até nosso próximo post.

 
2 Comentários

Publicado por em 11 de agosto de 2012 em Dicas, Notícias, Novidades, Técnicas e conceitos

 

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